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45 anos de uma folia abençoada


Por Bárbara Riolino

08/02/2017 às 07h00- Atualizada 08/02/2017 às 08h42

Zé Kodak festeja mais um aniversário da Banda Daki com exposição e presença certa na avenida (Foto: Leonardo Costa)
Zé Kodak festeja mais um aniversário da Banda Daki com exposição e presença certa na avenida (Foto: Leonardo Costa)

Fevereiro tem lá os seus significados. Para os juiz-foranos, o mês é a certeza de que a Banda Daki vai desfilar novamente pela cidade levando alegria aos foliões que gostam de pular o carnaval ao som das tradicionais marchinhas e improvisar fantasias em casa, muitas vezes bem simples, mas sempre muito bem-humoradas. Os 45 anos de atividades da Banda Daki, registrada como bem imaterial pelo órgão do patrimônio histórico municipal, serão comemorados não só durante o cortejo pelas avenidas dos Andradas e Rio Branco no sábado de carnaval, mas em uma nova exposição no Forum da Cultura, em cartaz até o dia 3 de março. A mostra reúne parte do acervo do general da Banda Daki, Zé Kodak, como fotos, camisas, bandeiras, fantasias e recortes de jornais que documentam o sucesso do bloco carnavalesco surgido no começo da década de 1970 no Largo do São Roque. Além das peças de seu acervo, o artista plástico Gerson Guedes homenageia a banda com uma tela também exposta.

“A gente não imaginava onde a Banda Daki iria chegar. Era tudo uma brincadeira criada pela turma do São Roque, que queria uma atração para o sábado, já que a programação do carnaval de rua na cidade era apenas no domingo, na segunda e na terça. Tivemos então o primeiro, o segundo, o terceiro desfile… e hoje estamos aí, com 45 anos de carnaval ininterruptos. Isso é muito bom e é muito bonito, chego a ficar emocionado”, conta Zé Kodak, que assumiu o posto de general em 1979 e hoje é um dos principais organizadores do evento. Ele acredita que o sucesso da Banda Daki se deve a dois motivos: o repertório, que reúne marchinhas e cantigas, e um folião livre de custos para participar do evento. “Não tem ônus para ele, afinal a fantasia é tudo aquilo que tem em casa, como peruca, batom, vestido, salto alto. Somos uma banda abençoada, pois começamos o nosso desfile em frente a Igreja de São Roque e terminamos em frente à Catedral.”

Pela quinta vez, a Banda Daki recebe homenagens no Forum da Cultura. Em cada exposição, Zé Kodak conta que faz um compilado diferente entre os mais de 15 mil registros que possui. Neste ano, ele dividiu a mostra em fotografias que retratam os primeiros desfiles da banda, personalidades da cidade como Ministrinho e Zezé Garcia. Também há registros de políticos e prefeitos juiz-foranos que entregaram as chaves da cidade ao general durante a festa. Há, ainda, um espaço para a saudade, dedicado ao eterno Rei Momo de Juiz de Fora, Julio Guedes, e também seu irmão gêmeo, Carlos Guedes. “É uma saudade que não é sofrida, afinal, eles fizeram muito pelo nosso carnaval. E eles são, sem sombra de dúvida, a imagem do nosso carnaval. Julio já se foi, mas o Carlos está conosco e representa muito bem a figura do Rei Momo”, comenta.

Entre os adornos, está a primeira bandeira da Banda Daki com as letras e franjas brancas e fundo lilás, além de chapéus e fantasias como a usada no bloco Pintinho de Ouro e no Domésticas de Luxo, de palhaço e a tradicional vestimenta do general da banda.

A Banda Daki nasceu em 1972 no Largo do São Roque por iniciativa de uma turma de amigos, inspirada na Banda de Ipanema. O bloco foi crescendo e hoje conta com dois trios elétricos e uma banda com 25 músicos. Neste ano, a Banda Daki tem outros dois compromissos: o Baile da Banda Daki, que acontece no dia 23 no Clube Bom Pastor, e o desfile no sábado de carnaval, dia 25.

Exposição com fotografias, fantasias e bandeiras da Banda Daki, em comemoração aos 45 anos do bloco carnavalesco. De segunda a sexta-feira, das 14h às 18h, no Forum da Cultura (Rua Santo Antônio 1.112 – Centro). Até 3 de março