Candidatos tentam ‘herdar’ votos
A partir desta terça-feira começa uma nova etapa nas eleições de 2014 com o início da propaganda gratuita no rádio e na TV. Apesar de a campanha já ter começado nas ruas e na internet, este momento ainda é considerado a melhor oportunidade para legendas e coligações apresentarem seus candidatos à Presidência, governador, senador e deputado. Com o acirramento da disputa, a Tribuna intensifica a cobertura eleitoral, retoma a chancela Voto&Cidadania e abre espaço para três novas colunas semanais. Às terças-feiras, a "Gente que vota" irá mostrar quem são os eleitores que vão às urnas, o que eles pensam sobre os políticos e o que esperam das eleições. Às quartas, a "Política em foco" trará a análise de especialistas sobre política e diversos temas relacionados à esfera pública. E, às sextas, a "Palavra de candidato" irá mostrar o que os postulantes ao Governo de Minas pretendem fazer para resolver problemas de JF e região destacados por jornalistas da Tribuna. A "Caiu na rede", que mostra a atuação de concorrentes e da militância na internet continua às quintas.
Se, para os candidatos a cargos majoritários, o tempo de TV serve para maior exposição de ideias e propostas, permitindo que ele seja melhor conhecido pelo eleitor, para os concorrentes a vagas nos parlamentos, o tempo de exibição é mínimo. Mesmo assim, é a oportunidade que os 43 postulantes a cargos legislativos por Juiz de Fora têm para atingir ao maior número de eleitores possível. Além de falar para todo o estado, eles também poderão trabalhar um tipo de específico de eleitor: aquele que, em 2010, votou em um candidato que não retornará à disputa em outubro. Entre os 20 nomes mais votados na cidade há quatro anos – dez para a Assembleia Legislativa (ALMG) e dez para a Câmara dos Deputados -, quase metade não estará nas urnas em 2014, deixando mais de 140 mil votos "sem dono".
A corrida por uma cadeira ALMG é a mais disputada. Ao todo, 1.200 candidatos colocaram seu nome para a apreciação do eleitorado e miram uma das 77 cadeiras, em uma disputa que chega a quase 16 concorrentes por vaga. Em Juiz de Fora, 23 postulantes buscam a simpatia dos votantes. Em especial, a do eleitorado que, em 2010, ajudou a eleger três concorrentes com domicílio eleitoral na cidade: os deputados Lafayette Andrada (PSDB) e Leonardo Moreira (PSDB) e o atual prefeito Bruno Siqueira (PMDB). À época, o chefe do Executivo local foi o mais votado nas seis zonas eleitorais do município. Fora do páreo nas eleições de outubro, Bruno deixa disponível um universo de 43.429 votos. E este não é o único caso. Dos dez candidatos mais votados, seis não retornam para a disputa em 2014, recolocando mais de 117 mil votos "sem dono" na praça.
Além de Bruno, estão fora da disputa o vereador Rodrigo Mattos (PSDB), o secretário municipal de Desenvolvimento Social, Flávio Cheker (licenciado do PT), o ex-deputado estadual Gabriel dos Santos Rocha (Biel, PT), o ex-vereador Juraci Scheffer (PT) e o pastor Aloizio Penido, que disputou pelo PHS. Juntos, eles receberam 117.323 votos em Juiz de Fora (ver arte), quase 46% dos 255.637 votos válidos. O número de votos seria o suficiente para eleger pelo menos um deputado, já que, em 2010, apenas dois candidatos receberam apoio de mais de 117 mil eleitores: Dinis Pinheiro (PP), hoje candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Pimenta da Veiga (PSDB), que obteve 159.422 votos em todo o estado, e Marques Abreu (PTB), que tenta a reeleição, e registrou 153.225 votos há quatro anos.
Levando-se em consideração o parlamentar eleito com a menor votação em 2010, o deputado Fabiano Tolentino (PPS, com 31.182 votos), o número de votos "disponíveis" na praça local seria suficiente para levar até três nomes com domicílio eleitoral na cidade à ALMG. Isso em teoria, já que a votação individual de cada postulante depende do desempenho de todos os candidatos de seu partido ou de sua coligação, em um cenário onde o candidato mais votado – diferente do que acontece nas disputas majoritárias – pode acabar sem mandato.
O universo de eleitores de Juiz de Fora entre 2010 e 2014 saltou de 378.320 para 392.619. Ou seja, em teoria, pelo menos 14.299 pessoas não foram às urnas há quatro anos. Outros votos que podem estar por aí, sem dono, são de candidatos com domicílio eleitoral em outros municípios. Em todo o estado, dos cem postulantes mais lembrados no último pleito, 26 não voltam ao páreo em outubro. Juntos, os ausentes amealharam 1.542.161 votos.
Quociente eleitoral
Em 2010, o quociente eleitoral, que é a votação necessária para que um partido ou coligação garanta uma cadeira na ALMG, foi de 136.206 votos. O número é calculado levando-se em consideração o total de votos válidos registrados em todo o estado dividido pelo número de vagas disponíveis. Em termos percentuais, os votos válidos representaram 72,2% do eleitorado mineiro, à época com 14.522.090 eleitores. Se a mesma proporção se repetir em 2014, o quociente eleitoral para a eleição de um deputado estadual em Minas Gerais deve girar na casa dos 143 mil votos.
Campanha colada em aliados
Algumas tentativas de absorção de eleitorado são claras. Segundo mais lembrado na cidade em 2010 entre os candidatos a deputado estadual com 25.077 votos, o vereador Isauro Calais (PMN) tenta herdar a expressiva votação que o prefeito Bruno Siqueira (PMDB) obteve há quatro anos. Para isso, conta com o apoio do atual chefe do Executivo em mais uma empreitada de olho no Legislativo mineiro.
Apesar de Isauro falar como o nome de Bruno na disputa, outros postulantes tentar garantir um pedaço de bolo dos votos deixados pelo prefeito. A regra vale para outros três "vereadores-candidatos" que integram a base governista: Noraldino Júnior (PSC), Vagner de Oliveira (PR) e Luiz Otávio Coelho (Pardal, PTC), líder do Governo na Câmara.
Por outro lado, a bancada de oposição ao Governo Bruno na Câmara, formada pelos vereadores Roberto Cupolillo (Betão, PT) e Wanderson Castelar (PT), também marca presença na corrida pela ALMG. Além de buscar a manutenção da confiança das áreas onde atuam, os petistas irão em busca dos quase 33 mil votos obtidos pelos candidatos do partido com domicílio eleitoral na cidade – Flávio Cheker e Biel – em 2010. Como a identificação de Juraci Scheffer com o PT é mais recente, a transferência dos quase dez mil votos obtidos em 2010 para candidatos da legendas fica um pouco mais difícil de ser trabalhada.
Pela questão partidária é natural imaginar que a votação obtida por Rodrigo Mattos (PSDB) em 2010 – 22.526 – possa ser diluída entre os três candidatos tucanos com domicílio eleitoral na cidade: os deputados estaduais Lafayette Andrada e Leonardo Moreira, que correm pela reeleição, e o representante comercial Laurindo Rodrigues. Entretanto, por ter ocupado a Secretaria de Estado de Saúde durante a gestão do PSDB à frente do Governo de Minas, os votos de Rodrigo também devem ser trabalhados por Antônio Jorge (PPS).
Cenário diferente na Câmara
Se seis dos candidatos a deputado estadual mais lembrados em Juiz de Fora em 2010 estão fora da disputa quatro anos depois, o cenário na corrida pela Câmara dos Deputados é distinto. Dos dez mais votados na cidade no último pleito, sete voltam à disputa (ver arte). Entre eles, os quatro que encabeçam a lista têm domicílio eleitoral no município: os deputados federais Margarida Salomão (PT), Júlio Delgado (PSB) e Marcus Pestana (PSDB), que tentam a reeleição, e Wadson Ribeiro (PCdoB). No total, há 20 postulantes para a Câmara por Juiz de Fora este ano.
Outros três nomes da relação que não estarão nas urnas – o ex-deputado federal Paulo Delgado (PT), o empresário Omar Peres, que correu pelo PSL, e o vereador Noraldino Júnior (PSC), que este ano disputa a ALMG – deixam quase 23 mil votos disponíveis, número que seria insuficiente para eleger um candidato ao Congresso há quatro anos. Em todo o estado, dos cem concorrentes mais votados, 40 não retornam à disputa em 2014, o que representa 2,8 milhões de votos. A disputa para as 53 cadeiras a que Minas Gerais tem direito na Câmara dos Deputados tem hoje 697 postulantes, o que corresponde a mais de 13 candidatos por vaga.
O quociente eleitoral na disputa por Minas na Câmara dos Deputados em 2010 ficou em 196.478 votos, levando-se em conta os votos válidos que representaram 71,7% do eleitorado mineiro. Mantida a proporção, o quociente eleitoral em 2014 para a corrida pelo parlamento federal no estado poderia superar a casa dos 206 mil votos.
Única candidata do PT ao Congresso por Juiz de Fora, a deputada federal Margarida Salomão (PT) busca a reeleição e deve trabalhar para buscar os quase dez mil votos obtidos por Paulo Delgado (PT) nas eleições passadas. Por questões partidárias, Vanderlei Tomaz (PSC), que tenta uma vaga no parlamento federal, aparece como um dos principais postulantes na tentativa de herdar os 7.329 votos obtidos por Noraldino, em 2010.









