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Caminhoneiros ameaçam greve em MG e em outros quatro estados

Interrupção do transporte de combustíveis pode ocorrer a qualquer momento. Mobilização nacional está prevista para domingo


Por Gracielle Nocelli

21/07/2021 às 17h14- Atualizada 21/07/2021 às 22h58

Os consecutivos reajustes do preço do diesel, a carga tributária e a insatisfação com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) podem levar os caminhoneiros a paralisarem as atividades. Parte da categoria, que trabalha com o transporte de cargas perigosas, já está em estado de greve há uma semana e afirma que o movimento pode ser deflagrado a qualquer momento nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo e Goiás.

Na noite de terça-feira (20), o Sindicato das Empresas Transportadoras de Combustíveis e Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (Sindtanque-MG) emitiu nota à imprensa rebatendo a declaração de Bolsonaro de que o setor de transporte de combustível seria “um monopólio muito rendoso”, dita durante live realizada no dia 8 de julho.

No texto, o presidente do Sindtanque-MG, Irani Gomes, refuta a afirmação. “Não existe monopólio no nosso setor. São muitas as transportadoras de combustíveis e quem escolhe as empresas são as próprias distribuidoras.” Ele destacou que os postos podem optar por ter os próprios caminhões para fazer o serviço.

Irani afirmou, ainda, que está disposto a se reunir com Bolsonaro e outros representantes da categoria para apresentar as planilhas de custo do transporte. “Queremos esclarecer ao presidente e à sociedade que não somos os responsáveis pelos altos preços dos combustíveis”, assegurou, em nota. “Assim como a população sofre com os altos custos da gasolina e do gás de cozinha, os transportadores há anos vêm sendo penalizados com a defasagem do frete e os altos custos do diesel e dos insumos. Estamos pagando para trabalhar.”.

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De acordo com o Sindtanque-MG, os impostos e as taxas cobradas pelos governos federal e estadual têm pressionado os valores dos combustíveis. “Ou seja, quem está levando a melhor nessa balança não são os transportadores, mas os governos”.

Diante da insatisfação com a postura de Bolsonaro, o Sindtanque-MG reforçou que segue em estado de greve e que, a qualquer momento, os trabalhadores podem interromper as atividades.

Insatisfação abrange toda a categoria

Já nesta quarta-feira (21), entidades que representam os transportadores de outros tipos de carga informaram a pretensão de paralisar as atividades no próximo domingo (25), Dia do Motorista. A mobilização já tem o apoio de algumas entidades, mas seguirá sendo discutida pela categoria nos próximos dias.

O Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC) confirmou o apoio. Segundo a entidade, só este ano foram formalizados 387 ofícios ao Governo federal com as reivindicações dos caminhoneiros, como o fim da política de Preço de Paridade de Importação (PPI) da Petrobras para combustíveis, a maior fiscalização nas estradas para cumprimento do piso mínimo de frete e a aposentadoria especial para os motoristas. “Até o presente momento, o governo e as pastas cabíveis não chamaram para conversar”, afirmou o presidente do CNTRC, Plínio Dias.

A Associação Nacional de Transporte do Brasil (ANTB) informou que apoia a categoria na decisão que for tomada. “O que a maioria decidir estaremos junto e apoiando”, declarou o representante José Roberto Stringasci. Já a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) comunicou que irá se reunir na quinta-feira (22) para discutir sobre a paralisação.

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