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Política em foco


Por PAULO ROBERTO FIGUEIRA LEAL, CIENTISTA POLÍTICO

27/08/2014 às 06h00

É impossível, neste momento, afirmar com certeza se os números apontados ontem pela nova pesquisa Ibope para a candidata do PSB, Marina Silva, configuram uma tendência irreversível de crescimento ou se projetam um ponto de pico, em função de uma conjuntural exposição midiática positiva para ela, após a comoção pela morte de Eduardo Campos. Os 29% de intenção de voto, com nove pontos percentuais à frente de Aécio e cinco pontos atrás de Dilma, com possível vitória no segundo turno, sugerem que ela de fato tem muito mais densidade eleitoral que Eduardo e é uma candidata competitiva.

Ela dispõe da lembrança do eleitor em relação à eleição anterior, em 2010, quando já obteve 20% dos votos. Há também uma maior sedimentação da candidata no voto evangélico. Por último, ela é, dentre todos, aquela que mais tende a canalizar o apoio dos segmentos decepcionados com a política tradicional. Em meio a um eleitorado que indica querer mudança, a figura de Marina certamente tem uma dimensão de protagonismo.

Mas com apenas duas pesquisas incluindo seu nome como candidata à presidência (uma do Datafolha, na semana passada, e outra do Ibope agora, ambas utilizando metodologias diferentes), é preciso aguardar novas rodadas de enquetes para avaliar com mais precisão se esses números são duradouros ou se estão ainda fortemente impactados pelo fator emocional da cobertura altamente positiva sobre a chapa do PSB nas últimas semanas.

Contra Marina, pesam o fato de que ela tem pouco tempo no horário eleitoral gratuito e precária estrutura de apoios políticos nos estados. Outro fator relevante relaciona-se ao fato de que só agora a candidata vai começar a ser criticada pelos adversários – algo que ocorreu com pouquíssima intensidade em 2010 e não ocorreu ainda na atual campanha. O jogo está começando, e Marina é uma das protagonistas, mas o resultado de uma única pesquisa não é capaz de apontar até onde ela pode ir.