Flávio Bitarello, diretor do Sinpro-JF, morre aos 73 anos em Juiz de Fora
Sindicalista também participou da construção do Partido dos Trabalhadores e foi presidente do diretório municipal
O diretor do Sindicato dos Professores de Juiz de Fora (Sinpro-JF), Flávio Bitarello, faleceu na manhã desta terça-feira (24) aos 73 anos. Ele era professor, sindicalista, e uma referência do movimento da categoria. Bitarello deixa a esposa Beth e as filhas Maria e Bárbara. Torcia para o Flamengo e para a Portela.
Nascido em Juiz de Fora em 1953, mudou-se para o Rio de Janeiro no início dos anos 1970. Foi lá que começou a se interessar mais por política, ainda no governo Médici, por volta de 1974. Saiu do Rio e explorou Bolívia, Peru, Chile – onde tomou “um choque” com a ditadura de Pinochet – e Argentina – às vésperas do golpe militar de 1976, onde também sentiu um “clima de terror”. Quando voltou ao Brasil, decidiu ingressar no curso de Ciências Sociais da UFJF em 1977, quando iniciou sua vida na política estudantil. As informações foram dadas em entrevista ao projeto de mestrado da doutora em História Social, Gislene Edwiges de Lacerda.
Segundo o Sinpro, foi delegado do congresso de reconstrução da UNE, em Salvador, em 1979, e militante da tendência estudantil Liberdade e Luta (Libelu). Em 1980, foi processado, julgado e absolvido com base na Lei de Segurança Nacional, tendo também atuado como membro do Comitê pela Anistia em Juiz de Fora. Participou da construção do Partido dos Trabalhadores nos anos 1980, sendo presidente do Diretório Municipal na década de 1990.
O sindicato também informou que Bitarello teve papel fundamental na construção da frente única que levou milhares de trabalhadores de Juiz de Fora às ruas na greve geral de 2017, contra a reforma da Previdência. Também participou diretamente da Convenção Coletiva de Trabalho da Rede Particular e o Quadro de Carreira do Magistério Municipal.
“Por muitos anos, esteve à frente da coordenação do Sinpro-JF , contribuindo de forma decisiva para a organização e o fortalecimento da nossa categoria e do nosso sindicato. Sua trajetória marcou gerações de militantes. Sua voz firme ecoou em assembleias, nas ruas e em todos os espaços de mobilização, sempre em defesa da educação e dos direitos dos trabalhadores”, declarou o Sinpro.
Ele esteve presente na construção da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (CONTEE), integrando sua executiva nacional entre 2001 e 2009. A CONTEE afirmou que sua contribuição jamais será esquecida. “Sua trajetória foi marcada pela coerência e pela disposição de estar sempre nas ruas, nas assembleias e nas frentes de defesa da democracia, como vimos em manifestações históricas em Juiz de Fora e em âmbito nacional.”
O deputado estadual Betão (PT) classificou Flávio Bitarello como “um homem à frente do nosso tempo”. “Sujeito extremamente hábil com a palavra, leitor ávido por conhecimento, dono de um pensamento articulado e potente. Um mestre! Eu preciso que todas e todos saibam o quanto você fez e faz a diferença, quantas conquistas as trabalhadoras e trabalhadores da educação tiveram por sua causa, quantas vidas você transformou em sala de aula, quanto das conquistas políticas têm sua interferência.”
A vereadora Cida Oliveira (PT) relembrou momentos queridos: “Anos à frente da direção do sindicato, resistindo juntos contra a ditadura, viajamos, acampamos, bebemos cervejas, ouvimos rock, dançamos um samba. Quantas memórias.”
O Diretor-geral da Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa), Rogério Freitas, destacou “uma vida dedicada ao magistério, ao PT e ao Sindicato dos Professores”.
O velório acontece no Parque da Saudade, Capela I, desde às 11h desta terça-feira. O enterro será realizado na quarta-feira (25), às 16h30.
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