Tópicos em alta: matheus goldoni / CPI dos ônibus / polícia / bolsonaro / reforma da previdência

Policia Civil apura suposta injúria racial cometida por vereador

Em troca de mensagens entre Castellar e morador do Monte Castelo no Facebook, parlamentar teria escrito palavas depreciativas

Por Vivia Lima

12/06/2019 às 18h02- Atualizada 12/06/2019 às 18h59

Em parte da conversa, vereador escreve que “preto, pobre e de periferia que apoia Bolsonaro e ataca Lula não merece respeito ” (Foto: Reprodução)

A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar a conduta do vereador Wanderson Castellar (PT), suspeito de cometer injúria racial contra o microempreendedor Renato Gonçalves, de 34 anos, nas redes sociais. Um post instantâneo, com duração de 24 horas no Facebook, que tratava acerca da reforma da Previdência, teria sido o estopim da conversa entre ambos, terminando em caso de polícia. No último domingo (9), após visualizar a postagem, Renato, que é morador do Bairro Monte Castelo, na Zona Norte, disse ao parlamentar que lançasse uma campanha para capina da Rua Antônio Novais, na qual reside. Logo, como mostra as mensagem apresentadas pela Polícia Civil, o vereador responde dizendo que teria pago do seu próprio bolso para retirar entulhos de um desmoronamento de uma casa, e, em seguida, diz que o microempreendedor “deve ter votado em Bolsonaro”. A conversa prossegue até que Castellar escreve “Preto, pobre e de periferia que apoia Bolsonaro e ataca Lula não merece respeito.” O vereador ainda acrescenta “falo o que penso, meu caro”.

O morador questiona se Castellar estaria ficando doido e afirma não apoiar nenhum candidato. Entretanto, o parlamentar pergunta se Renato apoia os “capitães do mato que tomaram o poder” e acrescenta: “vai estudar história “. Os dois permanecem com o diálogo até que, novamente, Castellar escreve que preto, pobre que vota em Bolsonaro não tem amor próprio. A partir dessa conversa, a vítima foi até a delegacia para representar contra Castellar. “O Renato nos procurou dizendo que seguia o vereador nas redes sociais e, após uma postagem contrária à reforma da Previdência por parte do vereador, ele solicitou ao parlamentar que desse atenção para o seu bairro, local, inclusive, onde também reside o vereador. A partir disso, iniciaram as ofensas”, afirma Rafael Gomes, delegado responsável pela apuração do caso.

Após ser intimado, Castellar compareceu à delegacia, na manhã desta quarta -feira (12). Ao delegado, o parlamentar alegou ter intimidade para poder conversar desta forma com o homem que se diz vítima. “Ele (Castellar) informou que não queria ofender o honra da vítima, mas que fez um comentário referente à condição da vítima e de todas as pessoas que são pretas, pobres e da periferia e que quem apoia Bolsonaro defende seu próprio algoz”, explicou o delegado. No depoimento, o vereador disse ainda que se considera negro.

O conteúdo continua após o anúncio

À reportagem, Renato afirmou ter ficado ofendido pela forma como o parlamentar se referiu. “Estou sempre acompanhando o trabalho dele, e, em momento algum, eu o ofendi. Ele conhece minha família, mas não tem intimidade para me chamar de preto e pobre. Na verdade, minha mãe foi quem me apoiou a procurar a polícia, uma vez que ela também acompanha de perto o trabalho dele. Me senti muito ofendido e nem consegui dormir. Mostrei minha esposa e até ela não acreditou que seria o próprio Castellar quem estivesse escrevendo tais coisas. Diariamente, a gente sofre pela cor da pele, desde pequeno, seja na escola, no trabalho e, desta vez, resolvi dar um basta nisso, principalmente, por ele ser uma pessoa pública.”

O celular de Renato foi apreendido e seria enviado, ainda nesta quarta, para a perícia em Belo Horizonte, a fim de verificar a autenticidade da conversa. O resultado será divulgado em até 30 dias. “Preferi apreender o aparelho ao invés de imprimir a conversa, para que, no futuro, não possa existir qualquer dúvida em relação ao que foi falado e acerca da veracidade dos fatos “, afirmou o policial. Se confirmado o crime, o vereador poderá ser indiciado pelo crime de injúria racial, que é passível de reclusão, conforme prevê o artigo 140 do Código Penal. Para este caso, a pena de reclusão pode ser de um a três anos e multa, além da pena correspondente à violência, para quem cometê-la. O crime de injúria está associado ao uso de palavras depreciativas referentes à raça ou cor com a intenção de ofender a honra da vítima. Procurado, Wanderson Castellar ainda não se pronunciou.

 

 

Receba nossa
Newsletter

As principais notícias do dia no seu e-mail



Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é dos autores das mensagens.
A Tribuna reserva-se o direito de excluir postagens que contenham insultos e ameaças a seus jornalistas, bem como xingamentos, injúrias e agressões a terceiros.



Leia também

Desenvolvido por Grupo Emedia