Thiago Miranda lança ‘NorDestino’ nas plataformas digitais
Projeto conta com diversas participações e é primeiro álbum totalmente autoral do cantor

O músico juiz-forano Thiago Miranda lança nesta sexta-feira (4), em todas as plataformas de streaming de música, seu álbum “NorDestino”. O projeto, primeiro totalmente autoral do cantor, é um mergulho nas sonoridades e gêneros nordestinos. Para celebrar o lançamento do disco, ele faz uma apresentação no Cine-Theatro Central dia 20 de abril, por meio do projeto Palco Central, às 19h30. Os ingressos são gratuitos e podem ser retirados na portaria do teatro com meia hora de antecedência ou com envio para o nome pelo WhatsApp (32)99811-6983.
Um trabalho ‘a mil mãos’
O projeto “NorDestino” foi iniciado durante o período da pandemia da covid-19. À época, Thiago organizava lives durante a semana em suas redes cantando o próprio repertório, homenageando alguns artistas, além de alguns pedidos do público de uma canção ou outra. Eram horas de apresentação, por vezes, sem pausa. Inicialmente, eram 40, 60 assistindo ao show. Entretanto, gradualmente, a plateia foi aumentando. E se antes era possível ler e conversar com o chat com calma, de maneira íntima, com a “multidão” on-line isso foi se tornando cada vez mais difícil.
Mesmo assim, Thiago foi se intrigando com a diversidade geográfica de seu público. Com uma carreira de mais de 20 anos como músico residente em Juiz de Fora, sua voz chegava, praticamente, do Oiapoque ao Chuí. E, por algum motivo, a rosa dos ventos indicava o Nordeste como destino musical. Cada vez mais músicas de Luiz Gonzaga, Alceu Valença e Gonzaguinha, entre outros músicos da região, eram solicitadas nas lives. O artista começou a estudar mais a fundo os ritmos nordestinos. Sua produção, inicialmente voltada para o samba e a MPB, foi alterada para caber na batida do xote, no passo do forró, na bateria do axé, entre outros.
“Fui abraçado pelo Brasil inteiro, mas especialmente pelos nordestinos. Acho que isso tem muita relação com espontaneidade. Fazia maratonas de quase 8h nas lives, sem parar. Depois passei a lanchar em live – talvez isso tenha contribuído nessa aproximação, pois tanto mineiros quanto nordestinos são muito receptivos. Criou-se uma cumplicidade. Acima de tudo, nós nos reconhecemos um no outro. Eles me acolheram durante a pandemia.”
Esse acolhimento foi fundamental para o desenvolvimento do álbum “NorDestino”, que contou com financiamento coletivo para acontecer. Mais de 70% do dinheiro necessário para a execução do projeto veio do “Clube do Miranda”: grupo fundado a partir das lives, que deseja retomar a maior proximidade existente antes do “boom” de público. A maior parte desses apoiadores são nordestinos e de São Paulo. Além de viabilizarem o álbum, Thiago desejou, para além das recompensas, presenteá-los com um “problema”, como ele diz: escolher quais músicas deveriam estar no álbum. Durante o período de reclusão da pandemia, o músico escreveu letras suficientes para um álbum e meio. A “batata quente” de selecionar quais ficariam de fora foi do público. Esse é um dos fatores que fazem com que o músico entenda que seu álbum tenha sido realizado “a mil mãos”.
‘Coisa de destino’
“A brincadeira no nome é que realmente foi coisa de destino”, conta Thiago. Para além da afinidade com o público, criada no ambiente virtual das redes, as participações de seu disco também vieram, em alguns casos, por meio das influências do algoritmo e do acaso. Antes de trabalhar como músico, Thiago foi instrutor de forró. Dançou muito “Nosso Xote”, do grupo Bicho de Pé, que tem entre os integrantes a cantora Janayna Pereira. Ainda naquele momento de pandemia, o músico juiz-forano decidiu gravar uma resposta à canção que tanto dançou. Publicou em suas redes e, para sua surpresa, Janayna ouviu. E gostou, ao ponto de se oferecer para gravá-la junto de Thiago
Ela foi a primeira participação confirmada de “NorDestino”. Depois, também pelos algoritmos, vieram As Januárias, grupo de forró que Thiago conheceu pelas redes e “era exatamente o que estava procurando”. Elas participam de “A moça e o moço”, uma das músicas mais pedidas durante o período das lives. Depois somaram-se o Trio Forrozão, Apá Silvino e duas outras participações especiais: Daniel Gonzaga – filho de Gonzaguinha – e o poeta Bráulio Bessa. O primeiro veio a convite de Thiago, que escreveu uma música inspirado em Gonzaguinha. O segundo ele conta que “paquerou durante um ano”, para que recitasse na canção um de seus poemas.
Estreia do projeto de Thiago Miranda
Para o show de estreia em Juiz de Fora, vários membros do “Clube do Miranda” – vindos de Juazeiro, Salvador, Feira de Santana, Recife, Maceio, entre outras cidades – estarão em terras mineiras para acompanhar a apresentação. Para eles, Thiago reservou uma surpresa. Na música que dedica ao clube, seus integrantes irão fazer uma participação especial, apresentando-se junto ao músico. Além dessa participação coletiva, também participam como convidados Luana Cortez e Heitor Miranda, filho de Thiago, que irá cantar Chico César.
*Estagiário sob supervisão da editora Cecília Itaborahy
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