Após encontrar corpo dentro de poço, bombeiros encerram buscas
Segundo o Corpo de Bombeiros, não há indícios ou elementos que reforcem necessidade de continuidade de escavação no local, apesar de denúncia sobre suposta segunda vítima
O Corpo de Bombeiros informou, no início da noite desta quarta-feira (10), que encerrou as buscas no poço localizado na Rua João D’Agosto, no Bairro São Geraldo, Zona Sul, após a localização de segmentos humanos na tarde do mesmo dia. De acordo com o órgão, não há indícios que reforcem a necessidade de continuidade da escavação no local, apesar de haver denúncia sobre uma suposta segunda vítima que teria tido o corpo jogado no mesmo local. Além disso, os bombeiros destacaram que há riscos para os militares devido à profundidade da escavação.
Os segmentos humanos foram encontrados por volta do meio-dia desta quarta. A perícia da Polícia Civil também estava no local, e o corpo foi encaminhado ao IML. Agora, os restos mortais encontrados passarão por um processo de identificação.
Conforme os bombeiros, ainda não é possível afirmar que se trata do adolescente de 14 anos que está desaparecido desde novembro de 2023. As buscas tiveram início no local após a família do menino procurar a polícia informando que teria recebido uma denúncia de que o adolescente teria sido assassinado e de que o corpo estaria dentro do poço. Entretanto, os militares informaram que “devido ao tamanho e formato dos segmentos, além das vestimentas encontradas, é possível que pertençam a uma pessoa de baixa estatura”.
De acordo com o tenente Rafael Barros Teixeira, do Corpo de Bombeiros, os militares alcançaram cerca de 17 metros de profundidade do poço. Apesar de localizarem um corpo e trabalhar em sua retirada, as buscas se mantiveram durante a tarde na expectativa de encontrar uma segunda vítima, considerando a denúncia anônima sobre essa possibilidade. Porém, os trabalhos, que tiveram início no último domingo (7), foram suspensos no início da noite.
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Riscos para os militares
O local, de difícil acesso, demandou equipamentos de proteção respiratória. Por conta da contaminação do poço, os militares que atuaram na área receberão atendimento médico. “Teremos o nosso apoio médico depois, com medicamentos para todo militar que teve contato com uma água dessa natureza deve receber para que não haja nenhum dano à saúde.” Ainda conforme o tenente, a informação à que os bombeiros tiveram acesso é de que o poço estaria desativado há cerca de seis meses.
Conforme o Corpo de Bombeiros, mesmo com a suspensão das buscas, a corporação irá continuar acompanhando as investigações da Polícia Civil. “Qualquer novo indício ou informação confiável poderá acionar novamente a equipe, que está atenta às solicitações dos órgãos de segurança e dos familiares”, informou. “É importante destacar que as equipes do CBMMG vêm realizando escavações e remoção de terra e lama há três dias, atingindo uma profundidade de quase três metros. Nesse ponto, a operação entrou em uma fase de alto risco para os militares, pois a remoção de lama no fundo da cisterna, além de ser um trabalho mais pesado, pode comprometer as paredes da estrutura, podendo, assim, colapsar sobre os militares.”
Suposta segunda vítima está desaparecida há seis meses
A suposta segunda vítima desaparecida seria Walbert Pedro da Silva, de 20 anos. Os familiares dele receberam uma denúncia anônima nesta terça-feira (9), que dizia de que o corpo do jovem também estaria no poço. O rapaz está desaparecido desde julho de 2023.
De acordo com sua irmã, Fabiana Cristina, ele é morador do Bairro Araújo, na Zona Norte de Juiz de Fora, e foi realizar um serviço de reforma com seu sogro no Bairro Bela Aurora, na região Sul. Lá, teria sido convidado para conhecer o bairro, entretanto, não retornou. Durante os últimos meses, a família recebeu denúncias de que ele teria sido assassinado, mas ainda continua sem respostas do que ocorreu ou de onde o jovem poderia estar. Familiares acompanharam a busca dos bombeiros durante esta quarta-feira.
“A gente veio porque já são seis meses de muita luta, são seis meses de correr e não encontrar, de não ter resposta, da Polícia Civil falando que está investigando e até o momento nada. A investigação se encontra parada, e está sendo uma dor terrível para a família inteira. Rezo para que seja o meu irmão mesmo que esteja ali dentro, que sejam os restos mortais dele, para ele poder descansar em paz e a gente poder seguir nossa vida, porque é uma dor imensa, só sabe quem está passando por essa dor”, desabafa.