Com experiência ‘nas alturas’, Comida di Buteco 2026 começa nesta sexta em Juiz de Fora

Coordenador na cidade, Toninho Simão contou mais sobre os bastidores do concurso


Por Bernardo Marchiori

10/04/2026 às 07h00

Com direito a experiência “nas alturas”, o Comida di Buteco 2026 começa nesta sexta-feira (10) em Juiz de Fora. Quarenta bares irão servir os pratos inscritos na edição até 3 de maio. Mas quem acha que o concurso inicia apenas a partir do dia em que as pessoas podem experimentar e votar para eleger o melhor boteco da cidade está enganado. Desde julho do ano anterior, os estabelecimentos já começam a enviar as receitas para a organização, como esclarece o coordenador na cidade, Toninho Simão.

“Na verdade, a gente começa a organizar o Comida di Buteco 2027 agora. Fazemos a seleção dos botecos, porque sempre 20% da base é rebaixado para dar oportunidade a outros 20%, o que representa uma troca de oito dos 40 bares envolvidos. A captação dos novos para o ano que vem já começou.” Em 2026, os estabelecimentos que não participaram no ano anterior são o Bar do Brejo, Birosca, Carlota Bar e Restaurante, Coliseum Bar e Restaurante, Costelaria Compadre Grill, Dirceu’s Pub, Espetinho da Villa, Lero Lero Bar e Pappadog Bar.

Em relação ao funcionamento da avaliação para a seleção dos bares, Toninho explica que, ao finalizar o concurso, a organização divulga informações do próximo: principalmente preço e se vai ter ingrediente principal (o que ocorre ano sim, ano não). “A partir de julho, mais ou menos, os estabelecimentos começam a entregar as receitas para a organização. Em setembro, finalizamos o processo; e em novembro, já começamos a tirar as fotos dos pratos. No penúltimo mês do ano anterior, já está tudo pronto para começar o concurso”, conta.

Organização estabelece critérios para evitar repetições nos pratos

Como o início do Comida di Buteco é marcado para cerca de seis meses depois, em abril, os proprietários aproveitam esse intervalo para testar e aprimorar os pratos. Em 2026, a edição envolve um ingrediente obrigatório na composição: pelo menos, uma verdura. Além disso, Toninho Simão acrescenta que a regra dos 20% novos bares funciona também para o número de pratos com a mesma comida e a mesma verdura.

“Dos 40 bares, oito deles podem fazer o mesmo prato e oito podem usar a mesma verdura, no máximo. Por exemplo: apenas oito estabelecimentos podem produzir bolinhos, usar couve na composição e assim por diante. A verdura pode vir de qualquer forma: seja na massa ou como acompanhamento. Além disso, precisa fazer saborizar: entrar no prato apenas como enfeite, não vale.”

Se mais de oito bares quiserem fazer o mesmo prato ou usar o mesmo ingrediente principal, a seleção é feita com base na ordem de chegada. A prioridade é de quem mandar a receita primeiro. “Demora cerca de um mês e pouco para os responsáveis pensarem nas ideias para o prato. A briga é grande, principalmente para o tal do bolinho”, brinca o coordenador do concurso em Juiz de Fora. “É o mais fácil de comer, mas às vezes é, também, complicado. Pode não ficar legal: ficar frio por dentro ou até congelado. Então tem que tomar cuidado.”

Experiência ‘nas alturas’

A grande novidade para 2026 em Juiz de Fora, como define o próprio Toninho, é uma plataforma que leva a experiência “às alturas”. A cada fim de semana, um bar irá receber o equipamento que permite à população experimentar os pratos participantes da edição a até 15 metros de altura. “Vamos rodar a estrutura pelos estabelecimentos. Alguém do público será escolhido para ter a experiência.” Na tradicional caravana da imprensa, realizada na última terça-feira (7) na UniAcademia, os convidados puderam subir, sob os olhares do público, na plataforma junto a alguns dos responsáveis pelos pratos da edição.

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Foto: Cecília Itaborahy

‘Expectativa é ultrapassar os 85 mil votos em Juiz de Fora’

Mais que um concurso, a proposta do Comida di Buteco é, também, movimentar a economia. São 27 circuitos abrangendo 50 municípios de norte a sul do país, com quase 1,2 mil botecos envolvidos. Para Toninho, a importância do concurso, que ocorre no mês do boteco, é, sobretudo, o movimento que traz para o setor. “A imprensa dá mais visibilidade e o público de Juiz de Fora já se acostumou com o Comida di Buteco. Para este ano, a expectativa é ultrapassar os 85 mil votos. É um dos recordes que esperamos bater. No ano passado, foram 75 mil.”

Além disso, o coordenador do concurso na cidade destaca a presença dos estabelecimentos envolvidos em várias regiões na cidade – não ficam apenas centralizados. “Então, todo mundo pode participar do Comida di Buteco. O bacana é quando promovem as caravanas: as pessoas saem com van, com carro, às vezes até com ônibus, rodando pelos botecos. A gente movimenta bastante a cidade, a economia local. Desde açougues, motoristas de aplicativo e de táxi a distribuidores e atacadistas.

Como de costume, o melhor boteco da cidade é escolhido a partir do voto do público e de jurados selecionados pela organização. O petisco tem 70% do peso da nota; atendimento, temperatura da bebida e higiene, 10% cada. O vencedor, em seguida, disputa para ser o melhor boteco do Brasil, na etapa nacional, com cerimônia em São Paulo.