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Varíola dos macacos: conheça os principais sintomas e veja como prevenir a doença

A doença teve 14 casos confirmados no estado, e conta com uma multiplicidade de formas de contágio


Por Elisabetta Mazocoli, estagiária sob supervisão de Marcos Araújo

10/07/2022 às 07h00- Atualizada 12/07/2022 às 08h00

A varíola dos macacos ou monkeypox preocupa os especialistas da área médica pela multiplicidade de formas de transmissão. A doença foi confirmada pela primeira vez, no Brasil, em 15 de junho deste ano, e, atualmente, já são 106 casos confirmados ao redor do país. Em Minas Gerais já são contabilizados 14 casos e, de acordo com o Secretário de Saúde do estado, Fábio Baccheretti, há previsão de transmissão interna nos próximos dias.

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) dos 14 casos da doença, 11 são em Belo Horizonte, dois em Sete Lagoas e um em Governador Valadares, confirmados por exames laboratoriais pela Fundação Ezequiel Dias (Funed). As pessoas contaminadas estão estáveis e em isolamento. Ao todo, já foram notificados 40 casos suspeitos de monkeypox no estado. Desses, 12 seguem em investigação e 14 foram descartados.

De acordo com o infectologista Mário Novaes, a varíola dos macacos é causada por um vírus semelhante ao da varíola humana, que era uma zoonose que circulava de forma localizada e acabou se espalhando pelo mundo. Ele explica que os sintomas clássicos são dor de cabeça, febre, dor no corpo e surgimento de lesões com pus. Mesmo depois que a infecção é contida, Mário afirma que as lesões podem deixar cicatrizes.

O contágio da doença ocorre através da secreção respiratória e dos fluídos corporais. Ele explica, ainda, que as lesões facilitam o contágio e fazem com que os riscos aumentem. “Uma pessoa com feridas pode, por exemplo, usar um casaco e esse casaco fica contaminado. Se outra pessoa encostar, pode pegar a doença”, exemplifica. A transmissão comunitária em Minas Gerais o preocupa justamente porque há uma facilidade bem grande de contágio.

O especialista afirma que “o diagnóstico clínico está diferente, o que tem gerado bastante análise”. Ele destaca que no Brasil as lesões têm aparecido na área genital, o que inclusive tem feito com que os indivíduos tenham dificuldade de identificar a doença inicialmente, e que isso também pode fazer com que as lesões se confundam com infecções sexualmente transmissíveis.

Mário Novaes explica que, a princípio, essa doença não tem alta taxa de mortalidade, mas como ainda está se espalhando, não se sabe muito sobre esse índice. Ele conta que, por enquanto, os casos mais graves estão relacionados a pessoas com alguma comorbidade. “A doença costuma deixar o indivíduo adoecido entre 14 e 21 dias, e, caso exista qualquer sintoma, o sistema de saúde deve ser notificado”, alerta.

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Proteção imunológica para o monkeypox

O imunologista Fernando Aarestrup explica que a vacina comum usada contra a varíola de humanos oferece uma proteção significativa contra a varíola dos macacos, chegando a atingir 80% de proteção contra a doença. Essa vacina, no entanto, não era utilizada há muitos anos no Brasil, porque a doença já tinha sido erradicada. “Ainda não temos um estado de alerta, mas é importante voltar a produzir essa vacina e fazer campanha”, ele diz.

Ele também analisa que, no cenário atual, a transmissão comunitária “é praticamente certa”. Analisando como a doença se comportou na Inglaterra, ele vê que os casos se espalham com facilidade entre as pessoas, e por isso é preciso que a população entenda que “existe mais uma ameaça e tome medidas de proteção”.

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Situação epidemiológica de JF segue em análise

De acordo com a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), não há no município casos suspeitos ou em investigação de monkeypox, tendo sido descartado o único registro notificado. “Reforçamos que a transmissão comunitária, quando não é possível identificar a origem da infecção, não aconteceu em nenhum momento em Juiz de Fora”, afirma, em nota. A Secretaria de saúde também acrescenta que a situação segue sendo orientada e vigiada de acordo com os protocolos do Ministério da Saúde.

Para evitar a transmissão, o imunologista afirma que é preciso tomar as medidas já conhecidas em relação à Covid-19. No caso de contágio, ele explica que é preciso se isolar completamente, mesmo dentro de casa, e também “usar utensílios diferentes das demais pessoas”.

Aarestrup ainda destaca que, apesar do alerta, essa doença é mais facilmente identificável do que a Covid-19 justamente devido às lesões na pele. Para ele, “as vacinas são a melhor forma de ter uma resposta imunológica efetiva, seja em relação a essa ou a outras doenças”.

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