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Inaugurada há quatro anos, ETE União-Indústria ainda opera aquém da capacidade máxima

Obras para captação e transporte do esgoto são principal desafio; furtos de fios elétricos e materiais metálicos nas unidades também contribuíram para atraso no funcionamento


Por Nayara Zanetti, estagiária sob supervisão da editora Rafaela Carvalho

15/05/2022 às 07h00

Em 2018, quando a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) União-Indústria, localizada no Bairro Granjas Bethel, Zona Sudeste, foi inaugurada, Juiz de Fora enxergava uma alternativa para acelerar o processo de tratamento de esgoto da cidade. Porém, após quatro anos, a estação, que está com as obras finalizadas desde o ano de inauguração, segundo a Cesama, ainda recebe poucos efluentes. Recentemente, em março deste ano, foi divulgado o Ranking do Saneamento Básico de 2022, que avalia os cem maiores municípios do Brasil, e Juiz de Fora ocupou o 7° pior índice de tratamento de esgoto. Hoje, a ETE de Granjas Bethel trata 15 litros por segundo do esgoto da cidade, embora tenha a capacidade máxima de tratar 860 litros por segundo, o que resultaria em uma melhora neste índice. De acordo com a Cesama, o atual e principal desafio é fazer o esgoto do município chegar até a estação para ser tratado.

O ambientalista e coordenador do Comitê da Bacia Hidrográfica dos Afluentes Mineiros dos Rios Preto e Paraibuna, Wilson Acácio questiona o atraso de mais de quatro anos no funcionamento da Estação de Tratamento de Esgoto União-Indústria no Granjas Bethel. “Em 2018, a ETE foi inaugurada, uma obra que teve investimento de R$ 25 milhões, com a promessa de que 860 litros por segundo de esgoto seriam tratados, 60% de toda a cidade. Hoje, ela trata 15 litros por segundo. O que está acontecendo? Por que não cumpriu-se a meta dos objetivos propostos?”, questiona Wilson.

Desde 2013, quando as obras de despoluição do Rio Paraibuna começaram, a construção da ETE de Granjas Bethel foi o maior e mais importante passo neste processo. Até o momento, a estrutura trata apenas os efluentes produzidos no Bairro Vila Ideal e parte do Poço Rico. Porém, o objetivo da estação é receber o esgoto gerado desde a ponte da Avenida Rui Barbosa, no Bairro de Santa Terezinha, Zona Nordeste, até o Bairro Vila Ideal, incluindo a cidade alta, no São Pedro. Conforme explica o diretor presidente da Cesama, Júlio César Teixeira, as obras na estação de tratamento estão completas e não há mais investimentos para fazer no local, no entanto, o que preocupa é a etapa que levará o esgoto até a estação.

O projeto de despoluição do Rio Paraibuna existe há mais de 15 anos, embora as obras tenham sido iniciadas apenas em 2013, tendo recebido investimento de R$ 105.649.896,30. Todos os percalços envolvendo da ETE União-Indústria impactam no projeto de despoluição do Paraibuna. Wilson Acácio alerta que Juiz de Fora é a cidade que mais polui dentro da Bacia do Paraíba do Sul, que corta três estados (Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais) e é considerada a maior bacia hidrográfica do Brasil pela localização geográfica.

“É inadmissível que Juiz de Fora continue sendo o rio que mais polui na bacia do Paraíba do Sul. Esse é um processo histórico de responsabilidade, uma discussão que já vai para mais de 20 anos e continua com o Rio Paraibuna cada vez mais poluído e carregando essa poluição para outras cidades. É um compromisso que temos para além do nosso município”, afirma Wilson.

Furtos de materiais metálicos dificultam avanço

Quase todo esgoto produzido em Juiz de Fora é despejado nos cursos d’água do Rio Paraibuna. De cada 100 litros despejados, apenas 7,5% passam pelo processo de tratamento, informa a Cesama. É importante que todo esse esgoto seja direcionado a coletores e transportado por interceptores.

No fim do ano passado, a companhia finalizou a construção dos interceptores às margens da Avenida Brasil, do lado direito do Rio Paraibuna, que são responsáveis por transportar o esgoto até a estação de tratamento. A conclusão dessas obras, junto com as da elevatória de esgoto Independência, permitiria que a capacidade de tratamento dos efluentes aumentasse para 37%. No entanto, ao longo do caminho, a empresa se deparou com um recorrente obstáculo: os furtos de cabos de energia e materiais metálicos em suas unidades.

Em 2021, foram registrados 24 ocorrências de furtos de material elétrico, a maioria em elevatórias de água e esgoto da cidade, com um prejuízo financeiro, sem os custos totais de recuperação, de R$ 64.500. Só em 2022, a empresa registrou cinco furtos com um prejuízo de R$ 15 mil em material elétrico. A elevatória da Independência, localizada embaixo do Viaduto Augusto Franco, também foi alvo de furto entre os dias 30 de abril e 4 de maio de 2021.

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Segundo os dados da companhia, no total, os gastos de recuperação na unidade, incluindo mão de obra elétrica e de serralheria, foram de R$ 893.500,16. No momento, a elevatória está passando pelo contrato de reposição dos equipamentos furtados, com um prazo de 90 dias, para, no final da manutenção, começarem os testes que irão possibilitar que mais esgoto chegue na elevatória e seja bombeado para a ETE União-Indústria. Se todo o processo ocorrer sem maiores percursos, a Cesama estima que a cidade irá tratar 25% do esgoto até o final deste ano, com potencial de conseguir chegar a tratar 37%.

“O prejuízo financeiro da empresa com os furtos está em torno de um milhão de reais. Agora, para a sociedade, o prejuízo é muito maior, porque você tem uma obra pronta que podia estar dando retorno à sociedade desde o ano passado e não tá porque foi depredada. Não foi só um furto não, porque às vezes entram e furtam os cabos, mas lá destruíram o transformador dos equipamentos eletroeletrônicos. Então é um desafio gigantesco”, afirma o presidente da Cesama.

ETE União-Indústria foi inaugurada em 2018, com a promessa de tratar 860 litros de esgoto por segundo, mas até hoje só trata 15 litros por segundo; obra recebeu investimentos de R$ 25 milhões (Foto: Fernando Priamo)

Separação do esgoto com a água de chuva

A Cesama destaca que outro desafio é a separação do esgoto e da água de chuva. Antigamente, era usual construir uma única rede para suportar os dois fluidos, não havia a preocupação de despoluir o rio, na verdade. Os córregos tinham e, muitos ainda tem, a função de transportar os fluidos e despejar o esgoto no rio. Agora é necessário separar a rede de água pluvial da rede de esgoto nas tubulações em toda cidade, pois a ETE só consegue operar se o material orgânico chegar puro, sem estar diluído em água.

O programa da companhia “caça esgoto” atua na substituição das redes. De 2021 até meados de abril de 2022, a Cesama já remodelou 11.285 metros de redes de esgoto, sendo que, em 2021, foram feitos 8.852 metros de substituição, e, em 2022, 2.433 metros.

Próximos passos

“O próximo passo é colocar toda essa obra que está pronta, que começa lá na ponte de Santa Terezinha e segue até a Vila Ideal, para funcionar. Essa é a prioridade, porque são muitos recursos públicos aplicados com retorno ainda muito baixo para a sociedade”, avalia o presidente da Cesama em relação a ETE União-Indústria. De acordo com Júlio, como a obra está pronta desde 2018, mas sem funcionar, é preciso verificar como estão funcionando as tubulações, pois, após anos paradas, muitas bombas podem estar queimadas. Até o momento, isso aconteceu com uma bomba utilizada como teste pela empresa.

Região de Santa Luzia não tem tratamento de esgoto

Paralelo às dificuldades relacionadas à ETE União-Indústria, a Cesama também tem outro desafio: a região do Bairro Santa Luzia, Zona Sul, que não recebe tratamento de esgoto. Para iniciar as obras de implantação dos coletores tronco, às margens do córrego Santa Luzia, a companhia estava à espera da homologação da licitação eletrônica, que ocorreu no último dia 19 de abriu. Tais obras serão feitas com o intuito de separar o esgoto das águas pluviais para que, no final do córrego, os efluentes sejam finalmente tratados.

Além disso, em uma segunda etapa, a companhia também tem planos para a construção da Estação de Tratamento Santa Luzia. Atualmente o projeto está sendo revisado por solicitação da Caixa (CEF), órgão que faz o repasse dos recursos.

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