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Motorista de aplicativo preso por suspeita de tráfico é absolvido quase um ano depois

Condutor transportava passageira do Rio para São Tiago (MG), quando foi abordado pela PRF de Juiz de Fora, que encontrou drogas na bagagem; ele ficou preso por quase um ano


Por Sandra Zanella

12/05/2022 às 18h52

Após ficar quase um ano atrás das grades alegando inocência, o motorista de aplicativo José Adriano de Souza Lima, de 46 anos, foi absolvido e ganhou a liberdade no último dia 6. Ele havia sido preso em flagrante por suspeita de tráfico de drogas em 18 de junho de 2021, durante abordagem de rotina da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no trecho da BR-040 que corta Juiz de Fora, na altura do km 784, próximo ao entroncamento com a BR-267. O condutor levava uma passageira, 26, que havia saído do Complexo do Alemão, na cidade do Rio de Janeiro, com destino ao município mineiro de São Tiago, no Campo das Vertentes. Os policiais encontraram uma bolsa e uma mochila com 329 pinos de cocaína e 202 frascos com a mesma substância, totalizando 2,1kg, além de 267 embalagens com maconha, que pesaram 2,7kg. As bagagens com as drogas continham apenas pertences femininos e estavam no banco de trás, junto com a suspeita. Mas como ninguém assumiu a posse dos entorpecentes, tanto a mulher quanto o motorista foram detidos e ficaram em unidades prisionais de Juiz de Fora.

De acordo com a advogada de José Adriano, Carla Bejani, durante os 11 meses em que ele ficou preso, houve quatro audiências de instrução e julgamento e diversos pedidos de liberdade provisória negados, incluindo habeas corpus junto ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). “Foi muito difícil enfrentar o processo sabendo que era inocente, com todos os pedidos sendo negados e a (passageira) respondendo em domiciliar”, declarou José Adriano à Tribuna. Segundo ele, a pior parte foi ficar longe da família. “A liberdade está sendo maravilhosa com a família e os amigos. Primeiramente, gratidão a Deus por ter me sustentado de pé e, segundo, agradeço à doutora Carla Bejani por não ter desistido da minha causa.”

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José Adriano é natural da Paraíba, mas mora desde criança no Rio de Janeiro, atualmente em Jacarepaguá, na Zona Oeste da capital. Ele era caminhoneiro até 2019, quando migrou para as plataformas de corrida por aplicativo. A advogada lembrou que, mesmo seu cliente tendo explicado que era motorista e que estava com a corrida ativa no aparelho celular, foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil de Juiz de Fora, junto com a passageira, ocasião em que ambos tiveram a prisão em flagrante confirmada pelo delegado plantonista. “Após longos meses de instrução processual, inclusive com a passageira em prisão domiciliar, concedida pelo STJ em setembro de 2021, José Adriano conseguiu a liberdade, com a comprovação de sua inocência.”

Já a passageira foi condenada a nove anos de prisão em regime inicial fechado e a 900 dias-multa. “As provas são cristalinas e demonstram a prática do delito de tráfico de drogas por parte da acusada”, destacou na sentença o juiz Edir Guerson de Medeiros, da 2ª Vara Criminal de Juiz de Fora.

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