De volta à folia e de casa nova
Chega de saudade. Após passar 2016 em branco, nove escolas de samba de Juiz de Fora voltam a desfilar este ano. Os passistas, mestre-salas, porta-bandeiras, a bateria e os carros alegóricos voltam a se apresentar neste sábado, a partir das 21h30, quando a Vale do Paraibuna, do Grupo B, passar pelo novo local de desfiles, a passarela do samba instalada no Parque de Exposições, que substitui como palco da folia a Avenida Brasil, utilizada durante dez anos. Além das quatro escolas de hoje, outras cinco se apresentam no domingo, com a apuração acontecendo na segunda-feira, a partir das 16h, na Praça Antônio Carlos. A lamentar, a ausência pelo segundo ano consecutivo de escolas tradicionais da cidade, como a Juventude Imperial e a atual tetracampeã Unidos do Ladeira.

Representante do Bairro Santo Antônio, a Vale do Paraibuna, fundada em 1999, ficou em sexto lugar em 2015 e tenta subir para o Grupo A com o enredo “OMI – A criação do mundo na tradição Iorubá, acima de Deus nada, abaixo de Deus, água”, em que resgata a cultura afro-brasileira e apresenta o mito da criação do mundo de acordo com a tradição Iorubá – segundo a qual a água já existia antes mesmo da criação do mundo. A escola, com as cores verde, vermelho e branco, vai levar 350 integrantes para a avenida.
A segunda integrante do Grupo B a desfilar no sábado será a Unidos das Vilas do Retiro. Com as cores azul, verde, amarelo e branco, a agremiação vai até o passado da cidade por meio do enredo “Juiz de Fora Opus: A Manchester mineira – 50 anos de alegria no carnaval, sua história, eu me lembro, casos e curiosidades”. Por meio dos trilhos da história, a escola vai do passado mais distante, quando a região ainda era habitada pela população nativa, passando por fazendas, casarões, a industrialização, o progresso.
A terceira escola da noite – e primeira do Grupo A – será a Mocidade Alegre, representante do São Mateus e bairros próximos. Campeã do Grupo B em 2015, a agremiação tem uma história marcada por alegrias e tristezas. Fundada na década de 1970 como Mocidade Independente de São Mateus, a escola encerrou as atividades na década de 80 e voltou ao carnaval em 2003, já com o novo nome e as cores amarelo, vermelho, azul e branco. O enredo escolhido para o retorno à elite do carnaval juiz-forano é “Exaltação do Rio São Francisco”, uma homenagem à extinta Unidos dos Passos, que defendeu o tema na década de 70, e também ao compositor Zezé do Pandeiro, que interpretou o samba na ocasião e fará o mesmo este ano. Os 500 integrantes da escola vão fazer uma exaltação à cultura, tradições, lendas, folclore e à diversidade dos povos ribeirinhos do Rio São Francisco.
Para encerrar a primeira jornada de desfiles, uma das mais tradicionais e antigas escolas de samba de Juiz de Fora, a Feliz Lembrança (fundada em 9 de fevereiro de 1939) tenta apagar o decepcionante desempenho de 2015, quando ficou em quinto lugar, com o enredo “Baco e o milagre do vinho no país do carnaval”. A azul, vermelho e branco do Barbosa Lage leva para a avenida 600 integrantes, que vão relembrar o enredo de 1980 da própria escola, baseado na mitologia greco-romana mas que cria uma nova mitologia a partir dela, mostrando um deus que sabe tudo de vinho e carnaval.









