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Inventor juiz-forano cria câmbio CVT adaptável a ônibus e caminhões

Tecnologia foi apresentada em congresso internacional no mês passado; agora, patente, já registrada, será oferecida a empresas de todo o mundo

Por Eduardo Valente

11/10/2018 às 07h00- Atualizada 11/10/2018 às 09h06

O passageiro possivelmente nunca dirigiu um ônibus, mas certamente sabe que as marchas precisam ser trocadas. Quando o veículo está muito pesado, a mudança no câmbio é perceptível, principalmente em aclives. Se é desconfortável para os usuários, pior mesmo é para os motoristas. Afinal, além do estresse provocado pelo próprio trânsito, a condução em si é extremamente cansativa para o corpo. Aliás, não é incomum o afastamento do trabalho desses profissionais em razão das dores crônicas, principalmente nas costas, braços e ombro. O câmbio automático seria uma solução, muito embora esta não seja uma realidade em toda a frota.

José Carlos de Amorim e seu câmbio CVTH (Foto: Olavo Prazeres)

Para resolver este problema dos motoristas de ônibus – e também dos caminhoneiros – um inventor juiz-forano desenvolveu um sistema de transmissão de velocidade continuada, o conhecido CVT (sigla para o termo inglês “continuously variable transmission”), que pode ser adaptado para veículos originalmente de câmbio manual. O CVT criado pelo policial rodoviário federal aposentado José Carlos de Amorim, 71 anos, é chamado de CVTH, pois funciona através de hibridação, tecnologia presente nos carros que funcionam com combustível fóssil e energia cinética.

O CVTH inicialmente foi desenvolvido e patenteado para funcionar em veículos com chassi grande, como ônibus e caminhão. Mesmo assim, a expectativa do inventor é que a sua solução tecnológica seja aperfeiçoada para, no futuro, funcionar também em carros. O equipamento criado por ele é acoplado no chassi, entre o câmbio e o diferencial. Desta forma, o CVT – que pode inclusive ser removido, sem alterar as características originais do veículo – une-se a uma caixa de engrenagens e se conecta a duas máquinas elétricas, além do motor de combustão interna. Assim, o CVTH passa a fazer a função hoje dada ao motorista, de trocar as marchas.

“O câmbio manual permanece no veículo, pois as características originais não são alteradas. Só que o motorista não vai precisar tocar nelas. Se ele sair da garagem na terceira marcha, vai poder acelerar, frear, parar e voltar à garagem, no fim do dia, ainda na terceira. A mudança passa a ser feita de forma linear, reduzindo a poluição, economizando embreagem e garantindo a máxima eficiência de consumo do motor”, disse, orgulhoso, Amorim, que agora busca parceiros para que a invenção seja colocada em prática em grande escala.

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Patente aprovada
Para isso, os primeiros passos já foram dados. O CVTH teve patente aprovada pelo Instituto Nacional de Propriedade Privada (INPI) em julho do ano passado, após um trabalho em conjunto com a empresa Impacto Júnior, de engenharia mecânica, da UFJF. Mês passado, o protótipo foi apresentado em São Paulo, em um congresso internacional promovido pela SAE Brasil, uma instituição mundial voltada à tecnologia e progresso da mobilidade.

“Nosso foco é atingir o mercado internacional. Por esta razão, queremos autorizar não apenas uma, mas várias empresas a trabalharem com o CVTH. Isso também pode reduzir os custos de implantação”, disse Amorim. Segundo ele, o custo estimado será até 50% menor que o necessário hoje para a instalação de um câmbio CVT tradicional.

Projeto de vida
O aposentado de 71 anos classifica o CVTH como o projeto de uma vida. Segundo ele, o interesse aumentou quando trabalhava como policial rodoviário e observava de perto o cansaço dos motoristas profissionais. A vontade foi somada ao conhecimento em mecânica, adquirido quando atuava no Exército Brasileiro. “Também fui mecânico de outras máquinas, como de somar e escrever.” Agora, com a patente próxima a ser oferecida ao mercado, o inventor garante que a missão está cumprida. “Se realizar este projeto, termino esta vida tranquilo e feliz.”

 

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