Modelo de gestão é maior destaque

"Esse negócio de programa de governo muito bem ‘elaboradinho’ é coisa para colocar na estante no dia seguinte às eleições." Esta foi a explicação do candidato de última hora pelo PSB, o ex-prefeito de Juiz de Fora Tarcísio Delgado, para justificar o fato de o documento apresentado pelos socialistas ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) ter por base propostas defendidas pela coligação nacional, então encabeçada por Eduardo Campos, vítima de acidente aéreo no último dia 13. Enquanto para Tarcísio as diretrizes de um modelo maior seriam adaptadas às realidade mineira ao longo do mandato, seus principais adversários – Fernando Pimentel (PT) e Pimenta da Veiga (PSDB) – optaram pelo formato "elaboradinho". Mais do que propostas e projetos, petistas e tucanos colocam para a apreciação do eleitorado os recentes modelos de gestões de seus partidos à frente da União, no caso do PT, e do estado, no caso do PSDB.
Estado x União
"Enquanto o Brasil se transformou, aqui, em Minas Gerais, o Estado parou", afirma o programa de governo apresentado pela candidatura petista já em seu início, no tópico em que diz que Minas "estaria perdendo o bonde da história". No entendimento da campanha de Pimentel, o PSDB – que comanda o Executivo estadual desde 2003 – não soube se aproveitar de conquistas obtidas no cenário nacional pelas gestões do PT nos últimos 11 anos. Segundo o texto, o desenvolvimento econômico mineiro de 2003 para cá estaria aquém do observado no país. Ao mesmo tempo em que ataca a administração tucana à frente do estado a três mandatos – dois de Aécio Neves e um de Antonio Anastasia -, o programa de governo do ex-ministro exalta a maneira como o PT comanda o Governo federal há 11 anos, com as administrações de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.
A tônica é parecida no documento encaminhado por Pimenta da Veiga. Antes mesmo de apresentar proposições para uma nova gestão tucana, a partir do ano que vem, o candidato destaca a atuação dos três últimos governos estaduais. "A Administração liderada pelo PSDB foi positiva e altamente avaliada e reconhecida pela população mineira, o que foi confirmado tanto na reeleição de Aécio quanto na eleição de Anastasia", defende o programa de governo da situação. Apesar de estar claro que se trata de uma candidatura pela continuidade, há o reconhecimento de que o estado precisa avançar. Principalmente, com relação a aspectos econômicos.
Terceira via
Enquanto Pimentel e Pimenta fazem claras referências aos modelos de gestão de suas siglas, Tarcísio aposta na consolidação de seu nome como terceira via. Para isso, o juiz-forano se apoia no projeto nacional do PSB, em dobradinha com a Rede Sustentabilidade, de Marina Silva, agora, candidata à Presidência. "O novo Estado precisa abordar a reforma da política, da gestão das políticas públicas e do pacto federativo brasileiro, afim de aumentar a autonomia dos estados", afirma o programa socialista, que deixa evidente uma visão macro da situação das unidade federativas nacionais.
Só no campo das conjecturas
Na frieza do papel, os programas de governo dos três candidatos com maior intenção de voto nas pesquisas mais traçam diagnósticos do que apresentam, efetivamente, caráter propositivo. Assim, temas chaves como educação, saúde e segurança pública são tratados de forma subjetiva, ao menos nos documentos apresentados ao TRE. Indistintamente, as peças nada mais são do que um conjunto de diretrizes. Algo como um médico que identifica a doença, mas não prescreve o melhor remédio para tornar o paciente saudável. Sem grandes promessas, tudo fica no campo das conjecturas.
Para a saúde, Pimentel defende a plena implantação do SUS, com o Estado assumindo um papel de mediador e articulador de sistemas regionais de saúde. Com relação à segurança pública, o petista quer tornar transparente as informações sobre violência e implementar melhorias no aparato de segurança, com reforço do efetivo policial. Na área da educação, o ex-ministro defende a ampliação da educação infantil como "primeiro passo estruturante".
Pimenta da Veiga também é genérico em suas proposições. Na saúde, destaca a importância de ações de prevenção e da expansão das redes materno-infantil, de hipertensão e diabetes, de atenção ao idoso e de urgência e emergência. Para a segurança pública, o tucano sinaliza com investimento em inteligência, incremento na integração das atividades policiais e expansão das políticas de prevenção. O candidato defende ainda maior inclusão das crianças na pré-escola e um abrangente programa de educação profissional.
Com base no projeto nacional, o programa de Tarcísio sugere o aperfeiçoamento e fortalecimento do SUS e a adoção de políticas de prevenção e promoção da saúde e combate às drogas. Para a segurança pública, o socialista quer uma nova estrutura institucional e incentivos à cultura de paz e à valorização da vida. O programa do juiz-forano defende ainda o enfrentamento das desigualdades educacionais para uma educação de qualidade.
Nanicos hasteiam bandeiras ideológicas
"Para um partido revolucionário, as eleições não são um fim em si mesmo." A primeira frase do programa de governo da candidatura do PCO ao Palácio Tiradentes mostra o tom dos discursos das candidaturas consideradas menores. Mais do que traçar conjecturas e estabelecer propostas, os projetos apresentados por Cleide Donária (PCO), Fidélis Alcântara (PSOL) e Túlio Lopes (PCB) são panfletos partidários que reapresentam a ótica política de suas agremiações sobre Minas Gerais e o Estado brasileiro como um todo.
Os três projetos fazem duras críticas ao modelo capitalista e oferecem uma realidade em que os movimentos sociais estariam no centro das discussões. Nesse cenário, ao contrário das principais candidaturas, os chamados nanicos têm propostas efetivas, mesmo que voltada para o cenário nacional. Muitas delas, poderiam até ser consideradas impraticáveis – ou de difícil adoção – no atual modelo socioeconômico do país. Entre elas, o "salário mínimo vital" de R$ 3.500 e a jornada máxima de 35 horas, propostas defendidas pelo PCO, a imediata reversão das privatizações de setores estratégicos e a estatização de todo sistema financeiro, sugeridas pelo PCB.
Seguindo linha similar, entretanto mais voltada para a realidade mineira, a candidatura do PSOL também ataca práticas capitalistas e liberais. Entre outras, defende a reestatização total de empresas como a Açominas e a Cemig, a proibição de terceirização no Estado e a adoção de um salário mínimo estadual.
O programa de governo de Eduardo Ferreira (PSDC) não está disponível no sistema do TRE. Apesar de contatos feitos com o tribunal e com o diretório estadual do partido, a Tribuna não conseguiu ter acesso ao documento.










