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“Uma invenção de Natal”: Um filme otimista para ser assistido com a família

Produção da Netflix chega para ocupar espaço entre os tradicionais filmes de final de ano


Por Júlio Black

19/11/2020 às 07h00

Madalen Mills e Forest Whiatker são os protagonistas de “Uma invenção de Natal”, da Netflix (Foto: Divulgação)

Pode ser mera coincidência, mas poucos dias antes de o Disney+ chegar ao Brasil com os clássicos marcados pela magia de suas histórias, emoção, otimismo e a mensagem de que todos os sonhos são possíveis, a Netflix lança em uma sexta-feira 13 “Uma invenção de Natal” (“Jingle Jangle: A Christmas journey”), longa escrito e dirigido por David E. Talbert que reúne todos os elementos do estúdio do Mickey Mouse citados acima, capazes de agradar pessoas de todas as idades. E, se não fosse pelo “N” vermelho antes do início do filme, ele seria facilmente confundido com um longa da concorrente _ e isso não é demérito algum, muito pelo contrário.

“Uma invenção de Natal” mistura musical com uma versão moderna dos clássicos de Charles Dickens, contos vitorianos e elementos de steampunk, porém com muito mais cor, graças ao excelente trabalho de direção de arte. Na história, uma avó (Phylicia Rashad) conta para seus netos as venturas e muitas amarguras de Jeronicus Jangle (interpretado quando jovem e mais velho por Justin Cornwell e Forest Whitaker, respectivamente). Considerado o maior inventor de brinquedos do mundo, é ainda um gênio da matemática que acredita que a ciência e a imaginação podem criar maravilhas para as pessoas. E é o que elas encontram em sua loja, onde a magia se torna real com brinquedos inacreditáveis. A cada Natal, tudo que ele quer é dar alegria a todos por meio de suas criações.

Jeronicus leva uma vida feliz com a esposa e filha, mas seu espírito é despedaçado justamente no momento que deveria ser o ápice de sua carreira. Seu mais ambicioso brinquedo (voz de Ricky Martin), narciso a ponto de não querer ser fabricado em série, convence o aprendiz do inventor, Gustafson (Miles Barrow quando jovem e Keegan-Michael Key na meia-idade), a roubar o caderno de invenções de seu mestre e a levar o boneco consigo. Além da traição, outra tragédia faz com que Jeronicus se torne um homem amargurado, assim como o Ebenezer Scrooge de “Um conto de Natal”, que não acredita mais na magia natalina. Ele jura nunca mais inventar nada, e sua loja de maravilhas perde a graça, a cor, e vira uma sombra do que já foi ao se tornar uma ordinária loja de penhores.

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Pequena genial

Como se trata de um filme de Natal e redenção, esta última chega na forma da neta, Journey (Madalen Mills), que tem a mesma genialidade do avô e vai visitá-lo antes do Natal a fim de conhecer o mundo mágico de que sua mãe (Anika Noni Rose) tanto fala. A missão não será fácil, pois Jeronicus é um homem marcado não somente pela amargura e tristeza: é também alguém que desconfia da própria sombra e que se tornou adepto do mínimo contato social possível. E ainda há a figura de Gustafson pelos cantos, disposto a roubar a próxima invenção do antigo mentor depois de usar todas as criações que estavam no caderno que roubara.

Ao final de duas horas, “Uma invenção de Natal” não traz grandes novidades ao subgênero “filme de Natal”, mas mesmo assim é capaz de agradar pais, filhos, netos, tios, sobrinhos, primos… Enfim, a família toda. Além de contar com um (ótimo) elenco de protagonistas negros _ ao contrário das produções pensadas para a época -, o longa é visualmente exuberante, com números musicais em que a dança se sobressai sobre as músicas de John Legend, que não comprometem, porém não têm o impacto de uma “Let it go” (de “Frozen”), por exemplo. A destacar, ainda, que apesar de ser uma produção pensada para a família assistir enquanto devora a ceia em 25 de dezembro, não há nenhuma menção a religião, Papai Noel e coisas do gênero. Na verdade, o que existe é uma valorização da ciência, tão castigada nos últimos tempos.

Desde o início já sabemos como vai terminar a história, mas sabe aquele lance de que “o que importa é a viagem”? Pois “Uma invenção de Natal” é capaz de nos fazer esquecer, pelo menos por duas horas, que o mundo tem sido um lugar tão difícil de se viver, com uma mensagem positiva de que é possível acreditar, sonhar e tornar esses sonhos reais. Se pensarmos que estamos em 2020, não é pouca coisa.

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