Dilma defende país de classe média
Respondendo a perguntas sobre corrupção, saúde e economia, a presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, concedeu ontem a mais longa entrevista da série do Jornal Nacional (JN) da TV Globo até agora. A presidente estourou em trinta segundos o tempo de quinze minutos, respondendo, no Palácio do Planalto, a questões sobre os ministros de seu mandato envolvidos em suspeitas de corrupção, além de outros assuntos incômodos para a Administração do PT, como a prisão dos condenados no mensalão e o baixo crescimento da economia. A presidente garantiu que o Brasil continuará a ser um país de classe média, fazendo um novo salto a partir da melhora na educação. Dilma teve, ainda, de responder sobre a má avaliação popular quanto à saúde, serviço apontado pela população como o mais problemático no setor público.
No meu Governo, nenhum procurador foi chamado de ‘engavetador geral da República’, disse a presidente, argumentando que, apesar das denúncias de improbidade administrativa, o Governo do PT foi o que mais combateu a corrupção. A chefe de Estado disse que a gestão petista permitiu a autonomia da Polícia Federal, tendo, inclusive, criado a Controladoria Geral da União (CGU), encarregada de controlar os gastos públicos. Quanto aos escândalos de seu Governo, que resultaram em seis ministros depostos, Dilma lembrou que nem todas as denúncias resultaram em condenação, e disse, quando questionada sobre a substituição de quadros suspeitos por pessoas do mesmo grupo político, que não aceita imposições de partidos aliados. Partidos fazem exigências, mas só aceito pessoas íntegras e competentes.
Sobre a estagnação da economia, que este ano deve crescer menos de 1%, a presidente afirmou que sua gestão visa a impedir o desemprego e o arrocho salarial, de modo que a prioridade, nos últimos anos, foi enfrentar a recessão mundial evitando demissões no mercado de trabalho. Citou, para defender sua política econômica, a expansão da classe média. Queremos continuar a ser um país de classe média, prometeu a presidente.
Mensalão
A presidente se recusou a comentar as condenações de integrantes do PT no processo do mensalão. Segundo Dilma, como atual presidente da República, não é adequado questionar decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Sobre a saúde, a petista disse que o seu Governo se empenhou em melhorar a atenção básica, trazendo mais profissionais para o Brasil por meio do programa Mais médicos e proporcionando atendimento a 50 milhões de pessoas. Hoje o JN recebe o candidato Pastor Everaldo (PSC), que também teve sua entrevista adiada em razão da morte de Eduardo Campos. Aécio Neves (PSDB) foi entrevistado no dia 11. Assim que o PSB oficializar a escolha de Marina Silva, a TV Globo deve convidá-la para comparecer à bancada do Jornal Nacional. A data ainda não foi escolhida, mas deve ser na semana que vem.









