VÍDEO: Moradores improvisam passagem para sair de casa após deslizamentos no Linhares

Moradores que ficaram entre duas áreas afetadas improvisaram passagem de madeira sobre lama para sair de casa; Prefeitura afirma que abertura de acesso depende de avaliação técnica, mas não dá prazo


Por Pâmela Costa

16/03/2026 às 11h36- Atualizada 16/03/2026 às 11h55

passagem improvisada por moradores
Moradores enfrentam dificuldade de deslocamento na Rua José Sobreira (Foto: Felipe Couri)

Há mais de 20 dias, Marileia da Silva e seus vizinhos estão cercados por dois deslizamentos de terra que atingiram a Rua José Sobreira, no alto do Bairro Linhares, na Zona Leste de Juiz de Fora. Os moradores que ficaram entre as áreas afetadas foram orientados a redobrar a atenção, mas, em caso de emergência, como sair? 

No novo cotidiano, até ir ao mercado se tornou um risco. No máximo, os moradores conseguem chegar a um pequeno comércio mais próximo. Ainda assim, precisam atravessar uma área de risco. Para atravessar o trecho, moradores precisam se equilibrar em pedaços de madeira colocados em cima da terra e da lama, improvisados por eles mesmos. Segundo os relatos, a Prefeitura de Juiz de Fora esteve no local, mas informou que não seria seguro abrir uma passagem na área. Nenhuma alternativa teria sido apresentada.

“Agora será que é porque somos pobres? Ficar em um lugar ilhado, não passa ônibus, carro de aplicativo, nada. Somos pobres, sim, mas somos honestos. Só estamos brigando pelo nosso direito”, protesta a idosa, que relata se sentir isolada. Marileia mora sozinha e é aposentada. Para complementar a renda, trabalha como catadora de recicláveis. Todos os dias, a mulher de 68 anos se arrisca ao passar pela passagem improvisada e escorregadia, em que não há lugar para segurar. 

Ela conta que, em uma dessas vezes, escorregou no trecho onde, de um lado, há o barranco e, do outro, um desnível que leva à laje de uma casa na rua abaixo. O jeito foi se agarrar em galhos de árvore para evitar maiores danos. “Sou hipertensa, tenho problema no joelho, na coluna, como posso ficar atravessando aqui?”, questiona Marileia, que pede apenas uma passagem segura para sair de casa.

Além dela, crianças que vão para a escola também precisam passar pelo local, assim como outros moradores a caminho do trabalho. A situação foi registrada pela reportagem da Tribuna, que esteve na área na manhã de sexta-feira (13).

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Deslizamentos na Rua José Sobreira, Linhares (Foto: Felipe Couri)

No local, o acúmulo de lixo provoca mau cheiro e atrai moscas. Segundo Marileia, no local só passou caminhão de lixo uma vez nas últimas semanas. Há também ali, uma grande poça de água parada. Diante disso, ela questiona: se os moradores são orientados a não deixar água acumulada – como em pratinhos de plantas – para evitar a dengue, por que nada é feito naquele ponto, onde a água parada pode se tornar um foco do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. 

Procurada, a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) informou que os serviços de limpeza e remoção de resíduos seguem sendo realizados nas regiões afetadas, de acordo com as condições de acesso e de segurança para a atuação das equipes. Sobre a situação específica da abertura de uma passagem no local, o Executivo explicou que a eventual criação de um acesso para entrada e saída segura dos moradores depende de avaliação técnica da Defesa Civil e das condições de estabilidade do terreno.

Por fim, a Prefeitura afirmou que a Defesa Civil segue acompanhando e monitorando a situação. “Sobre a Rua José Sobreira, o atendimento e as medidas cabíveis observam critérios técnicos e operacionais, de acordo com a complexidade da situação verificada no local.” A administração municipal acrescentou que compreende os transtornos enfrentados pelos moradores e afirmou trabalhar para dar a maior celeridade possível às ações necessárias, “sempre com responsabilidade técnica e foco na segurança da população”.

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