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Arte, história e fé

A história de Juiz de Fora está ligada à chegada de centenas de imigrantes que vieram para o país em busca de novas oportunidades. Elementos culturais de cada nação foram incorporados à cidade e seguem vivos em cada parede erguida e preservada. A cidade possui referências portuguesas, negras, alemãs, italianas, sírias e libanesas. Muitas delas […]

Por Bárbara Riolino

26/11/2016 às 07h00

TEMPLO LUTERANO no Mariano Procópio apresenta traços de estilo modernista (Foto: Olavo Prazeres)
TEMPLO LUTERANO no Mariano Procópio apresenta traços de estilo modernista (Foto: Olavo Prazeres)

A história de Juiz de Fora está ligada à chegada de centenas de imigrantes que vieram para o país em busca de novas oportunidades. Elementos culturais de cada nação foram incorporados à cidade e seguem vivos em cada parede erguida e preservada. A cidade possui referências portuguesas, negras, alemãs, italianas, sírias e libanesas. Muitas delas estão eternizadas nos templos religiosos, construídos para que estes povos continuassem a exercer sua religiosidade dentro dos ritos aos quais estavam acostumados em seus países de origem.

Os alemães, por exemplo, vieram para Juiz de Fora para trabalhar na construção da Estrada União Indústria, em 1858, e fundaram a Comunidade Evangélica de Confissão Luterana. De acordo com o presidente da Comunidade, Adalto Barra, o primeiro templo central foi erguido no século XIX no Bairro Fábrica, na Rua General Gomes Carneiro, sendo demolido anos mais tarde para a construção de uma nova sede, já no século XX, no Bairro Mariano Procópio. A única lembrança que sobrou do templo antigo foi um vitral colorido disposto na entrada do local, unindo-se aos traços de estilo modernista, como linhas orgânicas e formas geométricas, comuns nos anos 1970.

Barra explica que a arquitetura dos templos luteranos não segue um padrão específico de construção, acompanha a época. Internamente, as características são a ausência de imagens e apenas uma cruz fixada no centro do altar, simbolizando Jesus Cristo. Para aproximar mais os imigrantes, em 1935, foi inaugurada uma capela luterana no São Pedro. O local segue preservado até hoje, com a fachada em tijolos aparentes.

 

Disco voador do Oriente

COM ARQUITETURA singular, Igreja Greco-Católica Melquita, no Santa Helena, traz painel com ícones bíblicos (Doto: Olavo Prazeres)
COM ARQUITETURA singular, Igreja Greco-Católica Melquita, no Santa Helena, traz painel com ícones bíblicos (Doto: Olavo Prazeres)

O formato de “disco voador” da Igreja Greco-Católica Melquita, no Santa Helena, faz dela um templo singular na cidade. O que poderia ser uma determinação de estilos não passa de uma estratégia arquitetônica para aproveitar o espaço pequeno concedido aos imigrantes sírios e libaneses, na década de 1950, para construir a igreja. O desenho ainda trouxe significados religiosos. “As vigas de sustentação da igreja se portam como dedos segurando um prato com pão. A vela é a torre, representando o círio. Há ainda a cruz do rito bizantino no topo, com braços iguais”, explica o pároco da igreja, monsenhor João Carlos Teodoro.

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Do lado de dentro, a Melquita possui ícones que representam passagens bíblicas por meio da simbologia, utilizando cores e significados. “A tradição bizantina não faz uso de esculturas, pelo fato de este tipo de arte ser tardio e limitado. Por isso veneramos os ícones. As cores, por sua vez, obedecem a um código e não ao gosto do artista ou iconógrafo, que escreve os ícones, por isso não existe assinatura. O vermelho representa o divino, e o azul, o humano. A imagem de Maria estará sempre à direita de Jesus, pois a Rainha Mãe sempre fica à direita do Rei”, pontua.

Como toda igreja católica do rito bizantino, na área do altar existe o iconostasis, um painel em que os ícones ficam dispostos. Além disso, o setor é dividido em três partes, que representam os três graus da ascensão espiritual: o santuário, que só pode ser acessado por diáconos, padres e bispos; o nartex, onde acontecem os batizados e os casamentos; e a nave, onde os fiéis acompanham as celebrações.

O iconostasis ainda dispõe de três portas, sendo a do meio a Porta Real, que marca o ponto exato do nascimento do Sol, o oriente. “Esta é outra particularidade da Melquita: padre e fiéis ficam voltados para esta posição, por isso a entrada não fica para a praça.” Outras cores presentes na Melquita, como o dourado, que remete ao Império de Bizâncio (nobreza, riqueza e beleza dos cerimoniais da corte que foram incorporadas à liturgia), e o azul do teto, fazendo alusão à tonalidade do céu no Oriente.

 

Espremida entre prédios

 EM ESTILO eclético, Igreja de São Roque marca a chegada dos italianos à cidade (Foto: Marcelo Ribeiro)

EM ESTILO eclético, Igreja de São Roque marca a chegada dos italianos à cidade (Foto: Marcelo Ribeiro)

A Igreja de São Roque passa despercebida por quem passa pela Avenida dos Andradas. Espremida entre prédios, a capela marca a chegada dos italianos à cidade, no final do século XIX. Lucínia Scanapieco, membro da comunidade italiana local, explica que os imigrantes precisavam se unir para se adaptarem à nova realidade, além de manter seus costumes, como a devoção a São Roque, santo muito cultuado na Itália por ser o principal intercessor em casos de pestes e epidemias.

Os primeiros passos para a construção da capela foram dados em 1902, mas a obra só foi iniciada após a doação de um terreno na Rua da Gratidão, atual Avenida dos Andradas. A estrutura começou a ser erguida em 1904, sendo inaugurada em 1907. Em 2002, a igreja foi tombada como patrimônio cultural municipal no intuito de manter as características originais da época, embasadas no ecletismo, que mistura os estilos gótico, barroco e maneirista.

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