Vereadores de olho em 2014 Outros nomes cogitados para a disputa

As articulações para as eleições do ano que vem são assunto recorrente nos bastidores da Câmara Municipal. Até o momento, a maioria absoluta das especulações giram em torno do pleito que irá definir os nomes que irão ocupar as 79 cadeiras da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Nos bastidores, pelo menos seis vereadores são apontados como possíveis candidatos a deputado estadual em 2014, na tentativa de seguir o caminho do prefeito Bruno Siqueira (PMDB), que, em 2010, deixou o Palácio Barbosa Lima rumo ao Legislativo estadual, após receber a marca expressiva de 68.437 votos – 43.429 deles, em Juiz de Fora. Entre os nomes de parlamentares que, no momento, figuram como potenciais candidatáveis estão Jucelio Maria (PSB), Isauro Calais (PMN), Noraldino Júnior (PSC), Roberto Cupolillo (Betão, PT), Rodrigo Mattos (PSDB) e Wanderson Castelar (PT).
Isauro e Noraldino já admitem a possibilidade de correr por uma das cadeiras da ALMG e, recentemente, realizaram visitas a bases eleitorais da região, com intuito de reforçar articulações e costurar alianças. Vereador mais votado no pleito do ano passado, com o aval de 5.127 eleitores, Isauro irá voltar à disputa após somar 35.296 votos em 2010, quando ficou como primeiro suplente de sua coligação. Em seu quinto mandato na Câmara, trabalha para suprir a lacuna deixada por Bruno como representante juiz-forano no Legislativo mineiro e articula para ser o candidato do prefeito à ALMG. Tanto que, durante as conversas entre PMN e PPS, que ensaiaram fusão para a criação do natimorto Mobilização Democrática (MD), foi cotado para se transferir para o PMDB, o que aumentaria os vínculos estreitados durante a candidatura do atual chefe do Executivo, no ano passado.
"Minha relação com o prefeito e com o PMDB não é de agora. Fui candidato a vereador pelo partido em 1988. Quando presidente da Câmara (entre 2001 e 2004), ajudei o governo peemedebista do Tarcísio (Delgado, sem partido). Também fui o primeiro político fora do PMDB a declarar apoio à candidatura do Bruno", justifica Isauro. O provável apoio do prefeito foi reforçado, há cerca de dez dias, em um encontro do vereador com o vice-prefeito Sérgio Rodrigues (PMDB) que, na ocasião, reafirmou o objetivo de levar até o fim do mandato o projeto apresentado à cidade durante a campanha, descartando a possibilidade de lançar seu nome como candidato a deputado estadual. Por outro lado, pessoas ligadas ao diretório local do PMDB são mais contidas e afirmam que o partido vai aguardar até outubro para definir seus posicionamentos com relação às eleições do ano que vem.
Teste nas ruas
Assim como Isauro, Noraldino fala abertamente sobre uma provável candidatura à ALMG em 2014. Há três anos, o vereador testou seu nome nas urnas e disputou como deputado federal, obtendo 9.276 votos. O parlamentar afirmou que já recebeu o sinal verde do PSC em reuniões de âmbito estadual e nacional para ser o candidato que irá representar a legenda não só em Juiz de Fora, mas também na Zona da Mata e Vertentes. "O partido está trabalhando para eleger de quatro a cinco deputados estaduais. A opção provável é de que o PSC irá sair sozinho, sem coligação. Para isso, já há conversar para a formação de uma chapa competitiva."
Quatro em compasso de espera
Outros quatro vereadores estão entre os possíveis candidatos à disputa de uma cadeira na Assembleia. No PT, Betão e Castelar garantem estar à disposição da legenda caso os petistas optem por seus nomes como os candidatos locais. "Desde a minha reeleição, sinalizei isso. Daí até a concretização de uma candidatura há uma grande distância. É preciso passar pela aceitação do partido e por conversas com meu eleitorado. Não se trata de uma vontade pessoal", afirma Castelar. Betão também aguarda posicionamento partidário e garante que, no momento, está focado na eleição do diretório do PT em Minas Gerais. O vereador é um dos quatro candidatos à presidência estadual da legenda.
Situação similar é vivenciada por Rodrigo Mattos. Em 2010, o tucano correu por uma cadeira na ALMG, ficando com a primeira suplência de sua coligação, após somar 46.757 votos. Uma nova empreitada depende do andamento das composições de seu partido para a disputa do Governo estadual. O que está praticamente descartado é uma dobradinha entre Rodrigo, como candidato a deputado estadual, e o ex-prefeito Custódio Mattos (PSDB), como candidato a deputado federal. No atual cenário, o grupo ligado aos políticos trabalha a possibilidade de lançar um dos dois, pai ou filho, ao Legislativo estadual. O escolhido terá um adversário dentro do PSDB local, já que o deputado estadual Lafayette Andrada deve tentar a reeleição.
Com o deputado federal Júlio Delgado (PSB) na presidência do diretório estadual, o PSB juiz-forano também projeta o lançamento de um nome à Assembleia. Pelos desempenhos apresentados nas últimas eleições municipais, o vereador Jucelio Maria e o médico José Roberto Maranhas, que foi candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada por Margarida Salomão (PT), aparecem como nomes naturais. "É um assunto que está sendo discutido internamente", resume Jucelio.
Outros nomes locais são sondados nos bastidores como possíveis candidatos à Assembleia. Único representante da cidade em Belo Horizonte, o deputado estadual Lafayette Andrada chegou a ser ventilado como potencial aspirante à Câmara dos Deputados, mas as conjecturas atuais dão sinais de que o tucano deve tentar seu terceiro mandato no legislativo estadual. Por outro lado, uma candidatura do atual secretário estadual de Saúde, Antônio Jorge (PPS), que, recorrentemente, é colocado como postulante a uma cadeira na ALMG, segue em banho-maria. Com ligações estreitas com o Governo de Minas, chefiado pelo PSDB, a definição de uma empreitada passa pelas definições da cúpula tucana.
A grande incógnita é o reitor da UFJF, Henrique Duque. Sem vinculação partidária, o reitor tem até outubro para se definir por uma legenda caso queira disputar o pleito do ano que vem. Recentemente, foi convidado pelo deputado federal Luiz Fernando Faria (PP), que tem domicílio eleitoral na vizinha Santos Dumont, para sair candidato à ALMG pelo PP. Além disso, Duque vem sendo cobiçado por diversas legendas e também é considerado nome forte para a disputa por uma cadeira da Câmara dos Deputados. Outro candidatável é o ex-secretário do Ministério do Esportes, Wadson Ribeiro (PCdoB), citado como possível postulante tanto ao Legislativo estadual quanto ao federal, empreitada que tentou em 2010, somando 54.494 votos.
Para Edson Fonseca, ligado ao PV e articulador que atua na política local há mais de duas décadas, Juiz de Fora pode eleger até quatro representantes na ALMG. Para ele, a lacuna deixada por nomes como Bruno Siqueira e Flávio Cheker (PT), considerados fora do páreo e que, juntos, somaram mais de 63 mil votos na cidade em 2010, deixa a disputa em aberto. "Neste cenário, vários destes nomes que estão sendo falados tem boas chances de se eleger." Fonseca, entretanto, defende que nenhum partido pode correr o risco de lançar dois nomes. "Seria um suicídio político."
Castelar e Betão também entendem que o consenso em torno de um nome potencializaria a chance de um resultado positivo. A opinião é defendida pelo presidente do diretório juiz-forano da legenda, Rogério Freitas. Em 2010, o PT concorreu com Cheker e Gabriel dos Santos Rocha, o Biel, e não conseguiu eleger ninguém. Juntos, os dois somaram 39.741 votos. Dos 11 parlamentares eleitos pela legenda naquele ano, a com menor votação foi Maria Tereza Lara, com 37.442 votos.









