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Comemoração de aniversário termina em mordida e garrafada no Alto dos Passos

Moradores da região gravam mais um conflito na rua; estopim foi desacerto na conta de aniversariante

Por Sandra Zanella

22/04/2019 às 16h54- Atualizada 22/04/2019 às 16h57

Imagens feitas da Rua Dom Viçoso revelam mais uma briga generalizada em via pública envolvendo vários jovens no Alto dos Passos, na Zona Sul de Juiz de Fora. Os agressores trocam socos, chutes e empurrões em frente a um dos bares. Garrafas e copos também são arremessados e usados nos ataques, inclusive contra mulheres. As gravações divulgadas pela Sociedade Pró-Melhoramentos (SPM) do bairro nesta segunda-feira (22) reforçam que as longas comemorações – como a da final do Campeonato Carioca, que teve Flamengo e Vasco na disputa na noite de domingo – continuam terminando em conflitos em uma das regiões da cidade onde há mais concentração de bares e restaurantes, tirando literalmente o sono dos moradores.

Desta vez, no entanto, o desentendimento não teria sido causado pelas chamadas gangues ou grupos rivais. Naquela noite, conforme ocorrência registrada pela PM, o estopim para a confusão foi o desacerto entre dois casais na hora de pagar a conta em um bar, escolhido por uma das mulheres para comemorar o aniversário dela com os amigos. A aniversariante, 22, teve o rosto mordido por uma agressora ao entrar em vias de fato, enquanto o namorado dela, 28, levou uma garrafada na cabeça, ocasionando dois cortes. Eles foram atendidos no local pelo Corpo de Bombeiros e pelo Samu, sendo encaminhados ao HPS.

‘Agressão física com garrafa de cerveja em bar’

No registro, os bombeiros destacam terem sido deslocados para “atendimento de agressão física com garrafa de cerveja em bar”. Já a PM, seguiu para o endereço após ser acionada para uma “rixa”. Em determinado ponto da briga mostrada nas imagens, o grupo se espalha e invade uma das pistas de veículos, colocando suas próprias vidas em risco. Pelo menos três viaturas da PM foram mobilizadas. Uma delas ocupou a rotatória no cruzamento com a Rua Severiano Sarmento, enquanto outra parou na esquina da mesma interseção, onde vários militares desembarcaram. Uma terceira unidade estacionou no meio da Dom Viçoso.

O outro casal envolvido na briga inicial também esteve presente para registrar a ocorrência e assinou termo circunstanciado de ocorrência (TCO) para comparecer ao Juizado Especial Criminal em data marcada. Os envolvidos relataram à polícia que procurariam atendimento médico posteriormente.

Copo atirado

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A jovem de 23 anos que comemorava com a amiga relatou aos policiais que os dois casais estavam no bar e, quando chegou o somatório dos gastos, a aniversariante não concordou com o valor, iniciando o desacerto. A mulher afirma ter sido atingida por uma copada, desferida pelo companheiro da amiga contra ela, causando um corte superficial em seu lábio superior. Durante a confusão, ela ainda teve a bolsa levada, com documentos pessoais.

Já o namorado da jovem agredida com copo, 30, confirmou aos militares o motivo das desavenças, ressaltando que as partes são amigas e haviam saído juntas para comemorar, como sempre faziam, “mas que isso nunca aconteceu”. A própria celebrante afirmou à PM não ter concordado com a cobrança, alegando que a amiga dela iniciou uma discussão, sendo essa a motivação das agressões.

Moradores cobram mais policiamento preventivo

A presidente da Sociedade Pró-Melhoramentos (SPM) do Alto dos Passos, Rita de Cássia Guimarães Pipa, destacou que a briga de domingo (21) voltou a incomodar os residentes da Dom Viçoso e imediações. Por meio da Rede de Vizinhos Protegidos, os moradores trocaram informações e acionaram a PM, que compareceu rapidamente ao local, por volta das 23h. Rita de Cássia observa, no entanto, que a polícia deveria trabalhar de forma mais preventiva, a fim de evitar esses conflitos muito comuns, principalmente em dias de comemorações de jogos importantes, como a clássica final do Carioca entre Vasco e Flamengo.

“Ligo para a polícia de segunda a segunda, e faço boletim de ocorrência de dez em dez minutos. Aqui virou ponto dessa moçada, são pessoas de vários bairros, e não só daqui da região. Os bares falam que não têm responsabilidade, mas isso tem sido uma constante”, disse a presidente, se referindo aos confrontos em via pública. “A polícia ainda é dos órgãos que mais nos dão apoio, somos privilegiados. Mas acho que a prevenção é o mais importante, porque qualquer comemoração acontece aqui e causa essa sensação de insegurança. Estamos adoecendo por causa dessas coisas.”

Para Rita de Cássia, faltam mais ações conjuntas entre os diversos braços do município que podem colaborar com a questão da segurança pública no Alto dos Passos, como a Secretaria de Meio Ambiente e Ordenamento Urbano (Semaur), a Settra, o Comissariado de Menores e a própria PM. “Aqui virou ‘Faixa de Gaza.'” Segundo ela, em uma reunião ainda nesta segunda com a Prefeitura ela cobraria uma fiscalização mais rígida e efetiva nos bares. “Alguns estão reivindicando horários além da meia-noite (para mesas nas calçadas) porque acham que estão sendo prejudicados, mas isso são os poucos que não têm compromisso social com o bairro.”

Aglomerações, brigas e reclamações constantes

A aparente queda de braço entre moradores e proprietários de bares no Alto dos Passos, que defendem o sossego e a prosperidade de seus negócios, respectivamente, tem sido intensificada diante das ocorrências em via pública, sobretudo de brigas generalizadas. Frequentemente o assunto é tratado em reportagens da Tribuna, com a última, publicada em 11 de fevereiro. Na época, um tumulto registrado na Praça do Bom Pastor, após a realização de um evento, migrou para o vizinho Alto dos Passos, onde episódios de perturbação do sossego, como brigas, correria, carros com som alto, consumo de bebida alcoólica e urina na frente de imóveis deixaram moradores indignados.

Na ocasião, a presidente da Abrasel, Carla Pires, considerou que a aglomeração de pessoas nas ruas do Alto dos Passos não tem ligação direta com os bares, já que a maioria das pessoas que permanecem ali levam a própria bebida para o local, assim como no caso de carros de som. “Essas pessoas não são o público dos bares associados.” Para ela, é preciso criar espaços de lazer para atender a juventude de Juiz de Fora, que acaba migrando de bairro em bairro em busca de diversão. Além disso, conforme a presidente, os estabelecimentos associados à Abrasel recebem orientação para adotar medidas a fim de garantir a tranquilidade dos moradores, como respeitar os horários e não manter som nas portas.

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