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Uma batalha bem vampiresca

Por Marisa Loures

12/04/2022 às 16h45 - Atualizada 12/04/2022 às 16h45

O médico e escritor Artur Laizo finaliza a trilogia de “A mansão do rio vermelho” com “A batalha final”, e o lançamento já está programado – Foto de Daniel Braga Sansão

Àqueles que acompanham a saga do vampiro Frederich Augspartem, em “A mansão do rio vermelho”, informo que “a batalha final” já começou. “No livro dois, Augspartem vive em Salvador, e Jaime, em São Luiz. Os dois amigos, não conseguem nem mesmo se comunicar porque Jaime se descobriu como o herdeiro mais forte dos poderes das bruxas de São Luiz. Essas bruxas expulsaram o vampiro da cidade por duas vezes e, por isso mesmo, Jaime e Frederico estão afastados. No livro três, Augspartem e Douglas, o vampiro de Juiz de Fora, voltam para a cidade para se encontrar com as pessoas que gostam, porém, quando chegam, a batalha está para começar”, conta o escritor Artur laizo.

Mineiro de Conselheiro Lafaiete, mas vivendo aqui na cidade há quase quatro décadas, o também médico-cirurgião e professor aguarda os leitores para o lançamento presencial de “A mansão do rio vermelho: a batalha final” (Novo Século, 336 páginas), agendado para o dia 06 de maio, às 19h, no Museu de Arte Murilo Mendes. “Vamos ter alguns vampiros e bruxas passeando pelo evento, e eu convido todos que queiram conhecer a trilogia, ler o terceiro livro. Enfim, vou estar lá para dar autógrafo. Vai ser uma noite bem vampiresca”, adianta ele, garantindo que o terceiro volume fecha todas as histórias que ficaram abertas nos anteriores e explica várias questões subentendidas. Por isso, mesmo sendo suspeito para falar, opina: “Esse é o melhor dos três.”

Depois de mais de mil páginas escritas, não deve ser nada fácil se despedir de um personagem, principalmente, quando se trata de um ser como Augspartem, considerado por Artur como o pai de todos os vampiros já criados por ele. Mas quem disse que as aventuras dessa criatura param por aí? Nesta entrevista, o autor, que ainda acumula o cargo de presidente da Liga de Escritores, Ilustradores e Autores de Juiz de Fora (LeiaJF), confidencia o que preparou para seu pupilo e dá vários detalhes de “A batalha final”.

Também volta a falar de Douglas, o vampiro que, segundo o escritor, mora no Parque Halfeld. Quem é leitor do Artur já conhece essa história. Talvez a novidade esteja no fato de que ele não é o único por aqui.

 Marisa Loures – Quando descobriu que “A mansão do rio vermelho” daria uma trilogia?

Artur Laizo – A história não poderia terminar como terminou no primeiro volume. Eu acredito naquela afirmação que usei em uma palestra que fiz sobre a autonomia do personagem que acaba contando a história. Frederich Augspartem, ou simplesmente Frederico, o vampiro, e o Jaime precisariam continuar suas histórias e assim saiu o segundo volume que, desde o início, prometia o terceiro. Acredito mesmo que o terceiro volume é o melhor dos três, porque ele fecha todas as histórias que ficaram abertas e explica muitas coisas que ficaram subentendidas nos outros dois volumes

Os três livros juntos contabilizam cerca de mil páginas. E como é lidar com a missão de escrever uma história tão extensa?

Escrever é um grande prazer. Eu não sei prever o tamanho da história antes de terminar. Não faço roteiros dos meus livros e vou escrevendo a ideia que tenho inicialmente. Interessante é dizer que os três livros foram escritos em épocas diferentes, e cada um deles tem, em média, 330 páginas. O prazer de escrever a história e de conviver com os personagens é imenso. E não dá para escrever uma história dessas com menos páginas.

– Certa vez, um autor me disse que escrever é “quase escravizar o leitor ao seu texto.” É Seduzi-lo. No livro 1, o assassinato de uma jovem loira é o que dá início à trilogia. Um bom mistério é o que seduz o leitor e o segura por mais de mil páginas?

Também. Eu gosto de mistérios. Gosto de fazer com que o leitor queira descobrir o que tem por trás da trama. Se é escravizar, eu sou escravo de vários autores que amo. Eu sou um leitor compulsivo. Eu comecei o livro um com a descoberta de um corpo de uma loira decapitada em um terreno baldio na cidade fictícia de São Luiz, que fica entre Juiz de Fora e Ubá. Os rapazes que encontraram o corpo acionam a polícia, e esse assassinato mexe com a cidade pequena. Todos querem saber quem matou a loira. Na investigação, surgem policiais que vão descobrir quem matou. O grande problema é resolver o crime. Embora existam outras coisas que vão pesar na solução do mistério, uma delas é que se trata de um vampiro e também porque Jaime, o psicólogo, se torna amigo do dono da Mansão do Rio Vermelho.

– O vampiro Frederich Augspartem é o personagem central dos três livros. O que o vampiro representa para você?

Vampiro é um personagem fantástico. Cada autor criou o seu vampiro com poderes e capacidades diferentes. Tem autor que cria o vampiro como um personagem do mal, e o objetivo é exterminá-lo. Há autores que criam o vampiro como um herói, um personagem que vai resolver muitas coisas na trama.

– Já vi você citar, em um dos textos que escreveu, personagens de “Entrevista com vampiro”, de Anne Rice, e de Amante Eterno (Irmandade de Adaga Negra), de J.R, Ward. O Lestat e o Rhage são inspirações para seus vampiros?

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Não. Apesar de eu adorar o Lestat e querer ser amigo de todos os vampiros da Irmandade da Adaga Negra, eu escrevi “A mansão do rio vermelho” antes de conhecer todos eles. Na realidade, o livro um foi escrito em 1986. Em 2015, eu fiz uma releitura e publiquei o livro em 2016. Aí já conhecia todos os vampiros da Anne Rice, estava lendo compulsivamente J.R. Ward e também já tinha lido todos os vampiros do André Vianco. Como disse, cada autor escreve seu vampiro com os poderes que talvez quisesse ter.

– De uma outra vez que conversamos, você me disse que  estava muito envolvido com o Frederich Augspartem. Ao mencionar o vampiro Douglas, disse que um “personagem acaba andando junto com a gente”. Você está preparado para se despedir do Augspartem?

Uma vez eu vi uma entrevista da Zélia Gatai, esposa de Jorge Amado, onde ela dizia que convivia dentro de casa com Gabriela, Tereza Batista, Tieta e outros personagens do marido. Eu não vou me despedir do Augspartem. Já escrevi contos onde ele aparece. O livro “O vampiro Douglas” – o vampiro de Juiz de Fora – está pronto, e em breve será também publicado. Nele, Augspartem aparece algumas vezes. Frederich Augspartem é o pai de todos os vampiros que criei e vai aparecer muitas vezes por aí.

Por falar no Douglas, ele é morador de Juiz de Fora e também transita por “A mansão do rio vermelho”. Sei que você já andou conversando com ele por aí e que ele é o protagonista de um novo livro. Quando, finalmente, teremos o prazer de mergulhar na história protagonizada por ele? Poderia nos contar o que ele vai aprontar?

Douglas foi criado por Augspartem, em 1850, quando Juiz de Fora recebeu o nome de cidade. Ele veio para trabalhar em fazendas de café e foi transformado pelo vampiro em uma noite de grande tristeza pela perda da amada. Desde então, ele mora em Juiz de Fora, e em 1902, enquanto se fazia uma reforma no Parque Halfeld, ele construiu sua casa exatamente debaixo do coreto. Só ele sabe como entrar e sair de casa. O livro está pronto e é muito bom. Douglas interferiu em algumas cenas da história de Juiz de Fora. Isso me levou a uma grande pesquisa sobre a história da cidade e foi ótimo.

– Aliás, para não sermos pegos de surpresa, há mais vampiros vivendo pelas ruas da nossa cidade sem que a gente saiba?

Vários. E temos bruxas também. Depois do Douglas, já tenho outro livro pronto para publicação que é a história da Mariette. Ela é vampira, foi transformada por Douglas e trabalha como taxista nas ruas da cidade. Fora os dois, outros vampiros de Juiz de Fora transitam pelos três livros.

“A mansão do rio vermelho: a batalha final”

Autor: Artur Laizo

Editora: Novo Século

Disponível aqui.

Lançamento 

Dia 06 de maio, às 19h, no Museu de Arte Murilo Mendes (Rua Benjamin Constant 790).

Marisa Loures

Marisa Loures

Marisa Loures é professora de Português e Literatura, jornalista e atriz. No entrelaço da sala de aula, da redação de jornal e do palco, descobriu o laço de conciliação entre suas carreiras: o amor pela palavra.

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