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Adolescentes reduziram o uso das redes sociais e sentiram uma mudança inesperada

Estudo revela que reduzir o uso das redes sociais melhorou o sono, a concentração e o bem-estar dos adolescentes.


Por Leticia Florenco

16/07/2026 às 18h55

Adolescentes reduziram o uso das redes sociais e sentiram uma mudança inesperada

Uma pesquisa realizada no Reino Unido trouxe novos elementos para a discussão sobre o impacto das redes sociais na vida dos adolescentes.

O estudo, apoiado pelo governo britânico, apontou que jovens entre 13 e 17 anos relataram melhorias no sono, na concentração, no humor e na convivência familiar após passarem um mês com diferentes formas de restrição ao uso dessas plataformas.

Os resultados foram divulgados em um momento em que o governo do país avalia medidas para limitar o acesso de menores às redes sociais, tema que vem ganhando força em diversos países diante das preocupações relacionadas à saúde mental e ao uso excessivo de dispositivos digitais.

Estudo acompanhou mais de 300 famílias

A pesquisa envolveu 309 famílias e avaliou os efeitos de três estratégias distintas para reduzir o tempo de exposição às redes sociais. Os adolescentes participantes foram divididos em três grupos:

  • Limite de 15 minutos por dia para cada aplicativo de rede social;
  • Bloqueio do acesso às plataformas entre 21h e 7h;
  • Remoção completa dos aplicativos dos dispositivos móveis.

As medidas permaneceram em vigor durante um mês, período em que os pesquisadores acompanharam os relatos dos participantes sobre mudanças na rotina.

Melhor qualidade do sono foi um dos principais resultados

Entre os benefícios mais citados pelos adolescentes esteve a melhora na qualidade do sono.

Os participantes relataram que passaram a dormir mais cedo, reduziram o tempo de exposição às telas durante a noite e acordaram com maior disposição.

De acordo com os pesquisadores, o toque de recolher digital foi a estratégia que apresentou os resultados mais consistentes.

Além de ser considerada a medida mais fácil de ser seguida pelas famílias, ela favoreceu a criação de uma rotina mais regular antes de dormir.

Concentração também apresentou avanço

Outro aspecto que chamou a atenção foi o aumento da capacidade de concentração.

Os adolescentes afirmaram que conseguiram dedicar mais tempo aos estudos, reduzir distrações provocadas pelas notificações e manter o foco por períodos mais longos durante as atividades escolares.

Segundo o levantamento, a retirada completa dos aplicativos foi a intervenção que proporcionou os maiores ganhos nesse aspecto, embora também tenha sido considerada a mais difícil de ser mantida.

Bem-estar emocional apresentou melhora

Além dos impactos no desempenho escolar, muitos participantes relataram mudanças positivas relacionadas ao bem-estar emocional.

Os jovens afirmaram sentir redução da ansiedade, menor sensação de pressão para acompanhar publicações em tempo real e uma rotina considerada mais tranquila durante o período de restrição.

O estudo também registrou relatos de melhora no humor e diminuição do estresse associado ao uso constante das plataformas digitais.

Relação familiar foi fortalecida

Outro efeito observado foi o aumento da interação entre os adolescentes e seus familiares.

Segundo os participantes, a redução do tempo gasto nas redes sociais abriu espaço para mais conversas, refeições em família e atividades realizadas sem a presença constante dos celulares.

Para os pesquisadores, esse resultado demonstra que a diminuição do tempo de tela pode influenciar não apenas a saúde individual, mas também a dinâmica familiar.

Restrição total trouxe benefícios, mas gerou impacto social

Apesar dos resultados positivos, a retirada completa dos aplicativos também apresentou desafios.

Diversos adolescentes relataram sentir dificuldade para manter contato com amigos, especialmente aqueles que utilizam plataformas como principal meio de comunicação.

A sensação de isolamento foi um dos pontos negativos mais mencionados pelos participantes, evidenciando que as redes sociais desempenham um papel importante na vida social dessa faixa etária.

Limite diário de 15 minutos foi considerado inviável

Entre as três estratégias analisadas, o limite de apenas 15 minutos por aplicativo apresentou a menor adesão.

Segundo os adolescentes, o tempo disponível era insuficiente para acompanhar conversas, responder mensagens e participar de grupos, tornando a medida pouco prática para o dia a dia.

Os pesquisadores observaram que esse modelo acabou gerando interrupções frequentes na comunicação entre os jovens.

Participantes encontraram formas de contornar as restrições

A pesquisa também identificou que parte dos adolescentes conseguiu driblar as limitações impostas.

Entre as estratégias relatadas estavam o uso de tablets, computadores, celulares antigos, além da utilização de VPNs e da alteração da idade informada em alguns serviços para manter o acesso às plataformas.

O resultado indica que ferramentas tecnológicas, por si só, podem não ser suficientes para limitar o uso das redes sociais sem acompanhamento dos responsáveis.

Jovens defendem regras adaptadas à idade

Durante o estudo, muitos participantes afirmaram que eventuais restrições deveriam considerar a idade e o grau de maturidade de cada adolescente.

Os jovens defenderam que adolescentes mais velhos tenham maior autonomia para administrar o tempo de uso das redes sociais, enquanto crianças mais novas poderiam seguir regras mais rígidas.

Debate sobre regulamentação continua

O levantamento foi realizado antes do anúncio de propostas do governo britânico para restringir o acesso de menores de 16 anos às redes sociais.

Os resultados reforçam o debate internacional sobre a necessidade de estabelecer limites equilibrados para o uso dessas plataformas.