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Guinness levou três irmãs brasileiras para o centro de uma pesquisa sobre longevidade

Três irmãs brasileiras reconhecidas pelo Guinness ajudam cientistas a investigar os fatores genéticos da longevidade.


Por Leticia Florenco

15/07/2026 às 09h33

Guinness levou três irmãs brasileiras para o centro de uma pesquisa sobre longevidade

O reconhecimento internacional de três irmãs brasileiras pelo Guinness World Records ultrapassou o campo dos recordes e abriu caminho para uma importante investigação científica.

Com idades que somam 316 anos, Levita de Deus Nunes, de 109 anos, Zoraide de Deus Mota, de 104, e Zulina de Deus Nunes, de 103, passaram a integrar um estudo da Universidade de São Paulo (USP) que pretende identificar os fatores responsáveis pela longevidade extrema.

A expectativa dos pesquisadores é compreender por que algumas pessoas conseguem ultrapassar os 100 anos preservando a saúde física, a memória e a autonomia, enquanto outras enfrentam doenças e limitações muito antes dessa idade.

Caso das irmãs desperta interesse de pesquisadores

O trio foi reconhecido no último mês como o conjunto de irmãos mais velhos do mundo ainda vivos, após validação realizada pela LongeviQuest, organização internacional especializada na verificação de registros de longevidade em parceria com o Guinness World Records.

A descoberta rapidamente chamou a atenção da comunidade científica por reunir um caso raro de longevidade familiar.

Para os especialistas, quando vários integrantes da mesma família chegam à idade centenária, aumentam as evidências de que fatores genéticos possam exercer papel decisivo na preservação da saúde durante o envelhecimento.

Agora, as três brasileiras passam a contribuir diretamente para uma pesquisa que poderá ampliar o conhecimento sobre o processo de envelhecimento humano.

Projeto da USP procura genes ligados à vida longa

As irmãs foram incluídas no Projeto DNA Longevo, iniciativa coordenada pela geneticista Mayana Zatz, do Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-Tronco da USP.

O trabalho busca identificar variantes genéticas capazes de proteger o organismo contra doenças associadas ao avanço da idade.

A hipótese dos pesquisadores é que determinados genes contribuam para manter o bom funcionamento do coração, dos músculos e das funções cognitivas mesmo após os 100 anos.

Segundo a equipe responsável pelo estudo, quanto maior o número de famílias com centenários analisadas, mais precisos poderão ser os resultados da pesquisa.

Comparação entre centenários e idosos com doenças

Para encontrar respostas, os cientistas realizam uma comparação entre o DNA de pessoas que alcançaram idades muito avançadas com boa qualidade de vida e indivíduos que desenvolveram doenças crônicas, fragilidade física ou declínio cognitivo.

A proposta é identificar diferenças genéticas que expliquem a maior resistência de alguns organismos aos efeitos naturais do envelhecimento.

Caso essas características sejam confirmadas, elas poderão servir de base para futuras pesquisas voltadas à prevenção de doenças e ao desenvolvimento de novas estratégias para promover um envelhecimento saudável.

Genética pode pesar mais do que o estilo de vida

Embora alimentação equilibrada, prática de atividades físicas e bons hábitos sejam reconhecidos como fatores importantes para a saúde, pesquisadores acreditam que, em casos de longevidade excepcional, a herança genética tenha influência ainda mais impactante.

Famílias como a das três irmãs representam uma oportunidade rara para localizar os chamados genes protetores, responsáveis por reduzir o risco de enfermidades e preservar funções essenciais do organismo durante décadas.

Os especialistas ressaltam, no entanto, que fatores ambientais também continuam sendo considerados na investigação.

Rede familiar também entra na análise

Além dos aspectos biológicos, a pesquisa observa o ambiente em que as irmãs vivem.

As três moram próximas umas das outras, no Rio de Janeiro, e mantêm uma forte rede de apoio familiar.

Para os cientistas, esse convívio pode contribuir para o bem-estar emocional, reduzir o isolamento social e favorecer uma melhor qualidade de vida na terceira idade.

O estudo pretende avaliar até que ponto a combinação entre predisposição genética e suporte familiar influencia a longevidade.

Hábitos simples marcaram a trajetória das centenárias

Questionadas sobre o segredo para viver tanto, as irmãs apontam uma rotina marcada por alimentação natural e vida ativa desde a infância.

Elas cresceram consumindo alimentos frescos, produzidos sem industrialização, em uma época em que a conservação dos alimentos dependia de métodos naturais.

Também lembram que atividades como nadar, caminhar e pescar faziam parte do cotidiano, proporcionando movimento constante desde os primeiros anos de vida.

Apesar disso, nenhuma delas atribui a longevidade a uma fórmula específica, mas a uma sequência de hábitos simples mantidos ao longo da vida.

Vida comum reforça importância da pesquisa

Outro aspecto que chamou a atenção dos pesquisadores é que as três irmãs tiveram trajetórias consideradas comuns.

Levita trabalhou como artesã e posteriormente em uma emissora de televisão. Zoraide atuou como enfermeira e criou cinco filhos. Já Zulina dedicou-se à família como dona de casa e criou seis filhos.

A ausência de características consideradas extraordinárias torna o caso ainda mais relevante para a ciência, já que reforça a possibilidade de fatores biológicos exercerem influência decisiva sobre a longevidade.

Pesquisa pretende ampliar número de centenários

Os responsáveis pelo Projeto DNA Longevo afirmam que o objetivo é reunir cerca de 500 centenários brasileiros para fortalecer as análises genéticas.

Com uma base maior de participantes, os pesquisadores esperam identificar padrões capazes de explicar por que algumas pessoas conseguem envelhecer preservando a saúde física e mental por tanto tempo.