Feira do Livro de Juiz de Fora de 2026 aposta em autores independentes e da região
Festival cultural terá início nesta sexta-feira no Moinho; segunda parte do evento será em outubro, no Mercado Municipal
A Feira do Livro de Juiz de Fora (FLIJF) chega à sua quinta edição, com programação dividida entre setembro e outubro. A festa cultural, que aposta na valorização de autores independentes e nomes da região, terá início nesta sexta-feira (18) no Moinho, na Zona Norte de Juiz de Fora, e segue entre 8 e 12 de outubro no Mercado Municipal, com apoio da Secretaria de Turismo.
O evento reúne diferentes manifestações artísticas, trazendo lançamentos de livros, contação de histórias, palestras educacionais, números musicais, dança e teatro. Um dos diferenciais deste ano será a apresentação da Escola Estadual de Matias Barbosa em homenagem aos 70 anos do livro “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa. A programação completa pode ser conferida nas redes sociais da FLIJF.
Ao longo dos anos, o evento já reuniu mais de 70 mil pessoas interessadas em literatura. De acordo com Priscilla Thevenet, organizadora da iniciativa, a ideia é justamente promover a cultura de Juiz de Fora e região a partir de suas próprias histórias. “Os eventos literários são fundamentais para incentivar o hábito da leitura, aproximar o público dos autores e da cidade, fazendo com que esses autores fiquem conhecidos e reconhecidos”, explica ela.
Desde o princípio, a ideia era que não se tratasse de um evento de nicho, mas que reunisse autores e promovesse a diversidade entre manifestações artísticas, colocando no centro editoras independentes e autores que nem sempre estão disponíveis nas livrarias. Para ela, preencher essa lacuna em Juiz de Fora foi fundamental para aproximar a cultura da população.
Em 2026, a FLIJF conta com 17 expositores de diferentes segmentos, incluindo livrarias, alimentação e artesanato. Com o passar dos anos, o evento amadureceu ao trazer para o palco artistas e autores que também estão crescendo junto com a iniciativa — e fazem com que o evento se torne uma referência cultural para a região.
“Sem dúvida, para os autores, é muito importante esse reconhecimento e o fomento ao trabalho deles, para que eles se tornem conhecidos das pessoas e para que possam vender seus livros. Isso faz com que o autor ganhe uma notoriedade muito grande, inclusive lançando vários eventos fora da cidade”, diz.
Este ano, o evento vai ser feito em dois momentos diferentes, visando ao encontro com um público maior na cidade. Foi com esse mesmo objetivo que ela conta sobre a decisão de dividir a programação entre a Zona Norte e o Centro. “Queremos fazer com que a cultura seja mais próxima das pessoas e mais democrática, porque é um evento com programação gratuita cultural e no qual reunimos diversas manifestações artísticas”, destaca ela.
Iniciativa abre caminhos
A escritora Teresinha da Rocha Pereira, de Rio Claro, acredita que os eventos literários podem ser responsáveis por abrir caminhos para os escritores — principalmente os independentes, que precisam trilhar os caminhos por conta própria. Com mais de 30 anos de docência, quando ela escreveu sua primeira obra, “Entre o campo e a cidade: um percurso pela obra de Fagundes Varela”, esteve justamente no evento para apresentar o trabalho ao público. Naquele momento, ela conta que foi muito significativo estabelecer contato com outros autores, com o público e também conhecer lugares onde poderia apresentar seu trabalho. Mas, principalmente, perceber onde eram os espaços de resistência da literatura.
Este ano, ela irá apresentar um novo trabalho no evento, e a expectativa é de que esse diálogo se expanda. “Estar na FLIJF pela segunda vez é muito significativo. Foi justamente na FLIJF que tive a oportunidade de começar a divulgação desse trabalho, e a partir daí não parei mais. A agenda fica cheia todo final de semana, com eventos e palestras”, conta ela, que agora também já lançou “Tecidos de memórias”.
Desde a primeira participação, Teresinha conta que sua carreira literária teve um alcance bem maior. E, justamente por entender esse potencial que as mulheres na literatura têm, ela também irá fazer uma análise histórica de figuras de resistência na história da literatura, com enfoque especial para as que estavam no entorno de Fagundes Varela, poeta de sua cidade, e que sofriam diversos entraves para entrar no mundo das letras.
A escritora Michele Cardoso também chegou à FLIJF pelo desejo de entender a cena literária em que estava se inserindo, quando escreveu o primeiro livro infantil, “O aniversário do coelhinho esperto”, em 2021. Desde então, ela já escreveu e idealizou outros projetos, e garante que esse espaço a motiva a continuar, pois reúne pessoas criativas e valoriza autores dispostos a contribuir com a cultura.
“Nós precisamos desse crédito, que acreditem na nossa criatividade e competência. É uma forma de nos motivar para que nós continuemos a produzir, mesmo de forma autônoma, porque não é fácil entrar no mundo editorial. E nós continuamos, porque encontramos nesse mundo pessoas que trazem a motivação de que precisamos, em uma grande troca”, diz ela.
A iniciativa, como ela defende, traz um olhar cuidadoso para a riqueza presente na literatura de Juiz de Fora e da Zona da Mata. E, tendo isso em vista, ela acredita que é um projeto que ainda deve crescer e expandir seu potencial, principalmente no que diz respeito à conexão com o público infantil e ao incentivo à leitura desde a infância. Por isso, inclusive, uma das atividades que haverá no evento é a contação de história feita por ela, com “Marianinho em: Rio Paraibuna do meu coração”. E conclui: “O mundo da literatura ainda é mágico para as crianças. Esse desejo de participar de uma feira, que é na minha cidade, vem todo ano, não importa o formato, porque o que importa é trazer para as crianças isso e proporcionar esse alcance. Faz com que eu me sinta motivada”.








