Eleições internas colocam petistas em lados opostos
Há mais de dez anos à frente do Governo federal, o Partido dos Trabalhadores (PT) decidirá seu futuro nesse domingo (10), quando cerca de 806 mil filiados vão às urnas em todo o país. O processo de eleição direta (PED) irá definir os nomes que vão comandar os diretórios nacional, estadual e municipal pelos próximos quatro anos e serão os responsáveis por conduzir as articulações petistas nas eleições de 2014 e 2016. Com várias correntes internas, o pleito oferecerá um grande leque de possibilidades, com vários nomes colocados para a apreciação da militância. Apoiando-se no discurso democrático, os três detentores de mandato pelo PT em Juiz de Fora se posicionam em campos diferentes. Assim, a deputada federal Margarida Salomão e os vereadores Roberto Cupolillo (Betão) e Wanderson Castelar fazem campanha para nomes distintos nas três esferas. Betão, inclusive, é um dos nomes que disputam a presidência nacional da legenda.
No diretório municipal, três nomes disputam a presidência, cada um têm garantido apoio de um dos detentores de mandato. A "Mensagem ao Partido", corrente de Margarida, lançou o nome do jornalista Giliard Tenório, 30 anos. A chapa tem o apoio do atual presidente da legenda em Juiz de Fora, Rogério Freitas, fora da disputa após dois mandatos. "Temos a responsabilidade de ser atualmente o único partido de oposição na cidade. Isto é fruto de uma belíssima construção partidária, alicerçada na unidade e no diálogo interno. Devemos seguir neste caminho, mas também avançar", afirma Giliard.
Dois nomes surgem como alternativa a atual direção do partido na cidade. Cada um deles encontra respaldo em um dos vereadores petistas. Esposa do ex-secretário de Ações Afirmativas do Governo Federal, Martvs das Chagas, a psicóloga Márcia Catarina, 46, conta com o apoio de Castelar, ligado à corrente "Articulação". "Queremos selar aliança com a nossa militância. Costumo dizer que estou em uma ‘discussão de relacionamento’ muito profunda com a nossa base. Desde que aceitei o desafio de lançar meu nome, assumi este compromisso."
Professor e sindicalista, Oleg Abramov, 33, é o candidato de Betão, também ligado à causa sindical. "Queremos um PT que vá além do calendário eleitoral e organize sua militância no município. Temos que traçar nossos objetivos, aumentar nossa representatividade nos parlamentos, e, acima de tudo, construir uma estratégia para chegar à Prefeitura em 2016." O discurso dos candidatos da corrente "O Trabalho" aos diretórios estadual e municipal está alinhado, apesar de possuírem ambições distintas nas urnas. Betão considera a eleição em Juiz de Fora em aberto e aposta no bom desempenho de Oleg nas urnas. Por outro lado, o vereador explica que sua candidatura à presidência do PT-MG é conceitual.
Betão entra na disputa para propor discussão
"Sou candidato para aprofundar as discussões sobre os rumos do partido. Principalmente na esfera política, em que somos contrários às alianças com partidos que historicamente estiveram ao lado doa burguesia. Queremos avançar nas discussões sobre a necessidade de se convocar uma nova constituinte para rever algumas práticas institucionais retrógradas, o que também englobaria a questão da reforma política, que chegou a ser proposta pela presidente Dilma Roussef, mas acabou derrubada pelo Congresso e pelo Judiciário", afirma o vereador. Além de Betão, a disputa pelo diretório estadual terá outros três nomes: os deputados federais Rogério Correia e Odair Cunha – este último apoiado por Margarida – além da secretária de Finanças do PT-MG, Gleide Andrade, que tem o apoio de Castelar.
No cenário nacional, o número de opções é ainda maior. Disputam a presidência do PT Valter Pomar, Markus Sokol, Rui Falcão, Renato Simões e Paulo Teixeira. Mais uma vez os três juiz-foranos detentores de mandato pela legenda estão divididos. Margarida corre com Paulo Teixeira. Castelar, com o atual presidente do partido, Rui Falcão. Betão apoia Sokol. Em Minas Gerais, quase 160 mil filiados estão aptos a votar no PED. Em Juiz de Fora, mais de dois mil eleitores podem participar do pleito. A votação na cidade ocorre nesse domingo, na Câmara Municipal, entre 9h e 17h.
Processo eleitoral de 2014 é pano de fundo
O nome escolhido pelas urnas para comandar o diretório municipal pelos próximos quatro anos terá a missão de articular alianças e traçar objetivos da legenda nas eleições do ano que vem e no pleito municipal de 2016. Apesar de discursos distintos, candidatos e detentores de mandatos são unânimes em ressaltar a importância de reforçar a representatividade do PT de Juiz de Fora nos legislativos estadual e federal. Para isso, o partido não deve medir esforços para reeleger a deputada federal Margarida Salomão e conseguir uma cadeira na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
Os planos para cumprir a meta, entretanto, só devem ser traçados no ano que vem. Os três candidatos à presidência da sigla em Juiz de Fora afirmam que a composição das chapas e a decisão do número de candidatos juiz-foranos ao Congresso e à ALMG depende das costuras e da política de alianças que será adotada pela direção estadual do partido. Dentro da sigla, há correntes que defendem que, para atingir o objetivo, o PT deve lançar apenas um nome juiz-forano para a cadeira de deputado estadual e outro para deputado federal.
Os defensores da tese lembram as eleições de 2010, quando o partido concorreu com Flávio Cheker e Gabriel dos Santos Rocha, o Biel, e nenhum dos dois obteve sucesso nas urnas. Juntos, somaram 39.741 votos, número superior à votação Maria Tereza Lara, que, com 37.442 votos, foi uma das deputadas estaduais eleitas pelo partido. Situação similar ocorreu na disputa por uma cadeira na Câmara do Deputados, quando Margarida e Paulo Delgado somaram mais de 120 mil votos, marca suficiente para garantir uma vaga. Com quase 80 mil votos, a petista ficou como suplente.
"É uma questão de estratégia. Claro que é algo discutido com o diretório estadual, mas o posicionamento municipal também é muito importante. Em 2010, conseguimos a proeza de ser o partido mais votado, porém, não conseguimos eleger nenhum deputado. Temos que observar isso como um divisor de águas. Do PED, temos que tirar uma sinalização do que queremos no ano que vem", defende o vereador Wanderson Castelar, favorável à tese de que o PT local lance apenas um nome para disputar vaga na ALMG e outro na Câmara. Assim como o também vereador Roberto Cupolillo (Betão), Castelar é um dos pré-candidatos a deputado estadual pelo PT em 2014.
Unidade
Apesar das várias vertentes que marcam as eleições internas do PT em Juiz de Fora, os protagonistas estão em sintonia com relação ao objetivo de que o partido tenha candidatura própria ao Governo de Minas Gerais no ano que vem, responsabilidade que deve ser assumida pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel. "Creio que estamos caminhando progressivamente para a unidade que precisamos para reeleger Dilma e eleger Pimentel. Estamos fazendo os debates necessários para que o partido renove seu caráter militante e o pacto com os movimentos sociais, assim como se qualifique como líder da coalizão que hoje sustenta o Governo federal’, afirma Margarida.









