Depois de uma disparada nos preços no início do ano impulsionada pela Quaresma, seguida por uma sequência de quedas, um alimento muito presente na mesa do brasileiro voltou a subir em agosto.
Trata-se do ovo, cuja demanda dispara tradicionalmente no período religioso em que muitos católicos deixam de consumir carne vermelha, movimento que, ano após ano, impacta diretamente nos valores praticados pelo mercado.
Alimento sagrado dos brasileiros teve aumento significativo de preços
Neste ano, o aumento observado entre março e abril gerou forte insatisfação entre consumidores. Em redes sociais e feiras, o descontentamento foi evidente.
Com o fim da Páscoa, no entanto, os preços começaram a recuar e seguiram em queda nos meses seguintes, trazendo certo alívio ao bolso das famílias. Mas essa tendência foi interrompida em agosto.
Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da USP, a valorização do ovo ocorreu mesmo com uma segunda quinzena de vendas mais fracas e negociações com descontos.
A alta do início do mês foi suficiente para elevar a média geral de agosto. Em Bastos (SP), principal polo de produção de ovos do país, a caixa com 30 dúzias do tipo branco extra foi vendida a R$ 151,81, registrando um aumento de 1,70% em relação a julho.
Já na Grande São Paulo, no sistema CIF (produto posto), o valor subiu 2,10%, alcançando R$ 158,96 por caixa.
Ovo subiu, mas alimentos em geral sofreram redução nos preços
Esse reajuste contrasta com o movimento mais amplo da economia. O IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, registrou deflação de 0,14% em agosto, a primeira queda em dois anos.
O recuo foi puxado principalmente pela queda nas tarifas de energia elétrica, influenciadas pelo Bônus de Itaipu, e pela redução nos preços dos combustíveis e de alguns alimentos.
No setor de alimentos, o índice apontou queda de 0,53% no mês, com destaque para o recuo nos preços de itens como manga, batata, cebola, tomate e carnes.
A chamada “alimentação no domicílio”, em particular, teve retração de mais de 1%. Ou seja, enquanto a maioria dos alimentos ficou mais barata, o ovo seguiu na contramão.
Mesmo com a inflação em baixa, a variação no preço dos ovos acende um alerta sobre a volatilidade dos alimentos básicos e a dificuldade de manter estabilidade nos custos da alimentação.
