Setembro Verde: hospital de Juiz de Fora realiza primeiro transplante de cartilagem da Zona da Mata
Procedimento inédito na região amplia atuação da instituição de saúde, que também retomou o transplante de fígado e prepara a realização de transplantes renais
O Hospital Monte Sinai, em Juiz de Fora, ampliou neste ano a atuação na área de transplantes. A unidade retomou o programa de transplante de fígado, prepara os processos necessários para realizar transplantes renais e fez recentemente o primeiro transplante de cartilagem da Zona da Mata.
O procedimento de cartilagem integra o programa de transplante de tecido musculoesquelético, desenvolvido em parceria com o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), do Rio de Janeiro. O hospital também realiza transplantes de córnea e de medula óssea.
As ações ganham destaque durante o Setembro Verde, campanha de conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos. O mês inclui o Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado em 27 de setembro e instituído pela Lei nº 11.584/2007.

Primeiro transplante de cartilagem da Zona da Mata
O primeiro transplante de cartilagem realizado na região teve como paciente um jovem diagnosticado com osteocondrite dissecante, condição na qual uma parte da cartilagem articular pode sofrer destacamento e necrose. Segundo o hospital, os tratamentos convencionais realizados anteriormente não haviam apresentado o resultado esperado.
O tecido utilizado no procedimento foi solicitado ao Banco de Tecidos Musculoesqueléticos do Into, responsável pela captação, pelo processamento e pela distribuição desse tipo de material.
O Monte Sinai possui credenciamento do Ministério da Saúde para o programa de transplante de tecido musculoesquelético. A equipe inclui ortopedistas credenciados nas áreas de joelho, ombro e cotovelo, quadril, pé e tornozelo e reconstrução.
Transplante de fígado foi retomado neste ano
O programa de transplante hepático também voltou a funcionar no Monte Sinai em 2026. O primeiro transplante de fígado realizado no hospital ocorreu em setembro de 2017, mas o serviço foi interrompido posteriormente. A retomada ocorreu em abril deste ano.
Além de realizar transplantes, o hospital atua na captação de órgãos por meio da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Cihdott).
De acordo com a instituição, a autorização das famílias continua sendo um dos principais obstáculos para ampliar o número de doações. Dados apresentados pelo hospital apontam que cerca de 45% das famílias ainda recusam a doação de órgãos no país e que quase 50 mil pacientes aguardam por um transplante.
“Sem doação, não há transplante. Por isso, este é um debate que precisa envolver a sociedade: entender o protocolo de morte encefálica e conversar com a família sobre doação de órgãos pode significar tempo e vida para quem está na fila”, afirma o hepatologista do Hospital Monte Sinai Dr. Fábio Pace.
O hospital também iniciou os procedimentos necessários para implantar o programa de transplante renal.
Hospital realiza transplantes de córnea desde 2013
Os transplantes de córnea são realizados no Monte Sinai desde 2013. Os procedimentos são feitos por especialistas credenciados em um centro cirúrgico destinado à oftalmologia.
Segundo dados divulgados pelo hospital, 346 transplantes de córnea haviam sido realizados na unidade até junho deste ano. O MG Transplantes informou recentemente que a fila de espera por córneas em Minas Gerais foi zerada.
Transplante de medula óssea
O Monte Sinai também realiza transplantes de medula óssea. Embora a medula não esteja classificada da mesma forma que órgãos e outros tecidos transplantáveis, a doação também integra as campanhas de conscientização realizadas em setembro. O Dia Mundial do Doador de Medula Óssea é celebrado no terceiro sábado do mês, que, em 2026, será em 19 de setembro.
A unidade atua em parceria com o Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) e realiza coleta de células por aférese de doadores compatíveis com pacientes do Brasil e de outros países.
Segundo os números apresentados pelo hospital, foram realizados 230 transplantes autólogos, nos quais são utilizadas células do próprio paciente, e 25 transplantes alogênicos, feitos com células de doadores.
Tópicos: Monte Sinai / transplante







