MEC reconhece curso oferecido em Moçambique pela UFJF e outros parceiros
Iniciativa conclui um ciclo que teve início em 2012, quando os estudantes africanos iniciaram a graduação
O curso de Bacharelado em Administração Pública ofertado pela Universidade Aberta do Brasil (UAB), em convênio com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e a Universidade Eduardo Mondlane (UEM), em Moçambique, foi reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC). A iniciativa conclui um ciclo que teve início em 2012, quando os estudantes africanos iniciaram a graduação.
O reconhecimento foi realizado, no último dia 10, e os alunos da graduação receberam a dupla certificação, considerada um ponto diferencial da oferta em Moçambique, pois o diploma emitido pela UEM é chancelado no Brasil pela UFJF. Dessa forma, tem validade nos dois países, dando chance aos alunos de exercerem sua profissão onde houver oportunidade. Este modelo foi objeto de pesquisa entre as universidades brasileiras, mas a forma e a sua legalidade foram arquitetadas pela Coordenadoria de Assuntos e Registros Acadêmicos (Cdara) da UFJF.

Como aponta o pró-reitor de Infraestrutura e Gestão da UFJF e ex-coordenador do curso, Marcos Tanure, são inúmeros fatores relevantes para que a oferta do curso acontecesse. “Para Moçambique, conseguimos formar 71 servidores das províncias de Maputo, Beira e Lichinga. Para a UFJF, o primeiro e único curso internacional da Universidade.” Tanure ressalta que foram muitos desafios e adaptações para as peculiaridades de Moçambique, como, por exemplo, disciplinas específicas para o curso, respeito à cultura moçambicana e discentes com ênfase na linguagem oral e não escrita, entre outros.
Para o pró-reitor de Graduação da UFJF, Cassiano Amorim, o curso de Bacharelado em Administração configura uma importante e interessante iniciativa no campo de formação de quadros para o serviço público, considerando a aproximação entre os dois países do eixo sul. “Fez parte de um robusto projeto de parceria entre Brasil e países africanos, em que a UFJF pôde oferecer o curso de Administração Pública a distância, com grande participação e alta taxa de sucesso, verificada pelo número de formandos em Moçambique.”
No âmbito da configuração político-pedagógica, a parceria foi considerada um grande desafio para a UFJF, assim como para a UEM, levando em conta que todo o curso foi organizado a partir do Centro de Educação a Distância (Cead) da UFJF, com a participação da universidade do país africano.
Experiência humana
De acordo com a coordenadora adjunta da UAB e coordenadora do Projeto de Monitoramento e Avaliação Institucional do Programa UAB/Moçambique, junto à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Eliane Borges, foi uma iniciativa rica, em que seus frutos estão espalhados nos itinerários dos graduados e na experiência de professores e gestores. “Minha principal preocupação foi com a implantação e o desenvolvimento de um projeto inédito e pioneiro, e com as diferenças culturais envolvidas. A experiência é extremamente marcante e, basicamente, humana”, avaliou, acrescentando que, a despeito das dificuldades, houve poucas desistências entre os alunos.
O curso
O projeto pedagógico foi construído coletivamente entre a UFJF e a UEM, a partir de várias missões internacionais, com configuração pedagógica baseada no curso de Administração Pública a distância do Programa Nacional de Formação de Administradores Públicos (PNAP/UAB) e do curso de Licenciatura em Administração Pública presencial da UEM. As aulas foram ministradas por docentes da UFJF e da UEM, e a produção de material didático foi de autoria de professores brasileiros e moçambicanos, com coordenação e supervisão da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis da UFJF.
O curso teve duração aproximada de quatro anos e meio, e o Moodle foi o Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) utilizado. O software foi instalado nos servidores da UEM, em Moçambique, e gerenciado pela Coordenação de Tecnologia da UFJF.









