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Jogador juiz-forano deve chegar ao Brasil na quinta-feira

Ele aguarda na Polônia para um vôo que o levará a Amsterdam e posteriormente de volta para o Brasil


Por Mariana Floriano, sob supervisão da editora Luciane Faquini

02/03/2022 às 17h10

Após sete dias lutando para deixar a guerra no Leste Europeu, o jogador juiz-forano, Guilherme Smith, deve retornar ao Brasil nesta quinta-feira (3). Ele atravessou a fronteira da Ucrânia com a Polônia na última terça-feira (1º) e planeja embarcar em um avião para Amsterdã, na Holanda, e posteriormente para o Brasil.

Essa é a expectativa de seu pai, o ex-jogador do Sport e Tupi, Luiz Cláudio de Carvalho, mais conhecido como Claudinho, que está em contato constante com o filho de apenas 18 anos. Em entrevista à Rádio Transamérica, na manhã desta quarta-feira (2), Claudinho deu detalhes da luta de Guilherme para deixar o cenário de guerra e retornar ao Brasil.

O juiz-forano está acompanhado de dois colegas de time, Cristian Fagundes e Juninho Reis, que viaja com sua esposa, Vitória, e o filho, Benjamin, de 4 anos. De acordo com Claudinho, o grupo percorreu mais de 50 quilômetros para chegar à fronteira com a Polônia. “Foi a parte mais difícil para nós”, conta. Segundo relatos do pai, Guilherme teria sido agredido por policiais ucranianos durante a tentativa de deixar o país. “Estávamos em uma chamada de vídeo, e ele me mostrou outras pessoas que também estavam na fila sendo agredidas. Os policiais mandaram eles retornarem porque não iriam passar.”

Após toda a caminhada, Guilherme e os colegas estavam exaustos e sem local para se abrigar de forma segura. “Sentaram lá e ficaram pensando no que iam fazer, já eram 5h da manhã, temperatura de menos de 5 graus. Se afastaram, acenderam uma fogueira para se esquentar até amanhecer o dia.” Quando o sol voltou a iluminar a fronteira, o grupo conseguiu uma carona com um ônibus que estava levando refugiados até a Polônia para voltar a Lviv, cidade do qual tinham saído no dia anterior.

“Eles se hospedaram no hotel em Lviv, tomaram banho, recarregaram as energias e ficamos a madrugada inteira traçando novos planos”, conta Claudinho. De acordo com ele, através da internet, ele fez conexão com outro brasileiro que estava na Ucrânia e este deu uma carona ao grupo para que eles pudessem atravessar a fronteira de carro. Em menos de duas horas, Guilherme e os colegas conseguiram chegar a salvo na Polônia. “Agendei o retorno dele para amanhã, e já compramos a passagem para Amsterdam e, posteriormente, ele vai vir para o Brasil.”

No momento, o grupo está hospedado na casa de amigos brasileiros que os acolheram na Polônia. Em uma postagem nas redes sociais, Guilherme agradece a Deus por ter conseguido escapar da guerra. “Meu sorriso nessa foto define a felicidade por ter conseguido sair de uma guerra […] Obrigado meu Deus, só de pensar que acabou todo esse pesadelo para nós. Deus abençoe todos os ucranianos que estão no momento nessa guerra, que eles fiquem bem”.

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“Meu sorriso nessa foto define a felicidade por ter conseguido sair de uma guerra”, disse Guilherme Smith, a direita, em publicação nas redes sociais (Foto: Reprodução/Instagram)

Destino profissional ainda incerto

Com 70% de seus direitos vinculados ao Zorya, da cidade de Luhansk, na Ucrânia, o futuro de Guilherme Smith parece indefinido. Como explica Claudinho, os dirigentes ainda não deram retorno sobre a situação que ficará o time.

“Eles ainda não sabem nada. Mesmo porque todos jogadores de 18 anos e todos os membros da comissão técnica até 60 anos estão lutando na guerra. […] O campeonato está suspenso. A gente acredita que não volte. Até mesmo por causa de toda destruição. Quando o Guilherme chegar ao Brasil, a gente vai começar a pensar o que fazer. Mesmo que o campeonato volte, a gente não quer que ele retorne para a Ucrânia. Então, vamos começar a trabalhar aqui junto com os empresários para pensar em outras alternativas que não seja a Ucrânia.”