A propaganda eleitoral começou. As promessas também. Que cidade as candidatas e os candidatos estão garantindo para quem envelhece? A população idosa não é apenas um número nas pesquisas eleitorais. É gente que vota, trabalha, cuida, participa, consome, produz cultura, sustenta famílias e continua sonhando.
Esse eleitorado merece mais do que promessas genéricas (ninguém merece!). Merece propostas concretas e compromisso. Envelhecer não é uma condição meramente individual. É uma realidade coletiva, de todas e de todos nós. Na campanha eleitoral não basta falar sobre o envelhecimento. É preciso falar com as pessoas idosas.
Uma das grandes questões que é preciso apresentar nesse período eleitoral é a seguinte: que cidade queremos construir para que todos possam envelhecer com dignidade?
Uma cidade verdadeiramente democrática não escolhe idade para ouvir seus cidadãos. Ela escuta todos. Inclusive os seus idosos, com certeza. As candidatas e os candidatos precisam mudar esse hábito de lembrar (?) das pessoas idosas somente quando chega a hora de pedir votos, como agora.
As pessoas idosas precisam estar presentes quando se discutem políticas públicas, orçamento, mobilidade, saúde, moradia, cultura, segurança, trabalho e lazer. Aqui vai mais uma questão para as nossas candidatas e candidatos: onde está a pessoa idosa no projeto de cidade que vocês estão apresentando?
O eleitorado prateado é muito numeroso, é o que mais cresceu para votar nessas eleições. Sua importância vai muito além dos números. São milhões de histórias, experiências e desejos. Caríssimas candidatas e caríssimos candidatos: quem governa pensando nas pessoas idosas não está governando apenas para os idosos. Está preparando uma cidade melhor para todos nós. Porque o futuro também envelhece. E a cidade que queremos amanhã começa a ser construída nas escolhas que fazemos hoje.
Uma reflexão para todos nós do eleitorado prateado: não queremos uma cidade que apenas conte os nossos votos nas urnas. Queremos uma cidade que conte conosco, de verdade. Porque envelhecer na cidade não pode significar ter que sair dela, mesmo tendo ajudado a construí-la.
Desejamos e merecemos continuar sendo parte dela. Contribuindo firmemente para a construção do seu futuro. A cidade que queremos é aquela que não deixa as pessoas idosas para trás – e que – entende que cuidar delas é cuidar de todos nós.
Nas urnas é hora de perguntar também às candidatas e aos candidatos não apenas o que farão pelo futuro, mas que futuro estão dispostos a construir para quem já ajudou a construir o presente. No final das contas, o eleitorado prateado não quer privilégios. Quer respeito, participação e uma cidade onde envelhecer não seja sinônimo de perder espaço.


