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A política precisa acompanhar o envelhecimento da cidade

"Não basta somente citar a pessoa idosa nos programas televisivos; com imagem delas, sorrindo e recebendo abraços. É preciso colocar as pessoas idosas no centro das decisões políticas, no orçamento público, nas metas orçamentárias, no espaço de participação social"

Por Jose Anisio Pitico

Nossa cidade está envelhecendo rapidamente. É verdade. Ela já é uma cidade com muitas pessoas idosas. Somos mais de 100 mil pessoas com 60 anos ou mais, contando comigo. Está (ainda) na minha cabeça de adolescente – que não sou mais há muito tempo – a frase “Brasil, um país de jovens”. Mudou. Já não somos um país de jovens. Somos o país de um presente longevo.

Mesmo assim, parte dos nossos representantes políticos insiste em governar uma cidade que não existe mais. A demografia é outra. Fala-se muito em desenvolvimento econômico, mas muito pouco sobre longevidade. E, paradoxalmente, muitos dos políticos que estão no mandato são pessoas idosas, mas, não se consideram como tal. Não se autointitulam e não assumem a condição de serem pessoas idosas, como se isso, fora algum defeito.

Ou seja, continuamos tratando a pessoa idosa como se ela fosse uma exceção, e não uma continuidade do nosso processo de vivência humana. E permanecemos na mesma narrativa de sempre a de elaborarmos políticas públicas para a população jovem – nada contra – só que a realidade envelhece diante dos nossos olhos: a política precisa acompanhar o envelhecimento da cidade.

Em vez de discutirmos como cuidar das pessoas idosas, devemos perguntar: como construir uma cidade que seja boa para envelhecer? Resposta que pode ser dada nas próximas eleições, no dia 04 de outubro. Quem dos candidatos e das candidatas assumem pra valer o compromisso de lutarem pela melhoria das condições de vida das pessoas idosas em nossa cidade, no nosso Estado?

Não basta somente citar a pessoa idosa nos programas televisivos; com imagem delas, sorrindo e recebendo abraços. É preciso colocar as pessoas idosas no centro das decisões políticas, no orçamento público, nas metas orçamentárias, no espaço de participação social. As eleições de outubro representam uma oportunidade histórica. Os candidatos e candidatas devem ser cobrados e cobradas não apenas sobre construção de hospitais e escolas – o que é muito importante e necessário – mas, devem ser cobrados sobre qual projeto político eles tem para uma cidade longeva, como a nossa?

Onde está a política estadual para o nosso envelhecimento? Como preparar os bairros, os equipamentos públicos e os serviços para uma sociedade em que viver muito será cada vez mais comum? Governar no século XXI é entender que a longevidade de todos nós não é um problema a ser administrado. É uma conquista a ser celebrada e organizada. As cidades mudaram. A sociedade também. Não somos mais um país de jovens. Estamos numa nova ordem mundial.

Governar bem é, antes de tudo, saber cuidar do tempo das pessoas. Está na hora, a hora é agora de a política envelhecer bem: tornando-se mais sensível, mais inteligente e sobretudo, mais humana. Fiquemos com essa questão: qual é o papel da política em uma cidade que envelhece?

Jose Anisio Pitico

Jose Anisio Pitico

Assistente social e gerontólogo. De Porciúncula (RJ) para o mundo. Gosta de ler, escrever e conversar com as pessoas. Tem no trabalho social com as pessoas idosas o seu lugar e mantém o canal Longevidades no Youtube (@Longevidades). Contato: (32) 98828-6941

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