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Quem faz acontecer o Mundo Bita, que aporta em JF

Em entrevista à Tribuna, o roteirista João Henrique Souza conta como surgiu o projeto que encanta crianças Brasil afora

Por Fabiane Almeida, estagiária sob supervisão da editora Isabel Pequeno

12/07/2019 às 14h00

O Mundo Bita sai da tela e estará no palco do Cine-Theatro Central na tarde deste sábado (13), às 16h. O show “Viva as descobertas” traz os personagens adorados pelas crianças, com canções do álbum ‘Bita e o nosso mundo’ cantadas ao vivo pela Flora. Casa de Milton Nascimento, Juiz de Fora terá o privilégio de ouvir pela primeira vez em espetáculo a canção “Trem das Estações”, que foi gravada em parceria com o cantor. Os criadores da animação musical, Chaps Melo e João Henrique Souza, também devem estar presentes na plateia. Redator, roteirista e diretor de comunicação, João Henrique conversou com a Tribuna sobre a história e os bastidores da animação que encanta o Brasil e já conquista Portugal e América Latina.

O Mundo Bita surgiu em 2011, quando um grupo de pais de primeira viagem de Recife (PE) observaram que as tecnologias estavam começando a fazer parte da vida das crianças e se preocuparam com o conteúdo que elas iriam consumir. As primeiras músicas foram lançadas em 2012 e, no ano seguinte, já com seis clipes na bagagem, Felipe Almeida (diretor de negócios) passou a levar o conteúdo para canais e gravadoras. A animação musical estreou em 2013 na Discovery Kids e começou a ser distribuída pela Sony Music. Desde então, o grupo produz novos álbuns todos os anos e, em 2018, o Mundo Bita foi indicado ao Grammy Latino na categoria de melhor álbum para crianças, com “Bita e a natureza”. Depois de passar os primeiros cinco anos produzindo com as contas no vermelho, apenas acreditando no próprio trabalho, hoje a equipe tem mais de três bilhões de visualizações no canal do Youtube.

As composições continuam sendo produzidas e gravadas por Chaps (diretor de criação). Já as animações ficam a cargo de uma equipe de 20 artistas da Mr. Plot, que conta com ilustradores, designers e músicos. A empresa também é comandada pelo diretor financeiro Ênio Porto. Os shows e as peças de teatro são algumas das formas que a equipe encontrou para interagir com o público.

Cena do espetáculo “Viva as descobertas”, em que os personagens da animação ganham vida no palco (Foto: Divulgação)

Tribuna – Como foi a criação do Mundo Bita?
Luiz Henrique Souza – Foi quando Chaps mostrou uma trupe de circo que ele tinha criado para decorar o quarto da primeira filha, Bebel. Quando olhamos aqueles personagens e o apresentador do circo, com bigode laranja e gorduchinho, quisemos fazer. Pensamos inicialmente em fazer livros digitais, porque todos nós somos apaixonados e sabemos da importância da literatura. Fizemos o Circo Mágico do Bita 1 e 2 com histórias do Bita, que levava seu circo em uma garrafa mágica e onde ele abria a garrafinha o circo se armava, e aconteciam os enredos lúdicos, com conceitos positivos para transmitir para as crianças. Aconteceu que a iniciativa que parecia ser legal se mostrou ineficiente, porque as pessoas não pagavam pelo aplicativo. Então Chaps teve a ideia de produzir clipes e ele, que ainda não sabia o artista que era, escreveu três músicas para ver o que ia dar e gravou com sua banda. Passaram uma semana gravando em estúdio improvisado “Como é verde na floresta”, “Fundo do mar” e “Fazendinha”. Quando ouvimos, achamos incrível, ficamos muito empolgados e lançamos em 2012 também no Youtube. Muito lentamente começamos a entrar no radar do conteúdo educativo e autoral, com mensagens atuais.

Qual a história por traz do Bita?
O Bita começou sendo apresentador de circo e depois, quando construímos uma persona mais profunda para ele, percebemos que a função do Bita na vida das crianças era mais um facilitador ao acesso à imaginação. Ele é o personagem que guia a criança do mundo real à imaginação, que apresenta o lúdico e estimula a criança a entender o mundo e resolver os problemas através da imaginação. Ele se transformou em um personagem que vive na Galáxia da Alegria, que faz parte do plano imaginativo, e de lá ele fica estimulando a imaginação que é o combustível do Mundo Bita, onde ele vive. Criamos toda essa base conceitual e, a partir daí, incluímos a história circense como uma trama pré-existente. O Bita nasceu no Planeta Circo e os pais eram circenses, tinham o Circo Mágico do Bita, e depois ele passou a morar no Mundo Bita com os Plots, que são pequenos alienígenas verdes que ajudam a fazer a manutenção da imaginação no universo. Aí ele passa a ser o Bita que conhecemos hoje, que está sempre acompanhando as crianças nas aventuras e descobertas.

João Henrique e os sócios da Mr. Plot, Ênio, Chaps e Felipe (Foto: Divulgação)

Existem muitas características da música brasileira no Mundo Bita. Quais são as referências que vocês gostam de trazer e por que esses elementos são importantes para as crianças?
Desde o primeiro álbum, quando Chaps começou a compor, a ideia era realmente ter uma diversidade de ritmos e conceitos musicais. Porque estávamos trazendo novos assuntos e letras, mas também queríamos apresentar uma diversidade cultural para as crianças. Do primeiro álbum já tivemos diversos ritmos brasileiros e internacionais, samba, valsa, rock, reggae, baião e rumba e passamos a pensar dessa forma com todo o conteúdo da sequência. O Chaps tem um conhecimento musical muito vasto, nacionalmente há inspiração em Lulu Santos, Gilberto Gil, João Bosco, Luiz Gonzaga, que tem um peso cultural grande e inspira muito a gente. Internacionalmente, Beatles sempre serviu de referência. É um ecletismo que fazemos questão de cultivar.

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Além dos gêneros musicais, a diversidade também está nos temas. Quais são os cuidados para tratar dos assuntos que as músicas abordam?
A gente costuma pesquisar muito, estudar e conversar com especialistas, educadores e psicólogos. E como pais sentimos na pele as necessidades e utilizamos nossas casas como laboratório também. Tomamos muito cuidado para que sejamos o máximo possível divertidos, informativos e também criteriosos e responsáveis. Às vezes você acha que uma informação é correta, mas quando vai estudar vê que a abordagem não é mais utilizada. Não pode ser só no sentimento, temos que estudar para saber a forma mais correta de transmitir o conteúdo.

Como é a relação de vocês com Milton Nascimento?
Sempre sonhamos muito alto. Nosso primeiro contato com ele foi por meio de um convite que fizemos para ele cantar uma música do Mundo Bita em dueto com o Chaps. O produtor é um conhecido que nos apresentou ao filho do Bituca e conseguimos a atenção dele. O Bituca gostou muito do projeto e topou gravar “Trem das Estações”. Chaps compôs essa música pensando nele, já que o Bituca gosta muito do trem, é muito presente na obra e na vida dele. Então fomos até Juiz de Fora gravar com ele em 2017 e foi uma experiência incrível. Somos superfãs que tiveram a honra de ter a participação dele em um álbum nosso. A grande surpresa foi que ele se tornou um amigo nosso. Dizemos que ele é nosso grande padrinho, pois quando juntamos o nome dele ao nosso, as pessoas do meio artístico passaram a olhar pra gente com mais simpatia e respeito. Depois dele, gravamos com Vanessa da Mata, Ivete Sangalo e Lulu Santos.

Além da Rádio Bita – que lançaram esse ano, regravando músicas já consagradas – em que outros projetos vocês estão trabalhando?
Para o ano que vem estamos trabalhando na pré-produção da série de animação com diálogos e dramaturgia, que serão episódios de cinco minutos. Pretendemos lançar de forma independente pelo menos seis episódios até o fim de 2020. E estamos investindo na internacionalização do conteúdo, laçamos em Portugal os primeiros álbuns e temos também foco em espanhol, para a América Latina.

Como é a adaptação da animação musical para o palco?
O show é muito musical. Perguntamos ao público o que gostaria de escutar no show e fazemos uma triagem. Trabalhamos todos os diálogos entre as músicas para que fique uma peça uniforme e compreensível para as crianças. Também damos voz a todos os personagens, a Flora é a cantora do show, foi a forma que encontramos de levar o vocal a muitos lugares do país, já que o Chaps precisa ficar no estúdio produzindo. Mas esse fim de semana, praticamente com exclusividade, estaremos acompanhando o show e vamos fazer uma visita ao Milton, que está voltando de turnê.

Show do Bita
Neste sábado (13), às 16h, no Cine-Theatro Central (Praça João Pessoa s/n. Calçadão da Rua Halfeld – Centro)

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