Meio-Campista de Santos Dumont vai para o futebol espanhol
Ex-Uberabinha, Erick Caetano, de 20 anos, atua pelo Safor FC, da segunda divisão da região de Valência
A rotina agora é outra. Os treinos acontecem de terça a sexta-feira, os jogos são aos domingos e a segunda fica reservada para descanso. Longe de Minas Gerais, vivendo na Espanha e defendendo o Safor FC, da segunda divisão da região de Valência, Erick Caetano, de 20 anos, experimenta uma fase que por muito tempo parecia distante. Para o meia e ponta, atuar no futebol europeu é realização de um projeto construído desde a infância, entre viagens, treinos fora de casa e a insistência de quem precisou buscar oportunidades longe da própria cidade.
“A experiência está sendo única. Viver na Europa e fazer o que eu mais gosto, que é jogar bola, não tem preço. Estou muito feliz e realizado”, conta o jogador. “É muito diferente viver em um país de primeiro mundo também, onde as coisas realmente funcionam. Você anda na rua com segurança, não vê lixo na rua, as ruas não têm buracos, as ruas aqui são bonitas”, elenca.
Nascido em Juiz de Fora, Erick sempre viveu em Santos Dumont, onde começou a dar os primeiros passos no futebol. Foi nas escolinhas da cidade que surgiu a base da formação, embora o caminho logo tenha exigido deslocamentos constantes. Sem equipes locais inseridas em competições de maior alcance, ele precisou procurar espaço em Juiz de Fora para continuar evoluindo.
A mudança de rotina abriu as portas para uma sequência de torneios importantes no cenário regional. Em Juiz de Fora, Erick passou por campeonatos como Bahamas, Copa Zico, Liga, Camisa 12 e Copa Alterosa. No percurso, vestiu as camisas de UFJF/Tupynambás, Villareal e Uberabinha, reunindo títulos e participações marcantes. Entre as conquistas, estão um Campeonato Mineiro, uma Liga e duas Copas Zico, além da artilharia em uma das edições do torneio.

Campeão Mineiro pelo Uberabinha
A passagem pelo Uberabinha, em especial, ocupa lugar de peso na memória do atleta. O título mineiro veio em um ano atravessado por dificuldades para o clube e também por incertezas na carreira do jogador. Naquele período, Erick tinha um acordo encaminhado para atuar no futebol universitário dos Estados Unidos, mas o plano foi interrompido depois de duas negativas no visto. Mesmo assim, o retorno ao time nas fases finais do Estadual acabou rendendo uma conquista que ele trata como inesquecível. “Foi uma experiência única para mim ter sido campeão mineiro com o Uberabinha, clube da região que eu nasci e sempre joguei”, afirma.
No clube mineiro, antes da viagem, Erick encontrou um ambiente que considera determinante para seu amadurecimento. A convivência diária, segundo ele, combinava competitividade e leveza, com treinos fortes e relações que ultrapassaram o campo. “O dia a dia do Uberabinha era um ambiente de trabalho muito competitivo, os treinos eram muito bons, e também um ambiente leve. Levo amigos para a vida toda, e foi uma experiência que com certeza me ajudou muito a evoluir tanto dentro de campo como fora”.
A chance de atuar na Europa surgiu por meio da empresa que cuida de sua carreira, a W2G Sports, responsável pelos contatos feitos tanto para os Estados Unidos quanto para o futebol europeu. Com a impossibilidade de embarcar para o projeto americano, a ida para o Safor FC se tornou a alternativa mais viável para manter a sequência da carreira.

Futebol espanhol
Hoje, no futebol espanhol, o desafio passa por uma adaptação que envolve estilo de jogo, cultura e rotina. O Safor FC disputa a segunda divisão valenciana, torneio da região de Valência, e Erick observa diferenças claras em relação ao futebol praticado no Brasil.
“As principais diferenças, além das culturais, trazendo para o esporte, são no estilo de jogo deles, um jogo bem mais truncado, físico, do que no Brasil”, aponta. Ainda assim, é nesse contexto que ele encontra a dimensão do momento que está vivendo. “O que eu mais gosto é poder vivenciar o futebol europeu e desfrutar desse momento único. Cada momento aqui é gratificante para mim, pois é meu sonho de infância, e da maioria das crianças pelo mundo afora”, complementa.
Com contrato de três meses, até o fim da temporada, em maio, o meia prefere concentrar as energias no presente. A intenção é fechar bem esse período, contribuir com a equipe e ampliar horizontes a partir da experiência no exterior. “Planejo poder terminar essa temporada jogando bem, ajudando a equipe nos jogos que ainda temos pela frente”, projeta. “Meu contrato aqui é curto, mas só Deus sabe o que Ele está guardando para mim. Tenho certeza que, estando aqui e indo bem, várias portas se abrirão na minha vida”.
Ao falar sobre a dimensão dessa conquista, Erick leva o pensamento primeiro para a fé e para quem esteve ao lado dele ao longo de todo o processo. A distância pesa, mas aparece em sua fala como parte do preço cobrado por um objetivo maior.
“Dedico primeiramente sempre a Deus, e é claro que à minha família. Meus pais sonharam junto comigo e fizeram de tudo para que eu pudesse vir para cá realizar meu sonho, minha irmã, meus avós, toda minha família, e minha namorada, que sempre apoiou minha decisão e sonhou ao meu lado”, afirma. “Essa vida longe deles é complicada, mas é o sacrifício por algo maior, e eles sabem disso”.
Agora, já atuando no futebol europeu, ele enxerga na própria caminhada um exemplo possível para outros jovens que seguem sonhando com a bola nos pés.
“Vindo hoje jogar na Europa, creio que posso ajudar a mostrar a outros meninos que também sonham em jogar futebol que, com trabalho duro, podemos chegar nos lugares que sempre sonhamos, e que sonhar alto custa o mesmo que sonhar baixo. Então, por que não sonhar alto?”, finaliza.
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