‘Quero um mandato de participação popular efetiva’

Entrevista/Noraldino Júnior, vereador e deputado estadual eleito
Aos 38 anos, Noraldino Júnior (PSC) se elegeu deputado estadual com a mais bem votado na cidade nesta eleição. Ao todo, o vereador recebeu 38.471 votos em Juiz de Fora para garantir seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa. Após subir um degrau importante na vida pública, Noraldino pretende adotar em Belo Horizonte uma política que privilegia a participação popular e afirma que as ações de fiscalização – principalmente, na área da saúde – e voltadas para a proteção dos animais serão suas principais bandeiras. O deputado eleito falou à Tribuna sobre seus objetivos para os próximos anos, incluindo a antecipação de sua saída da Câmara e sobre as possibilidades de participar como protagonista das eleições municipais de 2016.
Tribuna – O senhor foi candidato a deputado estadual mais votado em Juiz de Fora nas últimas eleições. Como isso vai influenciar seu primeiro mandato na Assembleia?
Noraldino Júnior – Tenho dois desafios. Quero que nosso mandato seja um mandato de participação popular efetiva. Quero transferir o exemplo que tive como vereador para minha atuação como deputado. Nosso modelo de política tradicional é de tentar adaptar as necessidades da população ao mandato. Nosso desafio é fazer o inverso. Adaptar o nosso mandato à real necessidade da população. Minha eleição basicamente foi em Juiz de Fora e na Zona da Mata, então, proporcionalmente, quero que o minha atuação seja uma atuação efetiva para a cidade, para a região e para as causas que acredito.
– O objetivo, então, é atuar como um interlocutor entre a cidade e os poderes Executivo e Legislativo do estado?
– Quero ser também um deputado que vai trabalhar para que recursos e benefícios cheguem. Hoje temos um número maior de parlamentares representando a Zona da Mata. Então, temos maiores condições de atrair investimentos. Por exemplo, no programa “Minas comunica II”, Juiz de Fora foi contemplada com antenas telefônicas em três distritos. Temos municípios de outras regiões que tiveram mais áreas contempladas. Queremos uma isonomia nos benefícios. A Zona da Mata está muito aquém quando se trata da distribuição de programas. Quero ser um defensor do desenvolvimento econômico da cidade e da região, que afeta várias áreas como saúde e educação. Nenhum deputado sozinho vai conseguir fazer isso. Precisamos unir forças.
– O senhor planeja conversas com os demais parlamentares eleitos para tratar disso?
– Com certeza. Inclusive, estou preparando um documento que será encaminhado para todos os deputados eleitos da cidade, tanto federal quanto estadual. A proposta é de que nós possamos nos unir em defesa dos interesses de Juiz de Fora e da Zona da Mata.
– A antecipação de sua saída da Câmara já foi anunciada. Quando isso deve acontecer?
– Deve acontecer na primeira quinzena de dezembro. Para isso, preciso finalizar alguns trabalhos em andamento. Entre eles, as ações com relação à proteção aos animais, como a questão das carroças, da criação da delegacia de proteção animal, da reforma do canil municipal e da reformulação do programa de castração animal. Ainda é preciso várias outras ações, que posso trabalhar como deputado. Mas essas já foram iniciadas e pretendo acompanhá-las até sua conclusão. A outra questão diz respeito à falta de medicamentos. Quero concluir um relatório junto com a Comissão de Saúde que será encaminhado para a Prefeitura, que terá em mãos um instrumento para tomar as medidas necessárias. A empresa responsável pela distribuição dos medicamentos não cumpre o contrato e está deixando os usuários em situação de vulnerabilidade. A empresa declara que não tem informação sobre as unidades onde faltam medicamentos. Ela foi contratada para ter um sistema inteligente que não possibilitaria este tipo de confusão. Hoje não há sistema nenhum implantado e segue recebendo recursos da Prefeitura. Esse relatório final será entregue a Prefeitura e ao Ministério Público.
– Como deputado, o senhor pretende acompanhar o andamento desses assuntos?
– Além de ser deputado, continuo sendo o presidente do partido na cidade. Temos outros 19 vereadores. O que não for da competência de um deputado, quero passar para a Câmara. Este não é um trabalho contra a Prefeitura ou contra A ou B. É um trabalho para a população. A fiscalização pode ser, à primeira vista, analisada como de oposição. Mas, não é. Até ajuda a Prefeitura, pois passa uma visão diferente daqueles que estão na Administração para que as falhas possam ser corrigidas.
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– Voltando a falar de sua saída da Câmara, existe o objetivo de facilitar a reintegração de seu suplente, o ex-vereador José Emanuel, ao ambiente da atual legislatura?
– A posse em Belo Horizonte acontece em 1º de fevereiro. As eleições da Mesa Diretora e as definições das comissões são definidas antes deste período. Se eu pensasse somente em mim, deixaria para me licenciar no prazo regimental. Mas, pensando no partido e na população, é muito mais proveitoso que eu saia antes para me capacitar e iniciar o mandato na Assembleia produzindo. Para que o José Emanuel assuma o mandato mais cedo temos alguns acordos. O primeiro é que ele respeite as emendas parlamentares sugeridas pelo meu mandato e continue trabalhando com meu quadro de assessores, para que meu trabalho tenha sequência até que eu assuma na capital. A partir disso, ele terá liberdade para adequar o mandato a seu trabalho.
– Ainda não houve uma determinação de seu partido sobre o posicionamento com relação ao futuro Governo de Minas, que será governado pelo governador eleito Fernando Pimentel (PT). Qual seria seu posicionamento pessoal sobre o assunto?
– Eu tenho muita dificuldade em definir o que é situação ou oposição. Se você fala que é um ou outro, gera uma mensagem de que será a favor de tudo – sendo situação – ou contra tudo – sendo oposição. Eu me pergunto: oposição ou situação a quê? Como vou me posicionar sobre um Governo que nem demonstrou qual será seu modelo de gestão? A tendência é de que sejamos da base. A gente acredita no Governo e torce para que dê certo. Mas, independente de posicionamento, vou ser base em tudo aquilo que achar que for bom para o estado, para Juiz de Fora e para a e região. Entretanto, quero manter minha forma de trabalho. Ser base ou oposição dependerá da matéria em discussão.
– Como deputado estadual mais votado em Juiz de Fora nesta eleição, seu nome é apontado como um potencial candidato à Prefeitura em 2016. Aliás, uma tendência histórica na cidade aponta que os parlamentares majoritários voltam para a disputa dois anos depois. O senhor já está trabalhando neste sentido?
– As especulações são naturais neste momento. Mas até hoje não discuti nada sobre 2016. É uma tendência, mas não é necessariamente uma posição a ser tomada. Isso será conversado mais para frente. São várias possibilidades. Qualquer análise feita agora será precipitada.









