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Outras Ideias com Luis Cláudio Coelho


Por MAURO MORAIS

18/01/2015 às 07h00

Semelhança com o ídolo rende trabalhos para Luis Cláudio Coelho

Semelhança com o ídolo rende trabalhos para Luis Cláudio Coelho

O espelho reflete o astro. A vida reflete os filmes. Quando ouvi falar de Luis Cláudio Coelho titubeei em acreditar em suas semelhanças físicas com o ator Sylvester Stallone. Inegável. Ele carrega no rosto e, principalmente, em alguns gestos e olhares o grande intérprete de Rocky Balboa. Poderia ser trivial, não fosse o que resolveu fazer diante do que a aparência lhe ofereceu. Um dos principais sósias no Brasil do artista hollywoodiano, Luis tornou-se um aprendiz da ficção e, nisso, pautou sua vida. “Sou fã desde a adolescência e sempre acompanhei a carreira dele. Comprava filmes e assistia umas 200 vezes cada um. Quando ele veio ao Brasil, em 2009, não podia ficar no Rio de Janeiro esperando ele sair do hotel. Não tinha disponibilidade de tempo e nunca foi meu perfil. Sou mais tranquilo, mas sempre quis conhecê-lo”, conta ele, que procurou o escritório da produtora que iria recebê-lo e se apresentou. Para sua surpresa, seu currículo com fotografias foi encaminhado a uma agência de sósias em São Paulo.

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“O primeiro filme que assisti, em 1983, foi o ‘Rocky’ de 1976. É um clássico e me chama atenção a história daquele cara que vem do nada, sem projeção e oportunidades, e quando tem uma chance dá a grande virada em sua vida”, diz com sua voz baixa o homem de 43 anos, demonstrando sua admiração de brilhar os olhos pelos personagens fortes e vigorosos. A admiração por Stallone, o ator, de onde vem? “A história dele é bastante parecida com a do Rocky. Quando ele escreveu o filme, era muito pobre, e logo com o primeiro ganhou o Oscar de melhor roteiro. A partir dali, ele viveu uma ascensão. A energia que passa para os personagens sempre me atraiu”, destaca.

De certa forma, a vida de Luis desde 2009 também tem sido ascendente. No mesmo ano em que foi indicado a uma agência de sósias, fez seu primeiro trabalho profissional, caracterizado como o Rocky Balboa, para um evento promovido pela marca de pneus Bridgestone. “Procuro fazer uma caracterização o mais sério possível para valorizar o trabalho dele. Me dá uma grana porque busco a profissionalização e o respeito, então, estabeleço regras e um bom cachê. Tenho muito medo de ser caricato”, conta. “Sempre vi a semelhança, mas precisei tomar coragem. Imagina: apresentei um evento da Volkswagen, junto com o Serginho Groisman e a Renata Fan, para 1.500 distribuidoras internacionais. Se não tivesse algo para me motivar e me dar confiança, não conseguiria. Já ouvi muitas vezes na rua que pareço com Stallone, e isso me deu muita força”, pontua, dizendo-se discreto em relação ao ofício. De fato, no ambiente de trabalho de Luis, não há referências ao ídolo. Em seu estúdio de treinamento, no Bairro Cascatinha, o astro se faz presente pela busca de corpos esculturais.

Com 1,77 metro de altura e 85 quilos, medidas iguais às de Stallone, Luís hoje precisa manter o mesmo corpo atlético do ator afim de manter sua agenda de presenças vip sempre em dia (são dois grandes eventos para megaempresas por ano). “Com 16 anos, entrei na primeira academia. Comecei a fazer musculação por causa dele. Por falar nisso, nos anos 1980, Juiz de Fora tinha poucas academias, e, quando esses caras surgiram no cinema, houve um boom de academias no mundo inteiro”, comenta. “Na academia, meu apelido sempre foi Stallone ou Rambo, até porque eu costumava cortar o cabelo igual ao dele, usar roupas semelhantes”, completa. A educação física, carreira na qual começou em 2006 (antes fazia trabalhos ligados ao comércio), também surgiu de sua relação com o “mestre”.

Cadastrado em várias agências nacionais e internacionais, Luis sempre esteve no encalço de Stallone. “Sempre mandei muitos e-mails e cartas para os estúdios de Hollywood, mas nunca tive certeza para onde estava enviando. Tudo o que produzia, mandava. Até que consegui acertar, chegando até um escritório que representa os interesses comerciais dele”, afirma. “Pensei, agora ele já me conhece”, acrescenta. Ainda não. Os dois nunca estiveram cara a cara. Mas isso pode acontecer em breve. “Recebi um pré-convite para ‘Rambo V’ em julho do ano passado. Negociamos até outubro, e o estúdio deixou em stand-by, mas deve voltar este ano. Há uma possibilidade de eu estar na equipe de alguma forma. Não sei aonde isso vai chegar, mas se usarem um segundo meu lá, terei realizado um sonho”, emociona-se. “Conhecê-lo é um sonho de criança. Se eu me deparar com ele, vou enxergá-lo com os olhos lá da infância.” Pergunto-lhe, então, sobre o que irá dizer. “Vou agradecer por tudo o que aprendi com os filmes”, fala, enumerando ter tido lições de respeito, dignidade, família e muitas outras com obras como “Rambo” e “Rocky”. O Stallone nascido em Pequeri, que mudou-se para Juiz de Fora aos 7 anos, sonha com o dia em que não seja somente o espelho que irá lhe mostrar a face de Sylvester.

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