Convidados para a festa

LEANDRA LEAL terá o seu documentário Divinas divas exibido na noite de abertura do festival DIVULGAÇÃO
Três produções de Juiz de Fora – “Feminino”, de Carolina Queiroz, “Primeiro ensaio”, de Daniel Couto, e “A fita”, de Lucian Fernandes e Thaiz Araújo – estão na 20ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes, que ocorre entre os dias 20 e 28 de janeiro, tendo como homenageadas este ano as atrizes e cineastas Helena Ignez e Leandra Leal. Além de sete longas inéditos, que concorrem na Mostra Aurora, o evento terá a exibição de 72 curtas metragens oriundos de 11 estados brasileiros, escolhidos entre 770 títulos inscritos, participando de dez mostras.
A Mostra de Cinema de Tiradentes ainda terá outras atrações durante seus nove dias de realização. Entre as homenageadas, Leandra Leal terá o seu documentário “Divinas divas” exibido na noite de abertura do festival. “A Miss e o Dinossauro”, de Helena Ignez, será exibido na Mostra Homenagem. E a organização da mostra também confirmou os sete longas inéditos que participam da Mostra Aurora: os documentários “Baronesa”, de Juliana Antunes; “Corpo delito”, de Pedro Rocha; “Histórias que nosso cinema (não) contava”, de Fernanda Pessoa; e os longas de ficção “Sem raiz”, de Renan Rovida; “Subybaya”, de Leo Pyrata; “Eu não sou daqui”, de Luiz Felipe Fernandes e Alexandre Baxter; e “Um filme de cinema”, de Thiago B. Mendonça.
Dentre os mais de 70 curtas participantes das dez mostras, há produções de Minas Gerais, São Paulo, Paraíba, Rio de Janeiro, Goiás, Espírito Santo, Pernambuco, Paraná, Ceará, Bahia e Rio Grande do Sul.
Juiz-foranos premiados
Os três curtas juiz-foranos têm em comum a participação na mais recente edição do festival Primeiro Plano e marcam a estreia dos quatro cineastas na Mostra de Cinema de Tiradentes como diretores (Daniel já havia participado como montador de outras produções, e Carolina fez a direção de arte de “Cabrito”, de Luciano de Azevedo, que participou em 2016). “O filme foi selecionado para a mostra ‘Cena mineira’, que abriga apenas cinco filmes. Acredito que a curadoria tenha selecionado (o curta) por representar um fragmento do que vem sendo produzido em Minas e por ter também um caráter experimental, que é um pouco o viés do festival”, diz Daniel Couto. “Conseguir entrar em um festival importante como o de Tiradentes logo com nosso primeiro filme é uma resposta ao empenho de todos os envolvidos, desde equipe e elenco até os amigos que torciam pelo filme”, comemora Lucian Fernandes. “Nem imaginava que iria voltar com um filme dirigido por mim, me faz pensar sobre tudo o que aconteceu de lá pra cá e como eu cresci profissionalmente”, afirma Carolina Queiroz.
As produções juiz-foranas já haviam se destacado no Primeiro Plano. “A fita” recebeu Menção Honrosa na Mostra Competitiva Regional, “Primeiro ensaio” foi agraciado com Menção Honrosa no Prêmio 365 Filmes, e “Feminino” conquistou o Prêmio Luzes da Cidade, Voto do Público e Menção Honrosa na Mostra Competitiva Regional. Além disso, o curta de Lucian e Thaiz obteve o primeiro lugar em Ficção na Mostra de Cinema e Audiovisual do SIPAD (MOCINA) de 2016, e participou da Mostra de Curtas Painel Audiovisual 2016, Seda JF 2016 e foi exibido no Museu da Imagem e do Som de São Paulo. “Feminino”, por sua vez, foi selecionado para o Festival Pop Porn, em São Paulo, o Festival de Caratinga, o Allu Cinema Fest, no México, e o Fringe! Queer Film & Arts Festival, em Londres (Inglaterra).
Diversidade de temas

FEMININO, DE Carolina Queiroz, já participou de festival na Inglaterra DIVULGAÇÃO
Cada produção marca um estilo diferente de se fazer cinema e de tratar de questões diferentes. “Feminino”, por exemplo, atirou no que viu e acertou no que não viu. O filme foi desenvolvido para uma disciplina do IAD e acabou chegando à Inglaterra devido à questão de diversidade de gênero tratada no curta, que mostra o pré-carnaval de Juiz de Fora pela visão da personalíssima figura de Nino de Barros.
“O curta foi gravado durante 2015, de forma totalmente independente, pela produtora da qual faço parte, a Old Man Filmes. Trabalhamos apenas com os equipamentos que nós já tínhamos, e os únicos gastos foram com gasolina e taxi”, conta Carolina, para quem a participação no festival inglês foi importante para reforçar o debate a respeito da diversidade de gênero. “Qualquer exibição leva o assunto pra frente, mas um festival dessa importância atinge mais pessoas e expande a discussão para indivíduos que talvez não entendam muito bem as questões de gênero. Eu acredito que o carisma do Nino torne a discussão mais leve, facilitando o entendimento para algumas pessoas que têm aversão ao tema.”

A TENTATIVA de fazer documentários que nunca chegam a se concretizar é o tema de Primeiro ensaio, de Daniel Couto DIVULGAÇÃO
Produção igualmente independente, “A fita” foi gravado no segundo semestre de 2015 e se passa em março de 1996, no momento em que muitos brasileiros lamentavam o acidente de avião que matou os integrantes do grupo Mamonas Assassinas. É nesse cenário, explica, Lucian, que uma família tenta se adaptar com sua filmadora VHS, comprada há pouco tempo. “Pedro, o irmão mais velho, pensa em outras possibilidades de filmar, sem imaginar quanto problema uma fita poderia causar”, explica Lucian Fernandes.

PASSADO EM 1996, A fita mostra as dores de cabeça que uma inocente gravação em VHS pode causar GUILHERME HAGLER/DIVULGAÇÃO
“Primeiro ensaio” pode ser considerado “um documentário autorreferente”, segundo Daniel Couto. “É sobre a vontade de se fazer documentários, ter todas as ferramentas e ideias e não colocá-las em prática. É um filme experimental, que brinca com os clichês do próprio gênero, ao mesmo tempo em que desvela diversas realidades que poderíamos retratar e optamos por não aprofundar em nenhuma. Por isso acabou virando só um ensaio mesmo. É difícil explicar, tanto que a sinopse é ‘entre ditos e não-ditos, sobre e tentar e fazer documentários’.”









