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Os alimentos fermentados viraram febre, mas será que fazem bem ao intestino?

Alimentos fermentados ganham destaque pelos possíveis benefícios ao microbioma intestinal, mas especialistas alertam sobre consumo equilibrado e qualidade


Por Yasmin Henrique

16/07/2026 às 13h56

Os alimentos fermentados viraram febre, mas será que fazem bem ao intestino?
(Foto: reprodução/Polina Tankilevitch/Pexels)

Alimentos como iogurte, kefir, kimchi e chucrute passaram a ocupar lugar de destaque nas discussões sobre alimentação e saúde, impulsionados pelo aumento do interesse pelo microbioma intestinal, formado por trilhões de microrganismos que atuam em processos como digestão, metabolismo e defesa do organismo. 

Apesar de terem ganhado popularidade recentemente, os fermentados fazem parte da alimentação humana há milhares de anos, quando eram utilizados principalmente para conservar alimentos. A técnica ocorre pela ação de bactérias e leveduras que transformam os ingredientes, modificando sabor, textura e características nutricionais. 

Alimentos fermentados no intestino

Como os fermentados podem beneficiar o intestino:

  • Probióticos: alguns alimentos fermentados, como iogurte e kefir, fornecem microrganismos vivos que podem contribuir para o equilíbrio da microbiota intestinal.
  • Produção de compostos benéficos: durante a fermentação, são gerados metabólitos que continuam sendo estudados por possíveis efeitos no funcionamento do organismo.
  • Melhora da digestão: o processo de fermentação pode modificar componentes dos alimentos, facilitando o aproveitamento de alguns nutrientes.

Um estudo clínico da Universidade Stanford, realizado durante 10 semanas, observou que uma dieta rica em alimentos fermentados esteve associada:

  • Ao aumento da diversidade da microbiota intestinal.
  • À redução de 19 proteínas ligadas a processos inflamatórios no sangue.

Apesar dos resultados, especialistas afirmam que ainda são necessários estudos maiores para confirmar benefícios específicos e estabelecer a quantidade ideal de consumo.

O crescimento do interesse pelos fermentados acompanha pesquisas sobre a microbiota intestinal e a disbiose, alteração no equilíbrio dos microrganismos do intestino. Estudos investigam como mudanças nessa comunidade de bactérias podem estar relacionadas a processos inflamatórios e diferentes condições de saúde.

Cuidados recomendados

Mesmo com os possíveis benefícios, especialistas alertam que nem todo alimento fermentado é automaticamente saudável. Produtos com alegações de “probiótico” ou “saúde intestinal” podem exagerar seus efeitos, por isso a recomendação é priorizar opções tradicionais, com culturas vivas e pouco açúcar, como iogurte natural, kefir, kimchi e chucrute.

O consumo costuma ser seguro para a maioria das pessoas, mas deve ser introduzido gradualmente, já que pode causar gases, inchaço e desconforto no início. Pessoas com imunidade comprometida ou doenças intestinais devem buscar orientação profissional. A recomendação é variar os fermentados e incluí-los em uma dieta equilibrada, com fibras e prebióticos.