‘Notificar é proteger’: Monte Sinai realiza congresso de segurança do paciente em Juiz de Fora
Evento ocorre nesta sexta (28), no Centro de Estudos do hospital, com debates sobre cultura de notificação e cases de sucesso
Com o tema “Notificar é proteger. Silenciar é repetir”, o Hospital Monte Sinai realiza, nesta sexta-feira (28), no Centro de Estudos da instituição, o 8º Congresso da Zona da Mata de Segurança do Paciente. O encontro, que começa às 8h, é dedicado ao debate de diretrizes, medidas e práticas que garantem e humanizam o cuidado em saúde, com foco na prevenção de falhas, na qualificação da assistência e na cultura de segurança dentro das instituições. Os ingressos podem ser adquiridos pela plataforma Sympla.
A enfermeira e supervisora de Enfermagem do setor de internações, Rita de Cássia Santos, destaca que o evento também busca fortalecer a cultura de notificação entre as equipes. “Nosso objetivo é, cada vez mais, incentivar a equipe nesse processo de notificação. É a partir das notificações que nós, enquanto gestores, conseguimos traçar ações de melhoria contínua. Esse é um trabalho diário, que precisa ser feito todos os dias”, afirma.
Ela explica que há uma diferença entre circunstâncias de risco e incidentes, e que o foco é agir de forma proativa. “Trabalhamos para que o incidente nunca ocorra. Queremos que tudo fique no campo da circunstância de risco, dando respaldo e tranquilidade à equipe, dentro de uma cultura não punitiva. Isso é fundamental para que o colaborador se sinta à vontade para identificar uma possibilidade de falha e realizar a notificação. Só com a notificação conseguimos traçar estratégias, melhorar processos e garantir uma assistência segura”, reforça.
Rita também enfatiza o papel da equipe assistencial na concretização das mudanças. “Enquanto gestora, eu participo das discussões a partir de cada incidente. Mas quem coloca em prática as ações são os profissionais da assistência. Um dos nossos grandes desafios é fazer com que a equipe entenda a própria importância e o quanto é protagonista nesse cuidado.”
Complexidade do hospital e desafios atuais
Integrante do Serviço de Infecção Hospitalar do Hospital Monte Sinai, o médico Pedro Mathiasi lembra que a complexidade do ambiente hospitalar aumentou muito nas últimas décadas. “Desde os anos 2000, o hospital se tornou um dos ambientes mais difíceis de serem gerenciados. A assistência foi atropelada por uma evolução muito rápida, e tivemos que aprender com outras indústrias, como a do petróleo e a aviação, que já têm uma cultura de segurança muito forte”, explica.
De acordo com o médico, alguns dos principais problemas enfrentados atualmente estão relacionados a falhas de comunicação, erros na administração de medicamentos e infecções associadas à assistência à saúde. Ele ressalta que questões comunicacionais estão na base de grande parte dessas ocorrências e que é fundamental aprimorar a forma como as informações são compartilhadas entre as equipes. Nesse sentido, a cultura de segurança é apontada como um instrumento importante para identificar e enfrentar essas situações.
Ferramentas e fluxos para aprender com os erros
Mathiasi ressalta que o maior desafio atual é a mudança cultural dentro das instituições de saúde. “O grande desafio é sair de um caráter punitivo para um caráter de correção. A medicina sempre teve uma atuação muito individualizada, mas hoje o hospital não funciona mais assim. Não existe hierarquia rígida: todos são importantes, inclusive a equipe da limpeza, que é fundamental. Mudar essa cultura é o mais importante”, avalia.
Para enfrentar esses desafios, o hospital passou a utilizar uma ferramenta específica para notificação de ocorrências, integrada ao sistema Epimed. Segundo a enfermeira Rita de Cássia Santos, essa plataforma está disponível em todo o hospital e pode ser acessada por qualquer profissional, que consegue registrar notificações diretamente no computador, inclusive de forma não identificada, caso se sinta mais seguro. Essas informações são encaminhadas automaticamente ao Núcleo de Segurança do Paciente.
No núcleo, as ocorrências são avaliadas e classificadas quanto ao tipo – incidente ou circunstância de risco -, à existência de dano e ao grau de gravidade, que pode ser leve, moderado ou grave. A partir dessa classificação, cada gestor de área recebe a notificação e tem um prazo determinado para responder. Nos casos considerados mais graves, é necessário que, em até 48 horas, seja realizada uma reunião com a equipe multiprofissional, médicos e diretoria, a fim de discutir o ocorrido e traçar melhorias que impeçam a repetição da falha. A supervisora ressalta que esse processo busca justamente fomentar o aprendizado institucional a partir dos erros.
Mathiasi destaca ainda a importância de cuidar também de quem cuida e de envolver o paciente em todo o processo. “Não podemos esquecer de quem cuida de quem precisa ser cuidado. É fundamental que todos se sintam participativos. Um dos grandes nomes nessa área, o pediatra americano Don Berwick, diz: ‘nada sobre mim sem mim’. Ou seja, tudo o que vai acontecer com o paciente precisa ser compartilhado com ele e com quem está ao seu redor. No Monte Sinai, mesmo estando há pouco tempo, já percebo claramente o esforço do hospital para que essa cultura de participação e segurança se consolide”, conclui o médico.
Confira a programação completa:
8h – Credenciamento
9h – Welcome coffee
9h30 – Abertura, com Dr. José Mariano Soares de Moraes, diretor-superintendente do Hospital Monte Sinai
9h50 – Origens da Segurança do Paciente como trabalho de base, com Allanza Morgana Silva Lopes
10h20 – A importância da busca ativa para a segurança do paciente (ação proativa), com Liliane Oliveira Carvalho – gerente de Operações no Hospital São José, em Teresópolis
10h50 – 1º Case de Sucesso – Identificação segura, com Rita de Cássia – enfermeira do Hospital Monte Sinai
11h20 – 2º Case de Sucesso – Comunicação efetiva, com a enfermeira Letícia Helena Souza
11h50 – Debate, com mediação de Karina Ferraz Pinha – gerente de Enfermagem do Hospital Monte Sinai
12h – Almoço e visita aos stands e e-posters
13h30 – 3º Case de Sucesso – Uso seguro de medicação, com Isadora Alhadas – farmacêutica do Hospital Monte Sinai
14h – 4º Case de Sucesso – Cirurgia segura, com Dr. Fernando Paiva – anestesista do corpo clínico do Hospital Monte Sinai
14h30 – 5º Case de Sucesso – Higienização das mãos, com Dr. Pedro Mathiasi – infectologista do corpo clínico do Hospital Monte Sinai
15h – Coffee break e visita aos stands
15h30 – 6º Case de Sucesso – Implantação da ferramenta Huddle, com Fabíola Vieira Pereira – enfermeira do Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus
16h – 7º Case de Sucesso – Prevenção de lesão por pressão, com Kelli Borges dos Santos – enfermeira e professora na Universidade Federal de Juiz de Fora
16h30 – Notificar é proteger. Silenciar é repetir! Resultado efetivo das práticas de segurança do paciente, com Luana Rezende Durães – enfermeira do Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus
17h – Encerramento
*Estagiária sob a supervisão do editor Bruno Kaehler
Tópicos: Monte Sinai









