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Tudo passa!

Por Marcos Araújo

30/09/2021 às 07h04 - Atualizada 29/09/2021 às 17h09

Vocês já sentiram o alívio do que é ter a compreensão de que tudo passa? É verdade! Tudo passa! Aqueles dias mais quentes passam, da mesma maneira que os dias mais friorentos. A dor também passa. Lembra do joelho ralado que, quando criança, a gente achava que iria doer para sempre? Passou. Até a dor na alma, como alguns dizem, que é sempre mais dolorida, passa, porque, para ela, o tempo é o melhor remédio. O amor, que é coisa boa, também passa, mas, quando fica e dura, é melhor.

Passamos anos dividindo nossa existência com um grupo de pessoas, compartilhando acontecimentos, intimidades, dúvidas e sonhos. E, enquanto essa convivência está sendo partilhada, a impressão que temos é de que será para sempre. Há uma certeza de que seríamos inseparáveis. Mas passa. Algumas dessas pessoas tornam-se completas desconhecidas. Outras se perdem no meio do caminho ou até fazem questão de nunca mais serem encontradas.

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Então, o que nos resta é manter os olhos bem abertos e agarrar com força as oportunidades que aparecem. Sabemos que não é fácil. Às vezes, bate o desespero e, por isso, é bom lembrar que tudo passa. Um amigo uma vez me disse que “nestas horas, é melhor ser como passarinho, que observa tudo do alto”. Sim, porque, se a gente olhar de cima, nem tudo que parece tão desordenado, no calor da hora, é de fato. Deixar a cabeça esfriar e enxergar por outros ângulos pode dar novo sentido às coisas. Aquilo que era tão caótico pode ser nada depois que a poeira abaixar.

Estou escrevendo essa crônica de hoje pensando na pandemia e em tudo o que vivemos até aqui neste período em que muitos se mantiveram isolados. Repararam na sensação de que os dias parecem passar mais rápidos? Fica até difícil notar o que está acontecendo com o outro, e, às vezes, dentro da gente também, porque estamos no automático. Amanhã já é outubro, e entramos na reta final de 2021. Foram meses de insegurança e também de receio do que estava por vir. Houve perdas em todos os sentidos, as mais tristes foram as vidas daqueles que já não estão mais aqui.

Neste espaço, escrevi diversas vezes sobre a pandemia e sobre seus impactos. Houve uma mescla de reflexões otimistas e pessimistas sobre como sairíamos disso. No começo dessa crise sanitária e de tantas outras crises que vieram junto com ela, como já pontuei aqui, minha compreensão me levava a acreditar que nós, enquanto seres humanos, sairíamos um pouco melhor disso tudo, porque tudo o que o vírus nos fez seria uma maneira de deixar nossa humanidade à flor da pele. Ainda espero por isso, apesar de todas as mazelas que temos vivenciado. Penso assim confiando na máxima de que tudo passa. Até esse texto passa. Passou!

Marcos Araújo

Marcos Araújo

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