Playlist: Legrand retrata geração entre antidepressivos e hiper positividade em “1991”

Além do segundo álbum da banda juiz-forana de emocore Legrand, conheça os lançamentos de Lady Gaga, Rod Krieger, Sophie e Fresno


Por Fabiano Moreira

06/10/2024 às 06h00

Legrand Foto Elisa Chediak
Legrand (Foto: Elisa Chediak)

A banda juiz-forana Legrand lançou, na última sexta (4), a primeira parte do seu segundo álbum de estúdio, “1991”, título que já entrega o assunto do volume: o sentimento da geração da década de 1990, que hoje passa pelas complicações que estão nas letras de clara inspiração no emocore (emotional hardcore) que faz a cabeça dos integrantes Cyro Soares (bateria) e Diego Neves (guitarra/voz) e no rock alternativo da banda Smashing Pumpkins. A banda ainda é integrada por Vinícius Fonseca (guitarra/synths), e o álbum foi gravado no estúdio Lado Bê, de Bernardo Merhy, da banda Varanda, com produção assinada pela própria banda e por Luke Mello (Urgent Studio/Querida Faça As Malas).

CAPA 1991 DISCO
(Foto: Divulgação)

“1991” é a primeira parte do álbum e mostra a banda mais coesa, madura e consciente, como em recente apresentação no Palco Central, em 2023, quando, ao lado da Varanda, comandaram um desfile de jovens talentos, como Baapz, Alice Santiago e Igor Santos. Os synths do primeiro álbum cederam espaço e protagonismo para as guitarras, o que faz com que o som da banda soe mais coeso e pesado. “Andaraderiva” e “Arritmia” são bons exemplos das experimentações. “Arritmia” ganhou clipe que mostra os integrantes sem saber o que fazer com o tempo ocioso, oprimidos pelas obrigações diárias. “Essas obrigações nos forçam a nos adequar à falta de tempo, então, ainda que a gente queira ficar em casa, aproveitando nosso ócio, a nossa obrigação é trabalhar, é comer o que dá tempo, e nisso a gente negligencia a saúde e vai definhando. Até que a gente já tá extenuado, com olho fundo, semimortos, e entramos em conflito com as obrigações e decidimos fazer o que queremos”, explica o vocalista e guitarrista Diego Neves.

 

A cozinha, como se chama a dupla de baixo e bateria, mostra que bumbo e cordas graves são mais que o chão que firma o pé dos arranjos. As guitarras de Vinicius e Diego servem paredões distorcidos, modulações e riffs. Na voz, Diego Neves entrega interpretações pungentes, graves, rasgadas. A vida adulta sem perspectiva, as projeções nebulosas do amanhã, a autocrítica, o olhar interessado em enxergar o não óbvio e o abraçar as incongruências da existência são os assuntos do disco. “Falamos das complicações de se viver sendo parte de uma geração que derrapa entre antidepressivos e hiper positividade”, encerra Diego.

Mais lançamentos

rod krieger a assembleia extraordinaria CAPA
(Foto: Divulgação)

“A assembleia extraordinária”, Rod Krieger

Artista gaúcho, hoje radicado no Rio de Janeiro, conhecido por integrar a grande banda de rock Cachorro Grande, Rod Krieger segue sua jornada solo com o lançamento de seu segundo álbum, “A assembleia extraordinária”, no qual faz colagens surrealistas em estilo space rock. Descrito pelo artista como uma obra artesanal, o álbum foi produzido de forma solitária na pequena aldeia de Sobral do Parelhão, no interior de Portugal, onde viveu nos últimos anos, e traz uma narrativa introspectiva e irônica, que também sairá em filme, em parceria com o grande fotógrafo Daryan Dornelles. O álbum tem influências da música portuguesa, de José Cid e Sérgio Godinho a Jorge Palma. Rod toca quase todos os instrumentos do álbum, com exceção do piano e a flauta de “Cai o Sol e sobe a Lua”, por João Nogueira e João Mello, do sitar de “Cabelos longos” e da tampura de “O fluxo das coisas,” ambos por Fabio Kidesh. O filme será revelado no ano que vem, mas já foram divulgados os vídeos de “Cai o Sol e sobe a Lua”, “Este comboio não para em Arroios”, “Cabelos longos” e “Era”. O álbum terá shows de lançamento em Portugal e no Brasil, sendo no Rio de Janeiro, no Audio Rebel em 11 de dezembro, e em São Paulo, no Bar Alto, em 14 de dezembro.

harlequin lady gaga
(Foto: Divulgação)

“Harlequin”, Lady Gaga

Lady Gaga lançou álbum surpresa, “Harlequin”, inspirada em Harley Quinn, personagem que interpreta no filme “Coringa: Delírio a Dois” , que estreiou no último dia 3. Este é o primeiro álbum de jazz desde a morte de Tony Bennett, com quem gravou o estilo. Com produção executiva da artista e de Michael Polansky, o trabalho conduz ouvintes por uma jornada que transcende gêneros, ao mesmo tempo em que captura a essência de uma das figuras pop mais icônicas e caóticas. “Harlequin” explora a complexidade emocional e crua de uma mulher que prospera no caos, uma força que não pode ser contida. O disco traz standards clássicos para a era contemporânea. como “World on a string”, “Good morning”, “Get happy”, “Oh, when the saints” , “World on a string” , “If my friends could see me now” e “That’s entertainment” e “The Joker”.

sophie
“Sophie”, Sophie

“Sophie”, Sophie

A musicista escocesa Sophie Xeon, conhecida, artisticamente como Sophie, foi uma pioneira em produção musical, conhecida por uma abordagem impetuosa e “hipercinética” da música pop. Ela trabalhou com artista do selo PC Music, incluindo Charli XCX, Madonna e Kim Petras, a última umas das colaboradoras do álbum póstumo de Sophie, autointitulado. O volume ainda tem colaborações com amigos próximos da produtora, como Doss, Hannah Diamond, Bibi Bourelly. Evita Manji, Popstar e Cecile Believe. O álbum foi criado com a colaboração do irmão de Sophie, o produtor  Benny Long, e leva os ouvintes em uma jornada pela pura imaginação da artista, com suas texturas e marcas registradas, descritas pelo New York Times como “futurísticas, inovadoras e influentes”. Sophie morreu em janeiro de 2021, após uma queda acidental do telhado de um prédio de três andares em Atenas, Grécia.  O álbum foi lançado como um vinil duplo, com cada lado representando uma seção diferente.

Eu unca fui embora Fresno

“Eu Nunca Fui Embora Parte 2”, Fresno

“O meu amor tem camadas / Cê foi tirando, tirando, até não sobrar nada”, cantam Lucas Fresno, vocalista da banda de emocore gaúcha Fresno, e a dupla Chitãozinho e Xororó em “Camadas”, faixa que encerra a segunda parte de “Eu nunca fui embora”. E não é que o casamento deu mais do que liga? O emocore é mesmo parente da sofrência e do sertanejo, como fica provado. O volume ainda tem mais feats, com a diva maior da voz, a gaúcha Filipe Catto, e outras bandas de hardcore, como Dead Fish e NX Zero. A banda tem um dos melhores shows da atualidade, como comprovaram em passagem pelo Terrazzo, no ano passado. Destaque para as faixas “A gente conhece o fundo do poço” e “Essa vida ainda vai nos matar”, com a Dead Fish, que abordam as vitórias e as derrotas de quem vive pela arte.

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