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“Janaína-sem-cabeça”, curta de Bruna Schelb Corrêa, participa do Cine PE

Produção faz parte da série “Baixas lendas da classe média alta” e também foi selecionada para o Festival Primeiro Plano


Por Júlio Black

22/11/2020 às 07h00

Mia Mozart interpreta a jovem de classe média que se preocupa com os problemas “da moda” (Foto: Reprodução)

Classe média sofre até pelo que não entende e provoca vergonha alheia por causa disso. Este bem que poderia ser o resumo de “Janaína-sem-cabeça”, comédia em curta-metragem dirigida por Bruna Schelb Corrêa selecionado para a 24ª edição do Cine PE _ Festival do Audiovisual, que este ano acontece de forma on-line entre segunda (23) e quarta-feira (25), com as produções sendo exibidas pelo Canal Brasil, TV Pernambuco e pela plataforma de streaming Canais Globo. O curta também faz parte da Mostra Competitiva Regional do Festival Primeiro Plano, com exibição na próxima quinta-feira (26).

Filmado em outubro de 2019 em Conceição de Ibitipoca, “Janaína-sem-cabeça” faz parte de uma série intitulada como “Baixas lendas da classe média alta”, do qual também fazem parte “Mái áis” e “Passeio de vento”, também selecionado para o Primeiro Plano e que será exibido na sexta-feira (27). Com direção de fotografia de Luis Bocchino e trilha sonora de Pedro Baapz, o curta conta a história de Janaína (Mia Mozart), jovem que se preocupa com os problemas do mundo que estão na moda _ mesmo que distantes de sua realidade _ e em ter opinião sobre tudo, mesmo que não mova uma palha para resolvê-los do conforto de seu lar. Ao mesmo tempo, é assediada pelas vozes dos antepassados reacionários. Tudo que ela deseja é encontrar paz _ e ganhar aplausos por sua “sofrência” em relação ao que não entende.

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Segundo Bruna Schelb, muito da inspiração para o curta veio da postura que a classe média tem nas redes sociais. “Essa postura, muitas vezes, é dissociada da realidade, de ler (o filósofo francês Gilles) Deleuze, algum cientista social, e achar que entendeu o que nunca viu na frente”, explica. “Precisamos ter em mente que posso até entender, mas aquele não é o meu lugar; ela quer se colocar ali, mas tem todo aquele passado de parentes retrógados. E ás vezes, nas redes sociais, escrevemos coisas que são sem noção mas recebem vários likes, e nesse palanque que a gente dá a essas pessoas é que mora a piada de ‘Janaína…’.”

Autocrítica

Para a diretora, esse “realismo de apartamento” é mais percebido nas redes sociais que em seu cotidiano, e, mesmo assim, com pessoas que não conhece, mas que surgem na sua timeline no Twitter de várias formas. “Acho que é essencial entender que a crítica que faço aos outros faço a mim mesma também”, ressalta.
Ainda a respeito da autocrítica, é através da arte que o público, muitas vezes, pode se ver representado, como se fosse o reflexo de um espelho, e refletir sobre sua vida. E Bruna Schelb vê potencial no curta para provocar essa reflexão. “O cinema brasileiro já teve grandes momentos de comédia, como a chanchada, e acho que ela (a comédia) é uma ferramenta que aproxima, às vezes, essa pessoa que pode achar que falo de outra; mas, se isso puder gerar alguma reflexão, por estar mais vulnerável naquele momento que o riso a deixa mais vulnerável, talvez ela se veja na crítica que eu faço”, acredita. “Ter esse subtexto é muito interessante, porque gera discussão e reflexão.”

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