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“Psiuuu… você tem medo de quê?”, pergunta a escritora Juliana James em livro infantil

Por Marisa Loures

23/02/2021 às 08h00 - Atualizada 22/02/2021 às 22h44

Em 12º livro lançado, a escritora Juliana James conversa sobre medo com os pequenos da Educação Infantil – Foto: acervo pessoal

“Psiuuu… você tem medo de quê?”. Essa é a pergunta que dá título ao novo livro da escritora juiz-forana Juliana James. Lançada pela editora Paratexto com 12 páginas muito coloridas e muitas ilustrações, assinadas pela baiana Giovanna Martins, a obra traz a história de um garotinho que transformou o medo de escuro e de monstros em uma nova experiência. Ela chega até a meninada como um convite para aprender a lidar, de forma divertida, com o que a amedronta. A propósito, é impossível encontrar alguém que nunca sentiu medo. Não é mesmo? Muitas crianças, por exemplo, têm pavor do escuro, do bicho-papão. Horror de ficarem sozinhas e de não conseguirem tirar uma boa nota na prova.

“No último ano, acredito que todos nós, ou pelo menos a grande maioria, tivemos que lidar com um medo incomum”, diz a autora, justificando a pertinência, neste momento, de um livro infantil que aborda essa temática. Até ela confidencia que ainda precisa aprender a lidar com pequenos medos. Por que não? “Confesso que, à noite, deixo sempre uma luz da casa acesa, ainda hoje não gosto de dormir totalmente no escuro”, conta Juliana, que, nessa empreitada, tem a garotada da Educação Infantil como público-alvo. A criança pode acompanhar a história narrada, mas também participar do livro. Isso porque a escritora reserva um espaço para o leitor mirim escrever ou desenhar.

“Psiuuu… você tem medo de quê?” é o 12º livro infantil da autora, que ainda é pedagoga, prestes a concluir uma especialização em literatura infantil e juvenil, contadora de histórias e professora de teatro.  Durante o ano de 2020, contrariando as expectativas por causa do isolamento social, ela não só lançou livros, colocou muitos exemplares na rua, como também desenvolveu novos projetos. E 2021 promete não ser diferente. Ela garante que tem muito trabalho pela frente.

Marisa Loures – Usando a imaginação, o garoto vence os seus medos. Ele relata que os pais encontraram nos livros inspiração para conversar com ele. Qual a importância da literatura no que diz respeito a ajudar a criança a saber lidar com seus sentimentos?

Juliana James – Hoje em dia, a literatura infantil é muito mais ampla e importante. Ela proporciona à criança um desenvolvimento emocional, social e cognitivo. A literatura é como um baú de memórias que pode dar às crianças subsídios para reescreverem seu mundo e lidar com diversos sentimentos.

– E como esse livro nasceu? Qual a história que está por trás da história desse garoto?

A inspiração veio da minha infância. Eu dividia o quarto com a minha irmã Nathalia e sempre pedia para ela me esperar dormir. Eu tinha medo do escuro, então, combinávamos de vigiar a porta e a janela do quarto e guardávamos todos os brinquedos dentro do armário! O medo é uma emoção básica e, em certas faixas etárias, as crianças passam pelos mesmos medos. Na maioria das vezes, com ajuda dos pais, dos livros, a criança consegue superar ou aprender a lidar com ele, como eu, que durmo com alguma luz acesa, ou como o personagem do livro, que encontrou outra solução.

“Psiuuu… você tem medo de quê?” traz a história de um garotinho que transformou o medo do escuro e de monstros em uma nova experiência – Foto: Divulgação

– É a primeira vez que você escreve para crianças em idade da Educação Infantil. Quais são suas expectativas? E por que resolveu conversar com esse público?

Estou estudando sobre o impacto da literatura infantil na primeira infância, crianças de 0 a 3 anos. Esse assunto me encanta, tenho lido muita coisa interessante e pesquisado bastante. Esse foi o primeiro livro que pensei na capa, nos desenhos. As imagens que você vê no livro saíram da minha cabeça, e a ilustradora Giovanna Martins, de Ji-Paraná, Rondônia, deu forma à minha imaginação. Conversamos muito durante todo o processo, cuidei até da paleta de cores, coisa que não fiz em nenhum outro livro.

– Desde que estreou como autora de livros, você tem lançado pelo menos um título por ano. Este é o décimo segundo. Mesmo em isolamento, no ano de 2020, você não parou. Pensou em várias estratégias para colocar seus livros na rua. Foi preciso se reinventar?

Verdade. No dia 14 de março de 2020, eu estava feliz lançando dois livros na Biblioteca Murilo Mendes e, no dia 16, tudo parou, cheguei a pensar que eu iria parar também. O telefone tocava e contações de história e adoções de livros eram canceladas, alunos de teatro que cancelaram matrícula. Foi um baque. Fiquei com muitos livros aqui, chegou a bater um desespero. Mas, pensando, veio a ideia de baixar o valor dos livros e começar uma campanha. A cada 20 reais, um livro seria doado para escolas públicas de Juiz de Fora e região. Comecei a divulgar nas redes sociais, tive apoio de muitas pessoas que conheço e também de pessoas que nunca tive a oportunidade de encontrar. Por fim, conseguimos doar 550 livros para 23 escolas públicas e seis projetos sociais. Com isso, acabei fazendo uma parceria com o Instagram “Historinhas pra contar”, lancei “O menino incomum e as cores” e acabei conhecendo, nas redes sociais, a Fernanda Vizian, da Editora Paratexto. Juntas, estamos na terceira turma do Curso Fábrica de Histórias, que é um curso de escrita com publicação de livros para crianças de 7 a 10 anos, e resolvi publicar “Psiu” com ela.

– E podemos falar que, de certa forma, está sendo um período de criatividade?

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Está sim, passado o susto inicial, percebi que tinha que trabalhar para mim e que era possível continuar e descobrir novos caminhos.

– Por falar no projeto Fábrica de Histórias, como é o curso? Como foi a experiência com as crianças durante a pandemia e quais são os próximos passos dessa iniciativa?

A experiência com o curso tem sido maravilhosa, estamos na terceira turma. Em breve, teremos 30 livros de autores infantis publicados. As crianças aprendem o conceito de literatura, quais são os gêneros literários, fazem exercícios de escrita criativa e aprendem tudo sobre o processo de publicação com muita leveza e interatividade. As aulas são online e o bacana é que as crianças e pais que nos procuram valorizam a literatura e curtem muito o processo todo.

– Já que tocamos no assunto “pandemia”, em abril de 2020, você participou de um projeto da Tribuna, intitulado “Como será o amanhã”, escrevendo um texto com uma mensagem de muito otimismo. Na sua história, depois de um longo período de isolamento, as pessoas passaram por um novo recomeço, experimentaram um mundo mais humano, um mundo de amor.  Depois de quase um ano, esse otimismo está presente?

O otimismo está sempre presente em mim, procuro valorizar as pequenas vitórias, o momento presente, a família, a saúde de todos que amo, mas, infelizmente, o mundo que eu idealizei naquela crônica, reconheço que está um pouco distante . Mas não podemos desistir de sonhar. Para mim, desistir de sonhar é desistir de viver. Então eu sigo sonhando com dias melhores.

Sala de Leitura: toda sexta-feira, às 11h35, na Rádio CBN Juiz de Fora (FM 91,30).

“Psiuuu… você tem medo de quê?”

Autora: Juliana James

Ilustradora: Giovanna Martins

Editora: Paratexto (12 páginas)

 

 

Marisa Loures

Marisa Loures

Marisa Loures é professora de Português e Literatura, jornalista e atriz. No entrelaço da sala de aula, da redação de jornal e do palco, descobriu o laço de conciliação entre suas carreiras: o amor pela palavra.

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