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Uma assinatura escondida revelou o nome de um astrônomo maia pela primeira vez

Arqueólogos identificam pela primeira vez um astrônomo maia ligado a cálculos sobre Vênus e Marte em inscrições de Xultun


Por Yasmin Henrique

16/07/2026 às 18h30

Uma assinatura escondida revelou o nome de um astrônomo maia pela primeira vez
(Foto: reprodução/Molly Stephey/Smithsonian's National Museum of the American Indian)

Durante muito tempo, a ciência maia foi reconhecida pelo avanço em astronomia e matemática, mas os estudiosos responsáveis por esses conhecimentos raramente tiveram seus nomes preservados. Uma nova descoberta arqueológica mudou essa perspectiva ao associar cálculos sobre movimentos celestes a um especialista identificado.

O pesquisador foi identificado como Sak Tahn Waax, nome que significa “Raposa de Peito Branco”. A descoberta ocorreu após a análise de uma inscrição encontrada na estrutura 10K-2, no sítio arqueológico de Xultun, na Guatemala, uma sala que já era conhecida por abrigar pinturas murais e registros matemáticos da antiga civilização.

Assinatura do astrônomo maia

Assinatura e identificação

  • Uma sequência de 11 glifos revelou o nome Sak Tahn Waax, acompanhado da expressão “che-he-na”, interpretada como “assim diz…” ou “é dito por…”.
  • A inscrição indica uma relação entre o especialista e os cálculos, embora não confirme se ele foi autor, supervisor ou responsável pela elaboração.

Cálculos astronômicos

  • O registro apresenta fórmulas sobre os ciclos de Vênus e Marte, incluindo um cálculo de 2.920 dias, equivalente a cinco ciclos de Vênus.
  • Os pesquisadores estimam que o material tenha sido produzido por volta de 781 d.C., durante o período Clássico Maia.

Registro científico

  • Diferente de outras inscrições maias, o texto é formado principalmente por números e operações matemáticas, sem relatos históricos ou religiosos.
  • A estrutura 10K-2, em Xultun, onde o material foi encontrado, pode ter funcionado como espaço de trabalho para especialistas antes da organização dos dados em códices.

A descoberta reforça o nível de desenvolvimento científico da civilização maia, que criou sistemas matemáticos avançados, acompanhou ciclos celestes com precisão e desenvolveu calendários complexos. Entre seus conhecimentos estavam a observação detalhada de Vênus, o uso do conceito de zero em cálculos e a combinação de diferentes ciclos de tempo.