O mundo envelheceu. Nosso país também. Juiz de Fora envelheceu. Nós envelhecemos. Eu envelheci. Esse é o futuro de todos nós. Diante dessa nova realidade levanto a seguinte questão: não a de quantos anos viveremos; mas, sim, como queremos viver os anos que conquistamos?
Envelhecer não está somente ligado a uma condição individual, subjetiva. Envelhecer, como outras etapas da nossa vida, é uma questão social, uma questão econômica, uma questão cultural, e principalmente, é uma questão política.
No caso da nossa cidade e de tantas outras, os gestores e gestoras precisam rever seus planejamentos, seus serviços de saúde, suas políticas públicas, suas formas de mobilidade diante do envelhecimento populacional. E, principalmente, enfrentar os etarismos cotidianos presentes em nossas cidades.
Ainda somos uma comunidade que, muitas vezes, olha para a pessoa idosa como alguém que já cumpriu a sua missão e virou uma pessoa invisível. Isso tem que mudar. Ficar velho não pode tirar a nossa cidadania. Não pode diminuir os nossos direitos. Não pode apagar os nossos desejos, nossos sonhos, nossos afetos, nossa sexualidade e a nossa capacidade de votar e a nossa vontade de continuar participando da vida coletiva.
Precisamos politizar a conquista da longevidade: ter uma longevidade com direitos. Quais candidato/as apresentam compromissos políticos com o envelhecimento ativo e cidadão de nossa cidade e região? Quais? Eles e elas precisam escutar as pessoas idosas. Esse gesto não é um favor: é direito da população idosa. Isso é cidadania. Isso é democracia.
O futuro chegou sem pedir licença. E os trouxe uma população que vive mais, que deseja continuar participando da vida e que não aceita, de jeito nenhum, ser tratada como paisagem. A grande revolução do nosso mundo é aprender a envelhecer sem ter que pedir desculpas por envelhecer. Ficar velho não é defeito nenhum – a não ser que a gente morra antes da hora. E quem deseja morrer cedo?
Quando defendemos os direitos das pessoas idosas não estamos defendendo apenas as pessoas idosas de hoje: estamos defendendo o nosso próprio futuro, que já chegou. Os novos velhos somos nós. Vida longa e próspera para todos nós.


