Empréstimo para obras na Gentil Forn: veja as intervenções previstas pela Prefeitura de Juiz de Fora
Em audiência pública feita na Câmara Municipal, partes levantaram preocupação com empréstimo solicitado pelo Poder Executivo, enquanto outras afirmaram que impacto seria mínimo
As intervenções previstas para a recuperação da estrada Engenheiro Gentil Forn foram detalhadas pela Prefeitura de Juiz de Fora, durante audiência pública realizada nesta segunda (13) pela Câmara Municipal. O projeto, estimado em cerca de R$91 milhões, inclui contenções de encosta, reconstrução do pavimento, obras de drenagem e implantação de passeios para pedestres. O financiamento depende da aprovação de um empréstimo de R$ 86,4 milhões, que dividiu opiniões entre vereadores e moradores diante do impacto nas contas do município.
Durante a audiência, a secretária municipal de Obras, Bruna Ferreira da Rocha, explicou que o projeto ainda está sendo desenvolvido: desta maneira, o que foi apresentado para o governo federal é o chamado projeto de captação, em que é feita uma concepção da obra para se chegar nos valores máximos, enquanto o projeto ainda é realizado.
Conforme relatado pela secretária, o projeto de captação não conta com os estudos refinados, então parte-se do pressuposto de que toda a via está instabilizada. Durante a elaboração do anteprojeto é que será avaliado se alguma intervenção pode ser feita em alguns pontos ou se todas precisam ser contínuas em todo o trecho.
Ela ainda detalhou o que está planejado:
- 1.100 metros de cortina atirantada (estrutura de contenção formada por uma parede de concreto ou estacas, reforçada por tirantes de aço ancorados no solo), com uma altura média de 8 metros;
- 4.295 metros quadrados de solo grampeado (barras de aço inseridas no terreno, combinadas com concreto projetado e drenagem) para fixação profunda do maciço;
- 635 metros quadrados de steelgrid/chumbadores (malha de aço de alta resistência fixada por barras inseridas no solo);
- 3.100 metros de rede de drenagem: 1.100 metros de canaletas laterais e 2.000 metros de escadas hidráulicas;
- 12.480 metros quadrados de reconstrução de pavimento (plataforma viária nova);
- 3.420 metros de passeios acessíveis para pedestres, uma novidade, que irá do Vale do Ipê até a Cidade Alta.
A elaboração do anteprojeto tem prazo de conclusão para agosto de 2026. A fase consiste na aprovação dele e a assinatura do contrato de financiamento, para depois ser feita a licitação e a execução das obras.
A secretária de Mobilidade Urbana de Juiz de Fora, Fernanda Baumgratz, demonstrou as consequências da interdição do local – que tem uma população atendida de aproximadamente 52 mil habitantes e um tráfego de 4,72 milhões de veículos por ano:
- Desvio de aproximadamente 12.942 veículos por dia;
- Desvio de 20 linhas de ônibus, o que representa 558 viagens diárias e 50 mil passageiros por dia;
- Aumento do tempo de viagem;
- Aumento dos custos operacionais do transporte coletivo;
- Sobrecarga da Avenida Presidente Itamar Franco;
- Utilização de vias locais inadequadas;
- Redução da confiabilidade dos horários do transporte coletivo.
O valor da obra é estimulado em R$91 milhões, total constituído por cerca de R$ 86,4 milhões do empréstimo solicitado, além de cerca de R$4,5 milhões por contrapartida municipal. Esse recurso está previsto de ser investido da seguinte maneira:
- Elaboração de projeto básico e executivo: R$ 2,6 milhões;
- Serviços preliminares: R$ 6,6 milhões;
- Estabilização da via: R$ 59 milhões;
- Requalificação da via: R$ 6 milhões;
- Drenagem: R$ 12,1 milhões;
- Administração: R$ 2,6 milhões;
- Gerenciamento: R$ 1,7 milhões.
Segundo o secretário de Governo de Juiz de Fora, Ronaldo Pinto Júnior, a administração municipal recebeu um parecer do Ministério das Cidades, explicando porque a obra não entraria nos recursos entregues pelo PAC Calamidade. Para o governo federal, ainda de acordo com Ronaldo, a obra da Gentil Forn seria classificada como estritamente de mobilidade. Mesmo tendo relação com moradias na área debaixo do Vale do Ipê, ela estaria “muito longe do impacto em unidades habitacionais que o programa de contenção de encostas exige”, segundo as palavras do secretário.
No momento destinado à participação popular, o morador do Parque Burnier, Lucas Gusmão, questionou se o empréstimo seria o único meio para a efetivação da obra.
“Neste momento, aparentemente, essa obra não afetaria a Prefeitura de Juiz de Fora, mas, e no futuro, o que nós podemos esperar? Qual capacidade nós teremos de pagar essa conta, levando em consideração o endividamento do país como um todo?”, perguntou.
A mesma preocupação com a adimplência e o comprometimento de recursos foi levantado por outros vereadores.
Maurício Delgado (Rede) ainda questionou a suposta recusa do governo federal de ceder os recursos, lembrando que é gerido pelo mesmo partido da chefe do Poder Executivo local e que, na época da tragédia, disse que ajudaria a cidade: “Nós agora temos que fazer a cobrança desse governo e do estadual também”, pontuou.
Outros vereadores se declararam favoráveis ao empréstimo, levando em consideração a importância da resolução de todos os problemas causados pela interdição da vida. Marlon Siqueira (MDB) lembrou: “a gente não está aumentando os empréstimos, está abrindo mão de dois para entrar um, com valor menor inclusive”.
Na apresentação do projeto a alguns parlamentares, a prefeita, Margarida Salomão (PT), informou que a prefeitura deixará de dar prosseguimento aos projetos de requalificação das margens do Rio Paraibuna e de construção da quinta adutora da Cesama, inicialmente previstos para serem viabilizados por meio de financiamento junto ao BNDES. O projeto da quinta adutora da Cesama tinha previsão de investimento de R$ 160 milhões, enquanto a requalificação das margens do Rio Paraibuna estava estimada em R$ 150 milhões.









