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Iepha quer reconhecer cozinha mineira como patrimônio cultural de Minas

O reconhecimento é uma das metas do Plano Estadual da Cozinha Mineira, lançado, nesta sexta-feira, pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo

Por Gabriel Ferreira Borges

19/02/2021 às 17h53- Atualizada 19/02/2021 às 19h23

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O Plano Estadual da Cozinha Mineira esteve aberto a consulta pública entre outubro e dezembro do ano passado (Foto: Pedro Gontijo/Divulgação/Agência Minas)

O Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha/MG) deve abrir o processo de reconhecimento da cozinha mineira enquanto patrimônio cultural de Minas. O reconhecimento está no âmbito do Plano Estadual da Cozinha Mineira, lançado, nesta sexta-feira (19), pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult), a partir da revisão do Plano Estadual de Desenvolvimento da Gastronomia. A intenção é instituir uma política pública para fomentar o desenvolvimento econômico e turístico do Estado de Minas a partir da gastronomia. Capitaneado pela Frente Mineira da Gastronomia, o programa, conforme a Secult, foi construído de forma colaborativa.

A presidente do Iepha, Michele Arroyo, lembrou que o modo de fazer o queijo artesanal da Região do Serro foi o primeiro bem registrado como patrimônio imaterial de Minas ainda em agosto de 2002. “Já tínhamos várias ações de reconhecimento, como o queijo, as farinhas, o sistema agrícola tradicional dos apanhadores de sempre-viva etc. Quando a gente fala de cozinha mineira, queremos reconhecer não apenas a gastronomia, mas todo o processo econômico e social que envolve o alimento. Isso é sinônimo de identidade, ou seja, de reconhecimento de nós como mineiros. O lançamento do Plano Estadual de Cozinha Mineira é o primeiro passo para a articulação da preservação do patrimônio cultural com o desenvolvimento e econômico e turístico.”

Ainda no âmbito do processo de reconhecimento da cozinha mineira enquanto patrimônio cultural, o Governo planeja elaborar um dossiê com os produtos da cozinha mineira, e, depois, um “atlas”. “O dossiê será uma espécie de guarda-chuva, indicando os principais produtos que constituem a cozinha mineira. A partir daí, (trabalharemos em) uma ideia dinâmica, que vai ser o Atlas da Cozinha Mineira, que será construído por várias mãos. É um instrumento dinâmico, em que vamos mostrar toda a cadeia produtiva de cada um dos alimentos estruturantes da nossa cozinha tradicional e fomentar o turismo comunitário, de experiencia, a visitação, a compra destes produtos, em todas as etapas da sua cadeia produtiva.”

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Após a conclusão do processo pelo Iphea, o Estado buscará, “até o final do ano”, o reconhecimento da cozinha mineral enquanto patrimônio nacional, junto ao Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e internacional, por meio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). “A cozinha mineira será a primeira a ser reconhecida por um Estado e, também, a primeira a ser reconhecida pelo Brasil enquanto federação”, apontou o secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira. “A cozinha é a nossa senha de identidade e responsável por 30% do turismo em Minas.”

Plano da Cozinha Mineira

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De acordo com Leônidas, Minas Gerais é o primeiro estado a ter a gastronomia incorporada ao programa de uma secretaria (Foto: Pedro Gontijo/Divulgação/Agência Minas)

Embora o Plano Estadual da Cozinha Mineira ainda não tenha sido divulgado na íntegra, a Secult detalhou que o programa estabelece 72 iniciativas, cujo valor para execução entre 2021 e 2024 é R$ 163 milhões. “A Cemig, por exemplo vai investir R$ 1,5 milhão no Atlas e no nosso dossiê. Ainda vamos lançar um edital de fomento em abril no valor de R$ 3 milhões com recursos já liberados pelo Fundo Estadual de Cultura. Além disso, pensamos em R$ 20 milhões a partir do acordo com a Vale para marketing e promoção. (…) Já temos aproximadamente 70 obras de gastronomia na biblioteca para consulta. Inclusive, pretendemos lançar bolsas de pesquisa. A Rede Minas vai lançar um edital para reproduzir receitas em vídeos fáceis, sobretudo aquelas do interior, receitas de avó, antigas. Inundar o mercado nacional e internacional com receitas mineiras é interessante, porque é um marketing barato e natural.”

Presente na cerimônia, o governador Romeu Zema (Novo) afirmou que o Plano Estadual da Cozinha Mineira valoriza o que já existe em Minas, uma vez que faltam ao Estado recursos para trabalhar. “A secretaria de Agropecuária, Agricultura e Abastecimento já havia conseguido a valorização dos nossos queijos através do Selo Arte, e vejo que o que estamos fazendo é muito semelhante com o que foi feito com o café e o queijo, cada vez mais valorizados e reconhecidos no Brasil e no mundo. E com o turismo vai acontecer o mesmo. (…) Ficamos entre os dez destinos mais hospitaleiros (conforme avaliações na plataforma Booking), e muito se deve à gastronomia. O plano vem para sacramentar ainda mais o destino interessante que o nosso estado pode ser.

 



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