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‘Oito mulheres e um segredo’: Ah, como elas são bandidas — mesmo!

Com estreia nesta quinta-feira (7), filme é estrelado por um supertime de oito atrizes

Por Júlio Black

07/06/2018 às 07h00

Elenco feminino é encabeçado por três vencedoras do Oscar e coloca as mulheres como protagonistas num gênero dominado pelos homens, o de filme de assalto (Foto: Divulgação)

“Oito mulheres e um segredo”, filme de Gary Ross que estreia nesta quinta-feira (7), pode ser analisado por dois pontos diferentes. Em um deles, comemora-se o fato de Hollywood produzir um longa estrelado por nada menos que oito atrizes, três delas vencedoras do Oscar; por outro, pode-se argumentar os motivos que levam essa mesma Hollywood a ter tão poucas atrações estreladas por mulheres, e que isso acontecer seja menos questionado que comemorado.

Ou podemos ir por uma terceira via e concordar com Cate Blanchett, um dos principais nomes do elenco, quando ela afirma que os tempos estão mudando e que um longa estrelado por um time de atrizes, sem necessidade de grandes discursos afirmativos sobre gênero, começa a se tornar comum na indústria do cinema. Antes mesmo do movimento #MeToo, produções como a franquia “Jogos Vorazes”, “Mulher-Maravilha”, o vindouro “Capitã Marvel”, a mais recente trilogia de “Star Wars”, “A forma da água” e “Três anúncios para um crime” reforçam o que se via esporadicamente em “Kill Bill” ou a série “Alien”: mulher pode e deve ser protagonista, sim, e também tem poder de levar público ao cinema, identificando-se ou não com quem lidera o elenco.

Nesse ponto, “Oito mulheres…” ainda se destaca por colocar o empoderamento feminino num gênero/subgênero massivamente dominado pelos homens: os de filme de assalto ou produções de ação que precisam de um grande elenco de astros. Entre os exemplos, o primeiro “Onze homens e um segredo”, de 1960, dirigido por Lewis Milestone e estrelado por Frank Sinatra, Dean Martin e Sammy Davis Jr., integrantes do famoso Rat Pack; a versão de 2001 dirigida por Steven Soderbergh, que contava com George Clooney, Brad Pitt, Matt Damon, Andy Garcia — e apenas Julia Roberts como destaque feminino —; “Sete homens e um destino”; “Meu ódio será sua herança”; “Os doze condenados”; “Cães de Aluguel”; “Os mercenários”; até mesmo a franquia “Velozes e furiosos” privilegia seus astros de ação e pancadaria em detrimento dos poucos momentos das atrizes.

As mulheres mandam — e também roubam

Cate Blanchett, Helena Bonham Carter e Sandra Bullock são algumas das protagonistas da sequência da trilogia iniciada por “Onze homens e um segredo” (Foto: Divulgação)

Para o longa, Ross, diretor do empoderado “Jogos Vorazes”, situou a história como uma sequência da trilogia iniciada com o “Onze homens e um segredo” de 2001. Desta vez o time de criminosos é formado apenas por mulheres, interpretadas pelas ganhadoras do Oscar Sandra Bullock e Cate Blanchett, mais Rihanna, Sarah Paulson, Helena Bonham Carter, Awkwafina e Mindy Kaling, que além da presença feminina privilegia a diversidade étnica.

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A cabeça da equipe é Debbie Ocean (Bullock): irmã de Danny Ocean (Clooney), mentor dos crimes mostrados nos longas anteriores e já falecido, ela passou os cinco anos, oito meses e 12 dias em que esteve na prisão planejando seu próximo crime. E o crime que ela tem em mente não é pouca coisa. Se o seu irmão mirava os cassinos de Las Vegas, Debbie tem como alvo o tradicional Baile de Gala do Met, em Nova York, que reúne a nata da nata da alta sociedade e do showbiz.

Seu objetivo é tirar do gracioso e desejável pescoço da socialite Daphne Kluger (Anne Hathaway, outra que também tem um Oscar em casa) um colar Cartier de US$ 150 milhões durante o evento, diante de todos os convidados e seguranças, e substituí-lo por uma réplica. Mas o baile conta com um dos mais desafiadores esquemas de segurança do mundo, e por conta disso ela terá que recrutar um grupo de especialistas em ações do tipo para executar seu plano.

Além de mostrar minuciosamente toda a parte de recrutamento e elaboração do plano, “Oito mulheres e um segredo” tenta se diferenciar do material original ao não empregar armas de fogo e violência na tentativa de execução do crime. Ali, é tudo na base da manha e inteligência, sem tiros e pancadaria. Semelhante aos filmes de Soderbergh e Milestone é a preocupação com a elegância: assim como Sinatra, Clooney e Pitt tocavam seus planos sempre bem vestidos, a Dolce & Gabanna fez mais de cem figurinos para a produção.

Afinal, independentemente do gênero, o sujeito pode até ser bandido, mas jamais perdendo a elegância.

Oito mulheres e um segredo
UCI 2 (dub): 13h, 17h40, 22h20. UCI 2 (leg): 15h20, 20h. UCI 4 (dub): 16h, 20h40 (seg a qua). UCI 4 (leg): 18h20 (todos os dias). Cinemais Jardim Norte 4 (dub): 14h50, 21h20. Cinemais Jardim Norte 4 (leg): 19h. Santa Cruz 2 (dub): 16h40, 18h50, 21h15. Cinemais Alameda 5 (dub): 15h, 21h20. Cinemais Alameda 5 (leg): 19h
Classificação: 14 anos

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