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Uma vida em verso, prosa e crônicas


Por Júlio Black

16/11/2016 às 17h01- Atualizada 16/11/2016 às 17h03

Nascida em Belo Horizonte, Marilda Ladeira teve atuação importante no cenário cultural e jornalístico de JF
Nascida em Belo Horizonte, Marilda Ladeira teve atuação importante no cenário cultural e jornalístico de JF

“Sou uma apaixonada pela palavra. Ela é minha vida e minha morte, eu vou morrer pela palavra. O mundo de hoje está mais apagado, diminuindo a claridade, e eu sou uma das pessoas ligadas à filosofia de Platão, de acabar com a escuridão e trazer”. Foram com estas palavras que a escritora, cronista, poetisa, jornalista e publicitária Marilda Ladeira encerrou em dezembro de 2014 a entrevista a respeito do lançamento de seu último livro, “Preto no branco – Crônicas de ontem, hoje e amanhã”. E são incontáveis as palavras que ela deixou para trás na manhã desta quarta-feira, 16, quando morreu aos 87 anos, em Juiz de Fora, após passar dez dias internada em razão de uma pneumonia que evoluiu para um quadro de choque cardiogênico. O velório da artista acontece na capela 1 do Parque da Saudade. O enterro está marcado para as 10h de quinta-feira, 17, no mesmo local.

Segundo uma das filhas de Marilda, Isabella Ladeira, ela foi internada em razão de uma pneumonia branda, que passou a apresentar complicações devido ao choque cardiogênico. “Ela foi levada para a o CTI e chegou a apresentar uma pequena melhora no sábado, mas o coração não resistiu”, conta Isabella. “Ela nunca precisou ficar internada por motivo de doença, teve os cinco filhos de parto normal e saía do hospital no dia seguinte. Costumávamos brincar que ela era inoxidável.”

Nascida em 4 de janeiro de 1929 em Belo Horizonte, Marilda Ladeira viveu boa parte dos momentos mais importantes de sua nada ordinária vida em Juiz de Fora, onde viveu por mais de 50 anos. Foi a responsável pela primeira agência de publicidade na cidade, a Prevendo, sendo ainda apresentadora e jornalista da antiga TV Industrial. Foi editora do jornal “Correio da Mata” e do jornal o “O Lince”, criou o jornal do Centro Cultural Pró-Música e trabalhou no “Diário Mercantil”. Marilda foi, ainda, integrante da primeira equipe da Tribuna de Minas, onde trabalhou como diretora de arte e publicou muitas de suas crônicas.

No cenário das artes, Marilda publicou diversos livros, entre eles “Coisas findas” (2002), “Viver poesia” (2010) e “Preto no branco” (2014). Ela também escreveu as letras das músicas “Tô caindo fora”, de Ana Carolina, e “Clara evidência”, do Lúdica Música!, que tem sua filha Isabella como integrante. De acordo com Isabella, sua mãe tinha diversos planos que sonhava realizar, entre eles um livro sobre ela e Clarice Lispector. “Minha mãe era muito fã da Clarice, costumava ‘comentar’ com ela em todos os livros escrevendo, fazendo anotações nas bordas, nas capas. Ela queria reunir esse material para o livro, espero poder fazer isso um dia por ela.”