Teatro é permanência

A última semana da 22ª Campanha de Popularização Teatro e Dança de Juiz de Fora mostra, mais uma vez, a amplitude do que cabe na cena local


Por Pedro Moysés

27/08/2025 às 06h00- Atualizada 27/08/2025 às 15h42

O teatro vive do instante, mas também da permanência. A cada espetáculo, quando a cena se desfaz, o gesto, a palavra e a lembrança seguem com quem assistiu. Assim também acontece com a 22ª Campanha de Popularização do Teatro e da Dança de Juiz de Fora: ela chega, movimenta a cidade com encontros e descobertas, e agora, em sua última semana, se despede deixando rastros. Foram dias em que o público pôde reencontrar, novamente, a pluralidade do palco, ou melhor, dos palcos juiz-foranos. Com montagens de espetáculos infantis e adultos, em estreias e reapresentações, em narrativas íntimas e coletivas. O que permanece não é apenas uma temporada de espetáculos, mas a certeza de que o teatro segue vivo, porque é feito de artistas e de plateias.

Neste agosto em que também se celebrou o Dia Nacional do Artista de Teatro, vale lembrar que a arte cênica não existe apenas no encontro proporcionado entre público e ator. Existe, sobretudo, no trabalho cotidiano daqueles que a constroem, dramaturgos, atores, técnicos, diretores, produtores. O palco só acontece porque há gente que insiste em erguê-lo, mesmo diante das dificuldades. E esses, o erguem o ano todo.

Agora, quando as luzes da campanha começam a se apagar, fica o convite para que o público aproveite seus últimos dias. Porque se o teatro é efêmero, sua experiência é permanente. E cada sessão pode ser, para alguém, o começo de uma vida inteira de memórias. Importante relembrar que o teatro em Juiz de Fora continua, sempre a todo vapor. Novas montagens, grupos e espetáculos nascem em todo instante, basta procurar.

22ª CPTD

Dentre os 40 espetáculos previstos em 60 apresentações, seis oficinas e 13 cenas curtas, a maior parte já foi realizada. Até aqui, 49 apresentações ocuparam os 12 espaços disponibilizados pela campanha, além das 13 cenas curtas apresentadas no festival. 

A última semana mostra, mais uma vez, a amplitude do que cabe na cena local. Do drama existencial ao riso popular, da fé à fantasia, do universo infantil à crítica social, os palcos da cidade são espelhos de nós mesmos. São histórias que se movem entre o sagrado e o profano, entre a imaginação e a memória, entre aquilo que nos assusta e o que nos faz rir. 

Dez espetáculos marcam essa despedida da campanha, cada qual com sua forma de tocar o espectador. Entre danças, comédias, dramas e rituais, a programação reafirma o vigor da produção local e a capacidade do teatro de se reinventar a cada encontro com a plateia.

Em Cartaz:

Luz ancestral: Bença vive um conflito profundo com sua mãe e, para enfrentá-lo, precisa encarar o seu monstro familiar: o Orgulho. Conduzida a um espaço imaginário, ela encontra outras pessoas em batalha com seus próprios fantasmas, revelando um percurso coletivo de enfrentamento e transformação. Sábado (30) e domingo (31), às 16h, no Teatro da Praça CEU.

Dancing Disney: espetáculo de dança que revisita contos clássicos popularizados pela Disney. Sábado, às 16h, no Teatro Paschoal Carlos Magno.

Novas mágicas e velhas tonteiras: Reunindo o melhor do repertório do palhaço Rosquinha e inovando com mágicas de tirar o fôlego, promete levar magia, encanto e riso. Domingo, às 16h, no Teatro Paschoal Carlos Magno.

Vem para mim: Geraldo e Maria deixam o interior e tentam recomeçar a vida na cidade grande. O casal se instala em uma casa antiga, marcada por rumores de assombração. Depois de morta, Maria passa a assombrar Geraldo em uma tragicomédia sobre amor, perda e convivência. Sexta (29), às 20h, no Teatro Paschoal Carlos Magno.

Um barraco terapêutico: Um empresário arruinado tenta reconquistar a esposa em uma sessão de terapia nada convencional. Conduzido por uma falsa terapeuta, debochada e sem filtros, o encontro se transforma em um confronto explosivo, expondo dores e segredos sob o disfarce da comédia. Quinta (28), às 20h, no Teatro Paschoal Carlos Magno.

Amélia é que era mulher de verdade: entre panelas, cobranças e sonhos adiados, Amélia conta seu desabafo doméstico para Dona Gorete, que nunca aparece, mas sempre julga. Sexta, às 20h, no Teatro Solar.

Entre 4 paredes: Com texto de Jean-Paul Sartre. Após a morte, três pessoas são condenadas a viver juntas por toda a eternidade em um espaço fechado. Longe da imagem tradicional do inferno, elas descobrem o verdadeiro tormento: a convivência e a impossibilidade de se ocultar diante do olhar do outro. Sábado, às 20h, no Teatro Paschoal Carlos Magno.

Seu Zé: Peça ritual inspirada em Zé Pelintra, figura marcante da Umbanda. A trama acompanha a jornada de um homem guiado por um preto velho e por Zé, que o ensinam a encarar a vida com alegria e responsabilidade. Criada a partir de uma vivência mediúnica no Terreiro Cabana Oxóssi das Matas. Nessa apresentação, em palco italiano. Domingo, às 19h, no Teatro Paschoal Carlos Magno.

Na estrada: Um homem percorre uma jornada espiritual e, no caminho, encontra uma Pombogira enigmática. A figura o confronta com segredos e verdades, desafiando-o a atravessar o medo para encontrar coragem. Escrito por Lype Ribeiro e dirigido por Gabriel Bittencourt, une realidade e espiritualidade. Sábado, às 19h, no Museu Ferroviário.

Vila Feitiço: O youtuber Dodô Verdades investiga o desaparecimento da jovem Sabrina, sumida após o carnaval na cidade de Vila Feitiço. Entre boatos de rituais, alienígenas e teorias conspiratórias, a polícia local tenta lidar com um caso que mistura mistério, sensacionalismo e a busca por respostas. Domingo, às 19h, no Museu Ferroviário.

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